Piaui em Pauta

Estudantes se rebelam contra o ensino de economia atual

Publicada em 22 de Maio de 2014 às 08h03


"N?o ? apenas a economia mundial que est? em crise. O ensino de economia tamb?m est?, e as consequ?ncias disso v?o muito al?m do ?mbito acad?mico." ? assim que come?a uma carta aberta assinada pelo ISIPE (sigla em ingl?s para Iniciativa Internacional de Estudantes para o Pluralismo Econ?mico) e divulgada no in?cio do m?s. saiba mais Governo retoma obras dos Tabuleiros Litor?neos Custo de vida aumenta em Teresina Bolsa dos EUA opera em alta ap?s indicadores e resultado do Citigroup Mercado reduz Selic e v? menos crescimento em 2012 Ministro diz que pedido dos EUA para Brasil reduzir tarifas ? ?inaceit?vel? Leia mais sobre Economia O grupo ? formado por 65 associa?es de 21 diferentes pa?ses - entre eles Estados Unidos, R?ssia, ?ndia e Reino Unido. O Instituto Nova ?gora, ONG que promove projetos de cidadania, assina pelo Brasil. Os estudantes afirmam que o curr?culo da disciplina sofreu um "estreitamento dram?tico" nas ?ltimas duas d?cadas e que isso prejudica a habilidade dos formados de encontrar solu?es para os desafios do s?culo XXI - como a "estabilidade financeira, a seguran?a alimentar e o aquecimento global". Pluralismo Eles pedem tr?s tipos de pluralismo. O primeiro ? te?rico: a ideia ? que o ensino deveria expor os alunos a perspectivas econ?micas variadas - cl?ssica, p?s-keynesiana, marxista, institucional, ecol?gica, feminista - que hoje s?o exclu?das em favor de uma vis?o ?nica (a neocl?ssica). Afinal, "ningu?m levaria a s?rio um curso superior em psicologia que focasse apenas no Freudismo" O segundo pluralismo ? metodol?gico: a cr?tica ? que hoje os estudantes s? aprendem m?todos quantitativos e nunca s?o expostos a m?todos qualitativos que os fariam questionar seus pressupostos e conclus?es. O terceiro pluralismo ? interdisciplinar: "economia ? uma ci?ncia social: fen?menos econ?micos complexos raramente podem ser entendidos se apresentados em um v?cuo, removidos do seu contexto hist?rico, pol?tico e sociol?gico." Movimento Esta n?o ? a primeira iniciativa do tipo: a crise de 2008 causou um surto de reflex?o em todas as facetas do mundo econ?mico, incluindo a educa??o. J? no ano seguinte, o Instituto para o Novo Pensamento Econ?mico (INET) foi fundado com o apoio de figuras como George Soros e Paul Volcker. Entre seus objetivos est? estimular a renova??o da pesquisa e do curr?culo de economia. Em 2011, estudantes de Harvard explicaram em outra carta aberta sua decis?o de deixar o curso introdut?rio do professor Greg Mankiw. No ano seguinte, estudantes da Universidade de Manchester come?aram a Post-Crash Economics Society com o lema "o mundo mudou; a apostila, n?o". Outro grupo, o CORE-ECON, defende um ensino "como se as ?ltimas tr?s d?cadas tivessem acontecido". Debate Thomas Piketty, o economista franc?s que virou a sensa??o do momento com o livro "O Capital no S?culo XXI", diz que a disciplina "precisa superar sua paix?o infantil por matem?tica e por especula??o puramente te?rica e com frequ?ncia altamente ideol?gica, em detrimento de pesquisa hist?rica e colabora??o com outras ci?ncias sociais". Para o americano Paul Krugman, vencedor do Nobel de economia, a teoria keynesiana j? trazia as ferramentas necess?rias para diagnosticar e superar a crise financeira. O ensino precisa rebalancear seu foco, sim, mas o problema maior foi que os pol?ticos escolheram seletivamente as teses que cabiam nos seus interesses - como a de que austeridade levaria a crescimento no contexto de uma economia em depress?o. O manifesto do ISIPE diz que "a mudan?a ser? dif?cil - sempre ?", mas a ideia ? que assim como o ensino, o debate ultrapasse os muros da universidade. Afinal, como escreveu o economista Paul Samuelson, "n?o me importo com quem escreve as leis de um pa?s ou faz seus tratados, desde que eu possa escrever seus livros did?ticos de economia."

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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