Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira, em S?o Paulo, apontou a falta de incentivo e a alta rotatividade como os principais entraves ? capacita??o de professores no Brasil –pa?s em que h? pelo menos dois milh?es de docentes que carecem de a?es de aperfei?oamento profissional.
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O levantamento, in?dito, foi realizado pelo Instituto Ayrton Senna, de S?o Paulo, em parceria com a consultoria norte-americana Boston Consulting Group (BCG), que h? 30 anos atua na Am?rica Latina com escrit?rios no Brasil, Argentina, Chile, Col?mbia e M?xico. Criado em 1994, ap?s a morte do piloto Ayrton Senna, o IAS atua em programas de capacita??o em cerca de 1,2 mil munic?pios brasileiros. o resultado foi entregue ao ministro da Educa??o, Henrique Paim, durante cerim?nia de apresenta??o na sede do instituto, em Pinheiros (zona oeste de S?o Paulo).
A pesquisa foi aplicada entre novembro de 2012 e mar?o de 2013 com 2.732 professores, diretores de escola, supervisores de ensino, coordenadores pedag?gicos e secret?rios de educa??o. A maioria dos profissionais que participaram ? da atividade p?blica –especialmente da educa??o estadual -53%, diante de 40% da rede municipal, 6% da rede privada e 1% da rede federal de educa??o. Com 55% dos entrevistados, a regi?o Sudeste foi a que teve maior parcela de consultados.
Al?m de apontar as car?ncias e desafios na capacita??o de docentes, o estudo ainda indicou alternativas a partir de exemplos de outros pa?ses em que h? a?es que s?o refer?ncia em educa??o, como Finl?ndia, Austr?lia, China, Chile, EUA e Portugal. Iniciativas bem sucedidas com alunos e professores no Brasil tamb?m aparecem entre os modelos de pr?ticas a serem seguidas, como as de Sobral, no Cear?, e os Estados de Goi?s, Minas e Esp?rito Santo. Al?m disso, 26 especialistas em educa??o brasileiros e estrangeiros foram consultados.
Principais problemas ? capacita??o
Entre os principais obst?culos ? capacita??o de professores, a pesquisa destacou a falta de tempo e de incentivos formais para participar de a?es desse tipo, al?m da alta rotatividade dos profissionais nas escolas e do grande n?mero de docentes hoje em contrata?es tempor?rias – pelos dados do Censo Escolar de 2012, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), s?o mais de 507 mil professores tempor?rios e mais de 1,3 milh?o de efetivos no Brasil.
O instituto e a consultoria, a partir das entrevistas e da opini?o dos especialistas, tamb?m detectou que a prefer?ncia por a?es de curto prazo e de alta visibilidade, aliada ? baixa aplicabilidade do conte?do das a?es que j? s?o oferecidas, s?o outros entraves ? capacita??o dos docentes – especialmente quando a falta de alinhamento das a?es de forma??o continuada colide com os planos de carreira e desenvolvimento profissional dos professores.
Pesquisadores apontam recomenda?es
O estudo apresentou tamb?m um conjunto de recomenda?es que contribuam para reverter a baixa capacita??o de docente. Al?m da inspira??o em modelos que deram e d?o certo, dentro e fora do Brasil, ele ainda sugere a mudan?a das diretrizes curriculares para a forma??o docente –uma vez que, hoje, est?o juntas com o bacharelado – e um acompanhamento mais r?gido das licenciaturas no ensino superior –com a ado??o, inclusive, de uma pol?tica espec?fica de avalia??o.
Outra recomenda??o ? a cria??o “de uma forte pol?tica de normatiza??o do est?gio curricular para as licenciaturas”, j? que, em geral, “n?o h? conv?nios com escolas nem projetos”, al?m de campanhas que valorizem a capacita??o.
A iniciativa comparou os resultados da pesquisa brasileira com os da Pesquisa Internacional Sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) de 2008, coordenada em 24 pa?ses pela Organiza??o para Coopera??o e Desenvolvimento Econ?mico (OCDE).
“No estudo, 74% dos docentes brasileiros responderam que n?o h? um programa de forma??o continuada para novos professores, enquanto nos demais pa?ses participantes da Talis, apenas 27% dos docentes reportam inexist?ncia da forma??o em servi?o. O mesmo padr?o ? observado quando se trata de coaching ou mentoria a novos professores: 71% dos docentes brasileiros reportaram inexist?ncia de mentoria ante 23% nos demais pa?ses da Talis”, observaram os pesquisadores.
“Ao professor, assim como qualquer profissional, precisa de constante atualiza??o para obter bons resultados no trabalho. A profiss?o ? din?mica e exige que o docente seja um eterno aprendiz. Portanto, a forma??o continuada deve ser parte integrante de sua vida profissional. O fato ? que os professores brasileiros t?m menos acesso a incentivos para a forma??o continuada do que educadores de outros pa?ses”, constata a pesquisa.