Publicada em 06 de Agosto de 2014 às 18h30
Faz mais de um ano que Edward Snowden, um ex-analista da NSA, detonou um dos maiores esc?ndalos de espionagem da era moderna. Os fatos e den?ncias apresentados por ele continuam bem vivos na mem?ria de todos, principalmente na do governo norte-americano que, agora, acredita ter mais um espi?o dentro de seus rinc?es, algu?m que est? vazando documentos para a imprensa e ?rg?os de prote??o ? privacidade e liberdade de express?o.
Imagem: Divulga??o
As suspeitas foram divulgadas pela rede de not?cias CNN e cita o site The Intercept, lan?ado pelo jornalista Glenn Greenwald. ? ele o principal contato de Snowden na publica??o dos documentos relacionados ? espionagem ostensiva da NSA e, hoje, um dos principais opositores desse tipo de pr?tica nos Estados Unidos.
De acordo com as informa?es publicadas pela Exame, foram dois os fatos que chamaram a aten??o do governo. O primeiro ? uma lista de terroristas ou suspeitos identificados durante a gest?o do presidente Barack Obama. E o segundo, mais evidente, s?o documentos do Centro Nacional Antiterrorismo, datados de agosto de 2013, ou seja, depois de Snowden ter deixado a NSA e partido para asilo, de onde vem divulgando informa?es e falando ? imprensa de forma selecionada desde ent?o.
Greenwald n?o falou especificamente sobre o assunto, mas n?o negou estar em contato com novos informantes. Segundo ele, muita gente com “habilidades” e acesso a documentos confidenciais se indignou com os crimes relatados pelo ex-analista da NSA e, sendo assim, se inspiraram nele para fazer aquilo que consideram certo.
Para o governo dos Estados Unidos, n?o est? clara ainda a extens?o desse novo caso. As autoridades dizem estar investigando e ainda tentando descobrir exatamente quantos e quais documentos teriam sido acessados e vazados, para que possam identificar sua origem. A ?nica coisa que se sabe at? o momento ? que todos os dados obtidos por Greenwald eram secretos e, ainda, marcados para que n?o fossem compartilhados com governos estrangeiros. Ambos quesitos foram completamente destru?dos com a divulga??o de tais informa?es.
Novas informa?es
Os documentos revelados nesta semana por Glenn Greenwald mostram uma lista de 680 mil pessoas capturadas em um banco de dados de suspeitos de terrorismo. Essa rela??o ? compartilhada com ?rg?os de vigil?ncia e ag?ncias de seguran?a, al?m do FBI, da CIA e at? mesmo empresas privadas, contratadas pelo governo norte-americano para fins de prote??o.
O problema, como vem sendo denunciado j? h? algum tempo, ? que muitos dos listados n?o possuem filia??o alguma, pelo menos de forma comprovada, com o terror. De acordo com os dados revelados pelo jornalista, pelo menos 40% dos fichados se encaixam nesse quesito e n?o teriam liga??o com organismos como a al Qaeda, o Hamas e o Hezbollah, que s?o algumas das organiza?es vigiadas pelo governo dos Estados Unidos.
Al?m disso, o governo Obama teria sido respons?vel pelo maior crescimento da hist?ria na identifica??o de "suspeitos" de terrorismo, entre aspas pois nem sempre eles est?o efetivamente ligados a a?es do tipo. Al?m disso, cresceu exponencialmente o n?mero de cidad?os impedidos de viajar de avi?o devido a suspeitas do tipo. Hoje, s?o 47 mil americanos nessa posi??o.
Esse aumento teria liga??o direta com um caso de 2009, quando um terrorista foi preso e acusado de tentar explodir um avi?o utilizando explosivos pl?sticos. Umar Abdulmutallab, tamb?m conhecido como o "Underwear Bomber", acionou alertas vermelhos dentro dos ?rg?os de seguran?a e gerou esse crescimento explosivo na vigil?ncia aos passageiros de avia??o, resultando, como sempre, em uma gigantesca quantidade de pessoas fichadas de forma colateral, ou seja, sem qualquer liga??o direta com ?rg?os terroristas.