Publicada em 15 de Maio de 2014 às 07h26
Ex-cirurgião Farah Jorge Farah ouve a condenação a 16 anos de prisão pelo assassinato da ex-amante
Imagem: Folha PressEx-cirurgi?o Farah Jorge Farah ouve a condena??o a 16 anos de pris?o pelo assassinato da ex-amante?
O ex-m?dico Farah Jorge Farah foi condenado na madrugada desta quinta-feira a 16 anos de pris?o pelo assassinato e esquartejamento da ex-amante Maria do Carmo Alves, em janeiro de 2003. Farah poder? recorrer da decis?o em liberdade.
O r?u j? havia sido julgado e condenado a 13 anos de pris?o em 2008, mas o Tribunal de Justi?a de S?o Paulo anulou o j?ri. Na ocasi?o, os desembargadores entenderam que um laudo oficial, que apontava pela semi-imputabilidade (n?o tinha total compreens?o dos seus atos do momento do crime) do r?u, foi desconsiderado pelo conselho de senten?a durante o primeiro julgamento. saiba mais Com greve da PM, Grande Recife registra sete homic?dios em sete horas Pol?cia prende suspeitos de torturar e matar mulher que furtou biscoitos Suspeito de matar a namorada e atirar corpo em pedreira ? preso Adolescente que matou namorada com golpes de canivete se arrepende Homem mata filha de tr?s anos a facadas depois de esfaquear mulher Leia mais sobre Homic?dio
Novamente, os jurados entenderam que Farah tinha compreens?o completa dos atos quando matou e esquartejou a v?tima.
O j?ri tamb?m aceitou a tese da acusa??o de que o crime foi "friamente" premeditado e que ocorreu por motivo torpe e modo que impossibilitou a defesa da v?tima, qualificadoras que acrescentaram quatro anos de pris?o ? pena.
Ap?s a leitura da senten?a proferida pelo juiz Rodrigo Tellini, Bogado Cunha disse que estuda se vai recorrer da senten?a, pois, segundo ele, "poderia ser melhor". "O Minist?rio P?blico sai satisfeito. Cumpriu seu papel. Cumpriu sua miss?o. Agora n?o ? poss?vel nova anula??o pelo mesmo motivo. Os jurados, pela segunda vez, derrubaram o laudo oficial, e entenderam que ele [Farah] era plenamente imput?vel. Sabia exatamente o que estava fazendo."
O promotor disse que Farah dever? ficar solto at? o tr?nsito em julgado do processo (quando se esgota todas as possibilidades de recurso), o que n?o tem prazo para acontecer. Se a pena for mantida, o ex-cirurgi?o poder? voltar ? pris?o e cumprir cerca de um ano de regime fechado. Isso porque ele j? cumpriu quatro anos e meio de pris?o logo ap?s o assassinato.
O Minist?rio P?blico considera um tempo muito curto de pris?o diante de um crime t?o grave. Os advogados n?o falaram com a imprensa depois do resultado. Mais cedo, integrantes da defesa, afirmaram que se a pena fosse maior do que estabelecida anteriormente, eles iriam recorrer. Isso porque entendem que o r?u n?o poderia ser prejudicado com um novo j?ri, devendo ser condenado com uma pena igual ou menor que a anterior.
ARGUMENTA??ES
A acusa??o sustentou a tese de que o ex-cirurgi?o havia planejado a ida de Maria do Carmo at? a cl?nica, em Santana (zona norte de S?o Paulo), alegando que faria uma lipoaspira??o nela.
Ele ent?o matou a ex-amante, cortou o corpo da v?tima em peda?os e escondeu em sacos pl?stico no porta-malas de seu carro. Parte dos ?rg?os e o pesco?o da v?tima nunca foram encontrados pela pol?cia.
"Ele foi t?o frio que esquartejou a v?tima. Tirou o pesco?o dela e desapareceu com os ?rg?os ", afirmou o promotor em sua argumenta??o.
Durante o debate, a defesa n?o conseguiu convencer os jurados de que Maria do Carmo perseguiu o ex-cirurgi?o por mais de quatro anos, o que fez com que o r?u ficasse "maluco" e cometesse o crime.
Os advogados argumentaram que o estresse que Farah foi submetido n?o era de n?vel normal e corriqueiro, como vivenciado por qualquer cidad?o.
"Claro que ele ficou abalado, ningu?m fez nada. O Estado n?o fez nada", afirmou o advogado Odel Antun ao relembrar que Farah registrou v?rios boletins de ocorr?ncia ap?s a ex-amante importun?-lo e amea??-lo.
LINCHAMENTO
O linchamento da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, 33, no Guaruj?, foi utilizado ontem pela defesa do ex-m?dico Farah Jorge Farah para tentar reduzir sua pena r?u de assassinato.
Na argumenta??o da defesa, n?o consider?-lo como incapaz de compreender totalmente seus atos na hora do crime seria uma injusti?a e atitude de "uma cambada em pra?a p?blica linchando". "? a vida de algu?m que est? em jogo", disse o advogado Antun, um dos defensores.
"Voc? olha o corpo e d? um julgamento. Se n?o, a gente volta para linchamento. Se n?o a gente volta para o caso do Guaruj?, da mulher que foi linchada", acrescentou.
Durante o interrogat?rio do r?u, que durou quatro horas e meia, Farah manteve a vers?o de que matou a ex-amante em momento de estresse muito grande e em leg?tima defesa.
"Eu agi de acordo com a lei. Eu agi em leg?tima defesa da minha vida e para proteger meu pai e minha m?e", afirmou.
O ex-m?dico, teve seu registro cassado em 2006, voltou a dizer que n?o se recorda das sequ?ncias dos fatos. A ?ltima lembran?a foi entrou em lutar corporal com v?tima ap?s sofrer nova amea?a em seu consult?rio.
O crime foi descoberto dias depois do assassinato, ap?s o ent?o m?dico confessar ? fam?lia do crime.