Piaui em Pauta

Fachin abre inquérito para apurar se Cunha comprou votos para se eleger presidente da Câmara.

Publicada em 18 de Novembro de 2019 às 21h39


O relator da Opera??o Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, determinou a abertura de inqu?rito para apurar se o ex-deputado federal Eduardo Cunha comprou votos de outros deputados em 2014 para se eleger, em 2015, presidente da C?mara dos Deputados.

? Siga-nos no Twitter

As informa?es sobre poss?veis irregularidades na elei??o foram reveladas na dela??o premiada do ex-executivo da J&F Ricardo Saud.

A decis?o de Fachin foi assinada na semana passada. Nesta segunda-feira (18) o caso deve ser encaminhado para a Presid?ncia do STF decidir sobre se deve ir para um novo relator.

Inqu?rito envolve 18 pol?ticos:

o pr?prio Eduardo Cunha;
tr?s atuais deputados federais – Carlos Bezerra (MDB-MT), Mauro Lopes (MDB-MG) e Jos? Priante (MDB-PA);
14 pol?ticos que n?o tinham foro no cometimento dos supostos crimes ou que tinham cargos diferentes do que exercem agora – Newton Cardoso J?nior, Soraya Santos, Vital do R?go, Fernando Jord?o, Geraldo Pereira, Manoel J?nior, Mar?al Filho, Henrique Alves, Leonardo Quint?o, Saraiva Felipe, Jo?o Magalh?es, Toninho Andrade, Alexandre Santos e Sandro Mabel.

A reportagem tenta contato com os envolvidos no inqu?rito instaurado por Fachin (leia ao final deste texto o que disseram os que j? responderam).

O ministro levou em considera??o a decis?o do Supremo que restringiu o foro privilegiado a atos ocorridos no cargo e que tenham rela??o com a fun??o – suspeitas durante a elei??o, por exemplo, s?o consideradas fora do mandato.

De acordo com a Procuradoria Geral da Rep?blica (PGR), o grupo recebeu R$ 30 milh?es no ano de 2014 para que Eduardo Cunha fosse eleito "para fazer contraponto ? ent?o presidente Dilma Rousseff".

Conforme a dela??o, o dinheiro teria sido repassado por doa?es oficiais, entregas em dinheiro vivo, e emiss?o de notas fiscais frias, sem a presta??o do servi?o.

Eduardo Cunha est? preso no Rio de Janeiro, no pres?dio de Bangu. Ele foi preso em outubro de 2016 por ordem do ent?o juiz Sergio Moro, atual ministro da Justi?a, e ficou mais de dois anos no Paran?.

Uma apura??o sobre tema parecido est? em andamento no Tribunal Regional Federal da 1? Regi?o, conforme a PGR, e por isso os pol?ticos sem foro devem responder naquele tribunal. Para a PGR, apenas os tr?s parlamentares devem responder no Supremo.


O ministro Fachin, no entanto, mandou abrir inqu?rito contra os 18 pelas suspeitas de corrup??o e lavagem de dinheiro.

"Nessa medida, encontrando-se a pretens?o calcada ao menos em ind?cios – colabora??o e documentos que a corroboram, o contexto h? de ser posto ? prova 'opportuno tempore', ? luz das garantias processuais constitucionais. Impende, portanto, acolher o intento ministerial de investigar, isto ?, perquirir, colher elementos, inquirir, enfim reunir dados que ensejem a forma??o da 'opinio delicti", decidiu Fachin.

O ministro lembrou que o inqu?rito para apura??o de fatos "n?o implica, por evidente, qualquer responsabiliza??o do investigado".

Fachin pediu que o presidente da Corte, Dias Toffoli, mande o caso para ser sorteado para um novo relator por n?o ter rela??o com fraudes na Petrobras. Caber? ao novo relator decidir sobre o chamado desmembramento, ou seja, o envio da parte dos pol?ticos sem foro para o TRF-1.

O que disseram os alvos do inqu?rito
Leia o que disseram os pol?ticos que responder?o ao inqu?rito:

Jos? Priante (deputado federal/MDB-PA) - Fui surpreendido com a informa??o da abertura de um inqu?rito, no Supremo Tribunal Federal, no qual eu constaria como um de seus investigados. O fato averiguado seria a suposta compra de votos pelo ent?o Deputado Eduardo Cunha para viabilizar a sua elei??o para a Presid?ncia da C?mara dos Deputados. Tenho o maior interesse em que tal acusa??o seja passada a limpo e que a verdade seja apurada. Eu jamais vendi meus votos e exijo que o inqu?rito tenha prosseguimento para que os fatos sejam elucidados. ? falsa, portanto, a imputa??o. Coloco-me inteiramente ? disposi??o do Supremo Tribunal Federal e das autoridades do Minist?rio P?blico e da Pol?cia Federal.

Deputado Newton Cardoso J?nior (MDB-MG) - Assessoria afirmou que o deputado n?o tem conhecimento oficial do assunto, exceto pela Imprensa, e que tem "total tranquilidade" para enfrentar qualquer inqu?rito, sem qualquer preocupa??o.

Tags: Fachin abre inquérit - O relator da Operaçã - Eduardo Cunha

Fonte: GLOBO  |  Publicado por: Da Redação
Comente através do Facebook
Matérias Relacionadas