
BRAS?LIA — As dificuldades do governo para articular uma base aliada no Congresso permitiram na quarta-feira mais um dia de m?s not?cias para o Pal?cio do Planalto na C?mara e no Senado. Chamados a falar em comiss?es, seis ministros foram expostos a cr?ticas de l?deres partid?rios. Deputados da oposi??o aproveitaram a vulnerabilidade da base para aprovar, por 10 votos a 0, a convoca??o do ministro da Justi?a, Sergio Moro , a comparecer ? Comiss?o de Participa??o Legislativa para falar sobre o projeto anticrime e o decreto de posse de armas. Por ter sido uma convoca??o, Moro, que ontem esteve no Senado, ? obrigado a comparecer ? comiss?o da C?mara.
Uma possibilidade de evitar um desgaste com a convoca??o de Moro veio do presidente da C?mara, Rodrigo Maia, que trocou ataques com o presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira. Ele avisou que h? chance de a medida ser revista, uma vez que o colegiado que aprovou o chamado n?o seria o mais adequado para cobrar explica?es do chefe da Justi?a.
Mas h? sinais de novos problemas para o governo nas pr?ximas semanas. Parlamentares revelaram ao GLOBO a exist?ncia de articula?es na C?mara para a aprova??o de uma s?rie de mudan?as no texto da Medida Provis?ria (MP) 870, que definiu a estrutura administrativa do governo. Se o plano for levado adiante, a formata??o do governo pode ser redesenhada pelos congressistas, com o corte de minist?rios e at? o remanejamento de reparti?es entre pastas na estrutura do Executivo. Em uma frase ilustrativa da dificuldade de organiza??o da base aliada, o l?der do partido de Bolsonaro no Senado criticou ontem a fragilidade do governo no Congresso.
— Estamos juntos na guerra, mas sem log?stica, sem muni??o — disse Major Ol?mpio (PSL-SP).
Respons?vel pela articula??o pol?tica, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, esteve nesta quarta com senadores de seis partidos para mostrar que a crise est? sendo contornada.
541 emendas
A MP 870 recebeu no total 541 emendas de parlamentares. Muitas defendem reduzir ainda mais o n?mero de minist?rios e mudar a atribui??o de v?rios integrantes do primeiro escal?o, em especial do ministro da Justi?a Sergio Moro. Primeira medida de Bolsonaro na Presid?ncia, a MP estabeleceu o novo formato do governo, com 22 minist?rios. Na pr?xima semana, uma comiss?o para analisar o texto da mat?ria deve ser instalada.
H? parlamentares que pregam o fim das pastas do Turismo e dos Direitos Humanos. Tamb?m come?am a analisar a poss?vel transfer?ncia do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) da Justi?a para a Economia e a recria??o do Minist?rio de Seguran?a P?blica. A Funai tamb?m poderia retornar ao minist?rio de Moro.
— Em meio ? crescente onda de viol?ncia que assombra o pa?s, n?o vejo motivos para extinguir o Minist?rio da Seguran?a P?blica como fez o governo. Vou defender, ao longo da tramita??o da MP 870, que este organograma administrativo seja restabelecido — diz o l?der do DEM, Elmar Nascimento (BA).
Indicado pelo MDB para a comiss?o, o deputado Hildo Rocha (MA) ? um dos autores de emendas para que a estrutura da Funai volte ? pasta da Justi?a.
— N?o tem cabimento a Funai ficar na pasta de Direitos Humanos. Pelas conversas que tive, acho que ser? aprovada a emenda — disse o parlamentar.
O emedebista destaca que a bancada da bala j? se manifestou a favor da recria??o da pasta da Seguran?a.
— Era um minist?rio que vinha dando certo, tendo resultados positivos.
Na comiss?o, dos 25 integrantes titulares, s? h? dois parlamentares do PSL, a deputada Bia Kicis (DF) e senadora Selma Arruda (MT).
Al?m de Sergio Moro, que falou do pacote anticrime no Senado, e de Guedes, que tratou de reforma da Previd?ncia ao comparecer ? Comiss?o de Assuntos Econ?micos da Casa durante toda a tarde, o ministro da Educa??o, Ricardo V?lez, foi bastante questionado na C?mara sobre uma s?rie de pol?micas e exonera?es que marcam sua gest?o na pasta.
Outro auxiliar do primeiro escal?o de Bolsonaro fustigado na C?mara foi o chanceler Ernesto Ara?jo. Em uma sess?o que durou cerca de sete horas, os opositores chamaram de subserviente e humilhante a rela??o do Brasil com os Estados Unidos. O ministro da Sa?de, Luiz Henrique Mandetta, foi cobrado no Senado sobre a situa??o dos cubanos que ficaram no pa?s, ap?s o fim do contrato do governo com Cuba no programa Mais M?dicos. O titular do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendeu pautas controversas como a flexibiliza??o dos agrot?xicos.