Piaui em Pauta

Gil Rugai é condenado pelo assassinato do pai e da madrasta.

Publicada em 22 de Fevereiro de 2013 às 21h56


O estudante Gil Rugai foi condenado a 33 anos e 9 meses em regime fechado pelo assassinato de seu pai, Luis Rugai, e de sua madrasta, Alessandra Troitino, ocorrido em mar?o de 2004.

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Na senten?a, o juiz Adilson Paukoski Simoni chamou o condenado de dissimulado e "extremamente perigoso". Entretanto, determinou que ele poder? recorrer em liberdade. Segundo o juiz, Rugai pode pedir progress?o para o regime semiaberto com o cumprimento de 5 anos, 7 meses e 15 dias de pena. Rugai j? cumpriu cerca de dois anos de pena.

A senten?a ? o resultado de cinco dias de julgamento, encerrado nesta sexta-feira (22) no F?rum da Barra Funda, em S?o Paulo. Neste per?odo, foram ouvidas 15 testemunhas (sendo cinco de acusa??o, sete de defesa e tr?s do ju?zo), al?m do r?u, que foi interrogado pelo juiz, por seus advogados e pelo promotor.

Gil Rugai negou o crime. "N?o fui eu [quem matou]. Agora quem foi eu n?o sei", disse o jovem de 29 anos.

Logo no come?o do julgamento, a defesa j? tinha anunciado que iria recorrer caso o julgamento terminasse em condena??o.

As principais provas apresentadas contra o r?u foram a pegada de Gil Rugai em uma porta arrombada no local do crime e a localiza??o da arma que matou o casal. Ela pertencia ao jovem.

Na senten?a, o juiz Simoni ressaltou as estrat?gias adotadas por Gil Rugai ao longo do processo. “Nesse passo, for?oso ? concluir, que, como o r?u, a todo momento nos autos, negou qualquer envolvimento nos homic?dios das v?timas, mantendo socialmente uma apar?ncia de bom mo?o, at? freq?entando igreja, demonstra personalidade intensamente dissimulada, cuja personalidade nesse contexto f?tico-jur?dico, aponta cuidar-se de pessoa extremamente perigosa”, escreveu o juiz.

Apesar da avalia??o, o juiz justificou o respeito ? hierarquia para determinar que Gil Rugai recorra em liberdade. "Em respeito ? hierarquia inerente ao conjunto de normas de nosso pa?s - e ningu?m est? acima da lei - por n?o haver presentemente encarceramento por estes autos, tratando-se ainda de r?u prim?rio, sem antecedentes judiciais, faculto-lhe recorrer dessa decis?o em liberdade", afirmou o juiz.

Tese da acusa??o
Os jurados acreditaram na tese do promotor do caso de que Gil matou o casal porque teve medo de que seu pai levasse adiante a amea?a de denunci?-lo ? pol?cia por causa de um desvio de dinheiro ocorrido na produtora da v?tima, a Refer?ncia Filmes.

O promotor tamb?m apontou o que chamou de outras contradi?es no interrogat?rio de Gil. Uma delas ? sobre o local onde ocorreu uma discuss?o entre pai e filho dias antes do assassinato. Gil disse que n?o esteve na produtora do pai. J? em interrogat?rio prestado anteriormente, afirmou que ap?s jantar com Luis em um restaurante, concluiu a conversa na sede da Refer?ncia Filmes.

No mesmo processo pelo homic?dio, Gil responde ainda ? acusa??o de ter dado um desfalque de mais de R$ 25 mil, em valores da ?poca, ? empresa do pai, raz?o pela qual havia sido expulso do im?vel cinco dias antes do crime. Ele cuidava da contabilidade da ‘Refer?ncia Filmes’.

Tese da defesa
O advogado Thiago Anast?cio disse que a acusa??o tentou criar a imagem de Gil como um psicopata. “Constru?ram um psicopata. O caso Richthofen n?o ? o caso do Gil”. A afirma??o foi feita durante a argumenta??o da defesa na fase de debates do julgamento.

Durante o debate, os advogados de Gil Rugai apresentaram a linha do tempo que colocaria o r?u fora da cena do crime e desqualificaram os depoimentos das testemunhas. “Um analfabeto fala que viu Gil Rugai sair de capa caramelo”, disse Anast?cio tentando descredenciar o depoimento do vigia que afirmou ter visto Gil na casa onde ocorreram os crimes.

Durante uma hora e meia, os defensores tentaram plantar d?vidas no j?ri. “Temos telefonemas que confirmam que Gil n?o estava na cena do crime. ?s 21h54, um vizinho ligou para o motorista no dia do crime para relatar ter ouvido disparos. ?s 22h12, Gil no telefone fixo da produtora dele, ligando para ele. Estava a 4 km de dist?ncia. Pergunto: Gil estava na cena do crime?”, afirmou o outro advogado de Gil Rugai, Marcelo Feller.

“E ?s 22h13, o vizinho liga novamente para o vigia perguntando sobre o barulho. E ?s 22h14, uma mulher chama a PM. Por que os vizinhos s? chamaram a PM 44 minutos depois?”, contou tentando provar que seu cliente n?o estava presente na casa onde Luis Carlos Rugai e Alessandra Troitino.

Acusa??o
Durante sua fala, o promotor Rog?rio Le?o Zagallo afirmou que o r?u “tem dupla personalidade”. “Tangencia entre a normalidade e psicopatia”, disse o representante do Minist?rio P?blico (MP). A Promotoria afirmou ainda que Gil Rugai mentiu no j?ri ao dizer que n?o sabia que o pai havia trocado as chaves da produtora Refer?ncia Filmes. “A Pol?cia Civil, Gil havia dito no passado que soube dessa troca. Outras testemunhas, funcion?rios da empresa confirmaram isso”, disse Zagallo.

A tese do promotor ? que a troca ocorreu porque o pai de Gil descobriu que o filho fraudou a empresa e n?o queria ele mais trabalhando nela e morando na mesma casa. Para o MP, Gil matou o casal porque teve medo de seu pai levar adiante a amea?a de denunci?-lo ? pol?cia pelo desvio de dinheiro.

O promotor tamb?m questionou os ?libis de Gil. O r?u afirma que n?o estaria na cena do crime. “Se assim fosse, a amiga que o viu no Shopping Frei Caneca e a outra pessoa que falou que consertaria o telefone celular dele teriam sido arroladas como testemunhas, mas n?o foram”.

Outro depoimento apresentado foi o de um funcion?rio da Refer?ncia Filmes, que disse que Gil lhe teria afirmado que gostaria de o pai morto. “Uma funcion?ria ouviu Gil dizer: ‘eu seria mais feliz se meu pai morresse’”, relatou Zagallo. “Ele tamb?m se referiu ao pai como ‘fedido’”.

O objetivo do promotor foi o de tentar tra?ar o perfil psicol?gico de Gil. Ap?s isso, come?ou a comentar as provas do crime, como a arma.
Tags: Gil Rugai é condenad - O estudante Gil Ruga

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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