Piaui em Pauta

Gilmar Mendes vota contra proibir empresa de doar para campanha.

Publicada em 16 de Setembro de 2015 às 20h53


?O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, votou nesta quarta-feira (16) contra a proibi??o de empresas doarem para campanhas eleitorais, durante julgamento de a??o que visa acabar com o financiamento pol?tico por pessoas jur?dicas.
Ap?s o voto de Gilmar Mendes, que durou mais de quatro horas, a sess?o foi encerrada, e o julgamento do caso ser? retomado nesta quinta-feira (17). Com o voto de Mendes, s?o dois os ministros do STF contr?rios ? proibi??o. Seis votaram a favor somente de doa?es por pessoas f?sicas e contra a doa??o por empresas. A decis?o final do tribunal ser? proclamada somente ap?s os votos dos ministros Celso de Mello, Rosa Weber e C?rmen L?cia. Embora j? exista maioria contra a doa??o por empresas, at? o t?rmino do julgamento, qualquer ministro pode mudar de posi??o, ainda que j? tenha votado.
O voto de Gilmar Mendes foi proferido um ano e cinco meses ap?s o pr?prio ministro ter interrompido sua an?lise com um pedido de vista (mais tempo para estudar o processo). Em diversas manifesta?es, ele afirmou que o assunto deveria ser analisado primeiramente pelo Legislativo.

? Siga-nos no Twitter

Em seu voto, Mendes afirmou que a medida "asfixiaria os partidos que n?o se beneficiaram do esquema criminoso revelado pela Opera??o Lava Jato, tornando virtualmente imposs?vel a altern?ncia de poder".
Durante sua manifesta??o, o ministro argumentou que s?o as doa?es privadas que t?m viabilizado uma efetiva competi??o eleitoral no pa?s, j? que, para ele, o PT n?o precisaria mais das contribui?es, por, segundo disse, ? financiado a partir de desvio de dinheiro p?blico. Reiteradas vezes, o PT afirmou que todas as doa?es que recebe s?o legais e declaradas ? Justi?a Eleitoral.
"A Opera??o Lava Jato revelou ao pa?s que o partido do poder j? independe de doa?es eleitorais, uma vez que arrecadou somas suficientes ao financiamento de campanhas at? 2038", disse.
Sem o apoio de empresas, afirmou o ministro, "os partidos de oposi??o n?o teriam a menor chance de competir em n?veis razo?veis com o partido que ocupa o governo".
Citando dados da pr?pria Petrobras, o ministro chegou a estimar o quanto o PT poderia ter se beneficiado do esquema para abastecer suas campanhas, conforme apontado nas investiga?es.
"Se tomarmos apenas o reconhecido por desviado no balan?o da Petrobras de 2014, R$ 6,2 bilh?es, ter?amos um desvio ao Partido dos Trabalhadores da ordem dos R$ 2,06 bilh?es", disse, levando em conta que o partido ficaria com um ter?o das propinas pagas, segundo revelaram delatores da Lava Jato.

"Estamos falando do partido que conseguiu se financiar a ponto de chegar ao poder; uma vez no governo, passou a manter esquema permanente de fluxo de verbas p?blicas para o partido, por meio de propinas e pixulecos de variados matizes; e, ap?s chegar ao poder e a
partir dele abastecer, de modo nunca antes visto na hist?ria do pa?s, o caixa do partido, busca-se fechar as portas da competi??o eleitoral, sufocando os meios de financiamento dos concorrentes", afirmou Gilmar Mendes.

Limite uniforme a pessoas f?sicas
Em seu voto, Gilmar Mendes tamb?m disse que outra medida pedida na a??o, de impor um limite uniforme para cada pessoa doar a campanhas levaria ? criminaliza??o do processo eleitoral no pa?s, "al?m ser um convite ? pr?tica reiterada de crimes de lavagem de dinheiro".

Neste ponto, ele argumentou que a proibi??o de doa?es por empresas n?o eliminaria o chamado "caixa 2", nome que se d? ?s contribui?es n?o declaradas. Para Gilmar Mendes, as empresas poderiam doar distribuindo o dinheiro entre v?rias pessoas f?sicas, escondendo a origem dos recursos.
"N?o ? dif?cil obter os CPFs necess?rios para lavar os recursos de propina, que retornariam ?s campanhas como valores l?citos", disse. O ministro afirmou que a pr?tica tamb?m dificultaria a fiscaliza??o pela Justi?a Eleitoral.
Ao final, Mendes tamb?m afirmou que o que o objetivo da a??o, proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seria "manipular esta Suprema Corte para se aplicar um golpe no processo democr?tico-eleitoral".

OAB contesta cr?ticas
Ao final da sess?o, o secret?rio-geral da OAB, Cl?udio de Souza Pereira Neto, subiu ? tribuna para contestar partes do voto do ministro que acusavam a entidade de agir no caso em nome do PT, que defende o fim das doa?es por empresas.

“A a??o foi proposta h? cinco anos, o subscritor era o presidente Ophir Cavalcanti, que todos que acompanharam o debate p?blico daquela ?poca sabem que era um cr?tico ferrenho do governo Lula, um cr?tico ferrenho do governo Dilma e um cr?tico ferrenho do PT”, afirmou.
Gilmar Mendes chegou a interromper a manifesta??o do secret?rio, dizendo que ele n?o estava trazendo fatos novos ao julgamento.
O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, manteve a palavra com o representante da OAB. “Vamos garantir a palavra ao advogado. Vossa excel?ncia falou por cinco horas”, disse Lewandowski.
“? porque eu sou ministro da Corte e o advogado ? advogado”, rebateu Mendes. “O advogado representa a OAB e merece ter direito ? palavra. Quem preside a sess?o sou eu ministro”, treplicou Lewandowski a Gilmar Mendes, que, em seguida, deixou a sess?o.
Efeitos da decis?o
O voto de Gilmar Mendes foi proferido um ano e cinco meses ap?s o pr?prio ministro ter interrompido sua an?lise pelo STF com um pedido de vista. Em diversas manifesta?es, ele afirmou que o assunto deveria ser analisado primeiramente pelo Legislativo.
Na semana passada, a C?mara dos Deputados aprovou a permiss?o para que empresas doem a partidos pol?ticos, por?m n?o mais a candidatos, como atualmente. Para valer e virar lei, no entanto, a nova regra depende de san??o da presidente Dilma Rousseff.
O julgamento do STF se d? sobre a lei atual, n?o sobre a nova que ir? nascer com a san??o de Dilma. Em tese, o STF n?o pode declarar inconstitucional uma lei que ainda n?o existe.

Mas caso se confirme o entendimento que a nova lei tem regras que contrariam a Constitui??o, outra a??o poder? ser apresentada para derrub?-la, depois que ela for sancionada.
O entendimento do tribunal, de qualquer modo, poder? influenciar a presidente, que tem o poder de vetar o trecho que permite as doa?es empresariais com base na decis?o dos ministros.

Questionado nesta ter?a sobre a situa??o, Mendes disse que a decis?o do STF prevalecer?. "Se o Supremo manifestar que ? inconstitucional, ser? inconstitucional a doa??o de empresa e ponto final", afirmou.
Votos
Dos 11 ministros do Supremo, j? se manifestaram contra as doa?es por empresas Luiz Fux, Joaquim Barbosa, Dias Tofffoli e Lu?s Roberto Barroso, que votaram em dezembro de 2013, e Marco Aur?lio Mello e Ricardo Lewandowski, que proferiram voto em abril do ano passado. At? o fim do julgamento, os ministros ainda poder?o mudar o voto.
Al?m de Gilmar Mendes, votou contra a proibi??o do financiamento empresarial o ministro Teori Zavascki.
Atualmente, o financiamento de campanha no Brasil ? p?blico e privado. Pol?ticos e partidos recebem dinheiro do Fundo Partid?rio (formado por recursos do Or?amento, multas, penalidades e doa?es) e de pessoas f?sicas (at? o limite de 10% do rendimento) ou de empresas (limitadas a 2% do faturamento bruto do ano anterior ao da elei??o).
Tags: Gilmar Mendes vota - O ministro Gilmar Me

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
Comente através do Facebook
Matérias Relacionadas