Piaui em Pauta

Governo da Islândia disse não ao euro e agora busca uma moeda

Publicada em 27 de Maio de 2014 às 12h50


Estudante Solveig Gisladettir viu seus pais perderem a casa onde viviam quando a crise estourou Estudante Solveig Gisladettir viu seus pais perderem a casa onde viviam quando a crise estourou Imagem: Estad?oClique para ampliarEstudante Solveig Gisladettir viu seus pais perderem a casa onde viviam quando a crise estourou Cinco anos depois de ir ? fal?ncia, a Isl?ndia ? uma ilha em busca de uma moeda. Para economistas e pol?ticos consultados pelo Estado, a taxa de crescimento e o baixo desemprego apenas est?o sendo garantidos gra?as ao controle de capital estabelecido dias depois do colapso do pa?s, em outubro de 2008. A medida permitiu "sequestrar" cerca de US$ 7,2 bilh?es de investidores estrangeiros que poderiam deixar o pa?s da noite para o dia. O volume de dinheiro bloqueado na ilha ? mais de 50% do PIB nacional. Mas todos sabem que o controle de capitais n?o pode durar para sempre e o temor ? de que, no dia seguinte ao fim do controle, a Isl?ndia sofra uma fuga desse capital e volte a quebrar. Para especialistas, o maior problema que o pa?s enfrenta hoje ? ter uma moeda sem credibilidade ou reservas em euro. "Temos a menor moeda do mundo", constatou o economista Thorolfur Matthiasson, que serviu como consultor ao governo island?s nos meses depois da crise. "N?o h? como manter o pa?s dessa forma. Com o fim eventual do controle de capitais, se dois hedge funds de Nova York decidirem atacar a nossa moeda, em 24 horas estamos terminados", alertou. Os c?lculos que ele entregou ao governo indicam que a Isl?ndia precisaria ter reservas equivalentes a tr?s vezes o PIB para poder se defender de um ataque dos mercados, o que seria um volume irrealista de dinheiro. Para ele, portanto, a ?nica op??o ? a de aderir ao euro. "Precisamos estar em um bloco maior para poder nos defender." Na principal rua do com?rcio da capital islandesa, o euro ? amplamente aceito, para facilitar as vendas aos turistas. "Estamos come?ando a crescer e, claro, uma rela??o estreita com a Europa ? fundamental", disse o dono de um caf?, Torfi Torfason. As grandes empresas que ainda ficaram no pa?s pagam seus funcion?rios em euro, justamente para atrair estrangeiros e uma m?o de obra qualificada. Uma delas ? a CCP, do setor de jogos eletr?nicos e uma esp?cie de Google da Isl?ndia. Um dos seus 500 funcion?rios ? o brasileiro Pedro Ziviani, que conta que a decis?o de pagar os funcion?rios na moeda da UE ? para convencer as melhores cabe?as a trabalharem na Isl?ndia, sem o temor de ter seu dinheiro bloqueado na ilha. Poucos meses depois de quebrar, o governo socialista que venceu as elei?es na Isl?ndia deu in?cio ao processo de ades?o ? UE. Em apenas 18 meses, o processo estava praticamente conclu?do. Mas a queda desse governo em 2013 e a volta dos conservadores mudou tudo. O novo governo enterrou o projeto e atendeu aos setores da sociedade que eram contra a ades?o. Para conseguir isso, o governo argumentou que a Isl?ndia precisava manter a independ?ncia, sentimento que ? um dos pilares do pa?s isolado perto do c?rculo polar ?rtico. Pesca. Mas o engavetamento do projeto tem motiva?es eleitorais e econ?micas. O governo atendeu, acima de tudo, o pedido feito pelo setor da pesca que, desde o in?cio, foi contra a ades?o da Isl?ndia na UE. "Somos contra aderir ao euro", declarou ao Estado o economista-chefe da poderosa Federa??o Islandesa de Propriet?rios de Barcos de Pesca, Sveinn Hj?rtur Hjartarsson. "Se entrarmos na UE, teremos de concorrer com a Espanha e Portugal, que recebem milh?es de euros em subs?dios para pescar e colocam seus produtos no mercado com pre?os desleais", acusou. Outro problema ? que, com o euro, as exporta?es do setor perderiam parte da competitividade por causa da moeda nacional desvalorizada. "Aumentamos nossa exporta??o em mais de 100% entre 2008 e 2013", disse Hjartarsson. O peso do setor acabou contando. Oficialmente, 9 mil pessoas trabalham diretamente nos barcos e empresas, cerca de 5% da m?o de obra. Mas, indiretamente, o setor corresponde a 25% de toda a for?a de trabalhos do pa?s e cerca de 20% do PIB, al?m de 48% das exporta?es. Com a perspectiva de fazer parte da UE enterrada, a Isl?ndia passou a estudar a ades?o a outras moedas. Uma op??o foi pedir ao governo brit?nico autoriza??o para usar a libra. Mas Londres, depois de ver seus cidad?os terem suas contas bloqueadas no pa?s, se recusou a cooperar. O governo island?s ainda avaliou o d?lar americano, a coroa norueguesa e at? mesmo o d?lar canadense. Mas nenhum desses governos respondeu de forma positiva.

? Siga-nos no Twitter

Tags:

Fonte: Vooz  |  Publicado por:
Comente através do Facebook
Matérias Relacionadas