O governo quer que as empresas que vencerem o leil?o da frequ?ncia de 700 MHz para o servi?o de telefonia celular de quarta gera??o (4G) ocupem a faixa utilizada atualmente por emissoras de TV anal?gica em at? um ano nas grandes regi?es metropolitanas, disse ? Reuters o ministro das Comunica?es, Paulo Bernardo.
Os custos dessa libera??o do sinal para o 4G tamb?m ser?o arcados pelos vencedores da licita??o de acordo com a minuta do edital e o ministro prev? que esse desembolso ser? elevado. "Nas grandes regi?es metropolitanas n?s queremos fazer em um ano. O cronograma total para o Brasil ? de quatro anos para a digitaliza??o, para desligar o anal?gico e ficar s? com o digital", disse Bernardo.
Questionado sobre proje?es do mercado de que os custos totais da libera??o da faixa poderiam chegar a cerca de R$ 5 bilh?es Bernardo disse que a previs?o "n?o ? absurda". "Eu diria que n?o ? absurdo, n?o. O valor vai ser alto mesmo. N?o sei se vai ser R$ 5 bilh?es. Pode ser que seja menos, mas n?o ? absurdo", disse. A minuta do edital do leil?o est? em audi?ncia p?blica at? o in?cio de junho. A previs?o do ministro ? que a vers?o final do documento seja publicada no in?cio de julho para que o leil?o ocorra em agosto.
O ministro evitou revelar qual ser? o lance m?nimo dos lotes de outorgas do leil?o, mas afirmou que ele ser? "um pouco maior" do que o aplicado em 2012 no primeiro leil?o da quarta gera??o, que se baseou na frequ?ncia de 2,5 GHz.
Naquele leil?o, os pre?os m?nimos variaram entre R$ 301 milh?es a R$ 1 bilh?o, dependendo do lote. O governo conseguiu arrecadar ? ?poca R$ 2,9 bilh?es. "Eu acredito que esse (leil?o) deva valer mais. Ele tem uma vantagem porque essa frequ?ncia faz o mesmo que a outra, mas ela exige menos infraestrutura, pois tem alcance maior", argumentou. Al?m da vantagem de menor n?mero de torres para instala??o, o governo acredita que pode atrair mais investidores e receber mais pelas outorgas, porque n?o foram feitas exig?ncias de cobertura nas regi?es mais remotas do Pa?s.
"Isso foi uma op??o nossa. N?s poder?amos colocar mais exig?ncias e obriga?es e isso significaria diminuir a atratividade das empresas e tamb?m o valor a ser pago", disse. "Com certeza, as empresas gostariam de ter uma frequ?ncia liberada com menos exig?ncias. Ent?o, essa foi a op??o final", prosseguiu.
No in?cio de mar?o, uma fonte do governo disse ? Reuters que o Tesouro Nacional havia pedido ? Ag?ncia Nacional de Telecomunica?es (Anatel) solu?es para aumentar a arrecada??o do leil?o para ajudar no resultado fiscal do governo.
Novos investidores
Na semana passada, o secret?rio de telecomunica?es do Minist?rio das Comunica?es, Maximiliano Martinh?o, disse ? Reuters que duas operadoras estrangeiras t?m interesse no leil?o de 4G no Brasil. O ministro n?o quis comentar quais seriam essas empresas, mas disse que o formato do leil?o ? atraente para novos investidores.
"A tend?ncia ? que se tiver grupos interessados em entrar aqui, com certeza com essa configura??o fica mais f?cil, at? porque se tem uma s?rie de exig?ncias de atuar imediatamente no interior e fazer infraestrutura no interior fica mais restrito (o interesse)", afirmou. O governo prepara apresenta?es em Londres e Nova York ainda em junho para atrair investidores financeiros e novos operadores de telefonia para o leil?o, com a participa??o do pr?prio ministro e do presidente da Anatel, Jo?o Rezende.
Incentivo para TV digital
Ao comentar o desejo do governo de desligar o sinal anal?gico das TVs no primeiro ano ap?s o leil?o nas regi?es metropolitanas, o ministro afirmou que est?o em an?lise incentivos para que os cidad?os migrem rapidamente para a TV digital.
Hoje, h? um cronograma nacional previsto em decreto presidencial para que em todo territ?rio nacional o sinal anal?gico seja desligado at? 2018. Mas para incentivar a migra??o nas regi?es metropolitanas e viabilizar o funcionamento da rede m?vel de quarta gera??o, h? previs?o de incentivos.
"Pode ter financiamento, pode ter plano de incentivo, com certeza", disse. "N?s estamos estudando as alternativas para ver o que seria melhor para acelerar isso", acrescentou. "Isso est? sendo dimensionado. N?s achamos que a a??o do governo, se for fazer, vai ser com as fam?lias de menor renda. N?o ? geral", explicou.
Fust
Cr?tica constante das empresas, o recolhimento do Fundo de Universaliza??o dos Servi?os de Telecomunica?es (Fust) n?o entrar? na negocia??o com as operadoras para garantir uma maior receita no leil?o de 4G.
O ministro defendeu, por?m, que o Fust, hoje destinado ? universaliza??o da telefonia fixa e que acumula cerca de R$ 16,5 bilh?es em recursos, seja mudado para poder financiar a universaliza??o do acesso ? Internet. "Ele (Fust) foi feito para universalizar telefone fixo e ningu?m quer mais nem telefone nem computador amarrado na parede. O Fust uma hora vai ter de ser mudado. E eu acho que ele tem que ser para universalizar a Internet", disse, salientando que isso demandaria mudan?a na legisla??o.