Publicada em 25 de Julho de 2014 às 18h10
Candidato do PSB à Presidêrncia, Eduardo Campos, durante cerimônia e, Brasília em que foi anunciada sua candidatura e a de Marina Silva para vice-presidente.
Apontada como a grande surpresa eleitoral, capaz de quebrar a polariza??o entre PT e PSDB neste ano, a chapa presidencial do PSB com Eduardo Campos e Marina Silva ainda n?o mostrou a musculatura pol?tica esperada e, nas pesquisas recentes, Campos n?o chega aos 10 por cento das inten?es de voto.
Na campanha socialista, por?m, n?o h? decep??o com os resultados da uni?o entre Campos e Marina. A aposta ? que a partir de agosto, com a apari??o mais frequente nos telejornais e com o hor?rio eleitoral gratuito, ser? poss?vel dar a arrancada esperada.
Imagem: ReutersClique para ampliarCandidato do PSB ? Presid?rncia, Eduardo Campos, durante cerim?nia e, Bras?lia em que foi anunciada sua candidatura e a de Marina Silva para vice-presidente.? Enquanto isso, o PSB tamb?m estuda pedir ? Justi?a Eleitoral que obrigue os institutos de pesquisa a citar os nomes dos candidatos a presidente e a vice das chapas nos levantamentos.
Pesquisas internas dos socialistas apontam que, quando as pessoas tomam conhecimento de que Campos e Marina est?o juntos, a inten??o de votos da chapa sobe para 18 por cento, em algumas regi?es at? 20 por cento.
Antes de se associar a Marina, Campos tinha entre 3 e 4 por cento das inten?es de voto. Com a alian?a, esse apoio chegou a 13 por cento em alguns levantamentos neste ano, mas nas pesquisas da semana passada a inten??o de voto ficou entre 8 e 9 por cento.
Na avalia??o de cientistas pol?ticos, no entanto, esse n?o ? o ?nico obst?culo para um avan?o maior da chapa socialista.
"No fim, eles somaram defici?ncias e n?o vantagens. Na ?poca (do an?ncio da uni?o) eu j? achava que a Marina n?o iria transferir inten?es de votos para o Eduardo Campos", avaliou o cientista pol?tico Benedito Tadeu Cesar, do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais (Inpro). Ele argumenta que apenas em disputas locais essa transfer?ncia ? mais prov?vel.
Campos, que foi ministro do governo Lula e era aliado de Dilma, ganhou o apoio inesperado de Marina para a disputa presidencial em outubro do ano passado, quando a ex-senadora n?o conseguiu o registro do seu partido Rede Sustentabilidade no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e decidiu se filiar ao PSB. Desde ent?o, os dois t?m feito in?meros eventos juntos e indicado que estariam lado a lado na disputa.
O professor David Fleischer, da Universidade de Bras?lia, tamb?m n?o acredita que essa arrancada ainda possa ocorrer.
"A esperan?a era que a Marina ia levar os 20 milh?es de votos que ela recebeu em 2010 para o Campos. Mas, aparentemente isso n?o vai acontecer", disse Fleischer ? Reuters.
Fleischer avalia que o ex-governador de Pernambuco espera por uma heran?a que n?o existe.
"O que o Eduardo Campos esperava era a heran?a dos 20 milh?es de votos. Mas esses 20 milh?es eram de quem n?o queria votar no (Jos?) Serra e na Dilma", argumentou.
Em 2010 quando concorreu ? Presid?ncia pelo PV, a ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula teve cerca de 20 milh?es de votos no primeiro turno. Apesar disso, as pesquisas n?o detectaram essas inten?es de votos para Marina at? a ?ltima semana antes da elei??o.
O fato de terem propostas conflitantes em algumas ?reas tamb?m foi apontado por Benedito Tadeu Cesar como um complicador nessa dobradinha. "Campos tentou se aproximar do agroneg?cio e do segmento empresarial, que n?o tem rela??o com meio ambiente e o discurso tradicional da Marina, que tamb?m vetou acordos eleitorais", argumentou.
POUCO CONHECIDO
Os socialistas acreditam que a abertura de comit?s populares como as "casas de Eduardo e Marina", em que os eleitores cedem sua casa espontaneamente para distribuir material de campanha dos candidatos, e alguns comit?s em parcerias com candidatos a governador funcionar?o como motor para a arrancada da campanha socialista.
"H? uma falsa sensa??o de imobilismo", disse ? Reuters uma fonte da campanha sob condi??o de anonimato.
O ex-deputado federal Walter Feldman, que comp?em a c?pula da campanha socialista e ? mais ligado a Marina, disse em nome da Rede Sustentabilidade que ser?o milhares de comit?s populares espalhados pelo pa?s.
"? o eleitor se manifestando do seu jeito, no seu modelo, nas suas caracter?sticas, e n?o no modelo oficial das campanhas convencionais", disse.
Um dia ap?s fazer uma caminhada com Marina por Belo Horizonte, Feldman disse ? Reuters que as pessoas ainda n?o sabem quem est? concorrendo ? Presid?ncia.
"As pessoas n?o sabem de nada (ainda). Desconhecem o Eduardo. Uma grande parcela da popula??o. Hoje, eu acho que mais de 50 por cento desconhece o Eduardo", argumentou.
"N?s achamos que quando conhecerem o Eduardo, e souberem que a Marina ? candidata a vice dele, isso deve impulsionar a candidatura bastante. N?s achamos que pode ir a 18, 20 por cento, isso pode chegar at? a 30 por cento", afirmou Feldman, otimista.
Um dos estrategistas da campanha do PSB revelou que um levantamento interno da semana passada mostrou que 75 por cento dos eleitores n?o sabem que Marina ? vice de Campos.
Mas haver? dificuldades para superar esse desconhecimento rapidamente, j? que os socialistas ter?o apenas 1 minuto e 49 segundos na propaganda eleitoral gratuita. E a tend?ncia ? que sejam realizados poucos debates entre os candidatos no primeiro turno da elei??o.
O coordenador-geral da campanha, Carlos Siqueira, disse que ? cedo para escrever a senten?a da candidatura socialista.
"A campanha est? iniciando agora. N?s n?o podemos ter, digamos assim, conclus?es precipitadas, dizer que n?o rendeu, que n?o cresceu", argumentou.
Para os cientistas pol?ticos, por?m, s? uma reviravolta pode mudar o atual quadro. "Tirando algo imprevis?vel, que atinja a Dilma ou o A?cio, dificilmente haver? mudan?a", avaliou Cesar.
"Somente em 1994, quando o Lula estava muito ? frente do Fernando Henrique e teve o Plano Real ? que houve uma grande virada. Depois disso, o fen?meno nunca se repetiu", lembrou Fleischer.
"Mas a esperan?a ? a ?ltima que morre", concluiu o professor.