Piaui em Pauta

Iana Matei: Quem vende pessoas deveria pegar prisão perpétua.

Publicada em 25 de Fevereiro de 2013 às 22h41


?A psic?loga e ativista romena Iana Matei chega ao Brasil. O lan?amento do seu livro ? venda, que trata de hist?rias de tr?fico humano, oferece ao p?blico brasileiro relatos de jovens mulheres v?timas desse tipo de crime, cujas dimens?es no pa?s apenas agora as autoridades come?am a identificar. Matei denuncia o tr?fico e suas diversas camadas de corrup??o e o envolvimento por baixo dos panos de autoridades. A autora conhece o caso de perto. Iana fundou a organiza??o n?o governamental Reaching Out Romenia, que encontra e reabilita v?timas de prostitui??o for?ada em seu pa?s. A institui??o comporta o House of Treasure, um abrigo para ex-v?timas.
>>Cap?tulo do livro ? venda
Foi in loco que Matei conheceu essas v?timas, durante dez anos. No per?odo, viu praticamente de tudo: mulheres cortadas por navalhas, traficadas queimadas ou congeladas, jovens famintas. “? dif?cil descrever em palavras a imagem do que vi”, diz. Pelo seu trabalho, foi nomeada como “Europeu do Ano”, pela revista Reader’s Digest em 2010. Seu ativismo ainda n?o acabou. Agora ela luta por mais rigidez na legisla??o sobre tr?fico humano e cobra dos governos e da sociedade a compreens?o de que prostitui??o for?ada – resultante do tr?fico humano – ? crime organizado. E que seus praticantes sejam punidos com rigor. “A melhor forma de confrontar o criminoso ? puni-lo com pris?o perp?tua e confiscar todo o dinheiro e propriedades que tenha adquirido de forma totalmente ilegal”, diz a autora. Leia abaixo a entrevista concedida por Iana Matei a ?POCA.

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A psic?loga e ativista romena Iana Matei, autora do
livro “? venda”, que trata de hist?rias de tr?fico humano

?POCA – Pela sua experi?ncia de dez anos ? frente do Reaching Out Romenia, o que a sra. pode dizer sobre as marcas que o tr?fico humano deixa nas v?timas? Elas conseguem se recuperar desse trauma e se reinserir na sociedade?
Iana Matei – Essas garotas s?o torturadas, queimadas por cigarros, amea?adas a cada passo que d?o: ? uma imagem muito dif?cil de descrever em palavras. Algumas delas t?m sido torturadas com cortes de navalhas, outras est?o gr?vidas, e muitas est?o sofrendo com transtornos p?s-traum?tico. Conosco, elas atendem a sess?es de terapia em grupo e se ajustam a uma rotina de vida normal, com tarefas di?rias que t?m como fim cultivar um senso de responsabilidade pessoal. Somos mais que uma fam?lia, porque a triste verdade ? que muitas delas s?o rejeitadas por seus pais, como conto no livro: “Os pais as censuram por serem prostitutas, por se permitirem ser enganadas e por envergonh?-los na frente dos vizinhos”. N?s, entretanto, n?o as for?amos a se reintegrar a suas fam?lias. A maior parte escolhe ficar por perto e aceita empregos que arrumamos para elas. Cerca de 80% delas continuam em contato com a funda??o mesmo depois de partirem.

?POCA – Como as v?timas normalmente conseguem escapar de um esquema criminoso de tr?fico internacional e v?o parar no abrigo? E como, especialmente no caso das jovens, elas v?o parar nas m?os de criminosos?
Iana – Existem tantas hist?rias, e cada uma ? como um passo adiante. Tem Mariana, ? claro, cuja hist?ria ? bastante detalhada no livro (Mariana, ent?o com 15 anos, ? vendida por uma mulher para prostitui??o for?ada por menos de 100 euros). Tamb?m me lembro de tr?s garotas, com idade entre 13 e 14 anos, que estavam morrendo de frio, eram maltrapilhas e famintas. Elas me contaram que tinham sido vendidas por seus pais a um cigano. E depois foram compradas e revendidas, antes de serem despejadas na rua. Elas me encontraram por interm?dio de um policial. Um caso de que me lembro com especial apre?o ? a garota que chegou gr?vida ao abrigo. Ela decidiu ter o beb? mesmo que n?o soubesse a identidade de seu pai biol?gico. Ela se tornou uma grande m?e para esse beb?. Depois ela se casou, e o seu marido tem sido um grande e bondoso pai ? crian?a.
?POCA – Num mundo cada vez mais globalizado, voc? imagina ser poss?vel coibir o tr?fico de pessoas? Faltam leis na comunidade internacional ou mesmo na Europa, grande destino de v?timas?
Iana – A grande falha da atual legisla??o ? seu foco nas v?timas e n?o nos traficantes. A melhor forma de confrontar o criminoso seria puni-lo com pris?o perp?tua e confiscar todo o dinheiro e propriedades que adquiriu de forma totalmente ilegal. O que as pessoas deveriam entender ? que prostitui??o for?ada n?o ? uma quest?o social – ? crime organizado. Infelizmente, pol?ticos focam na prostitui??o no geral, em imigra??o. Mas n?o no tr?fico humano. O foco nesse assunto ? o primeiro passo a dar. ? um crime contra a humanidade vender e comprar vidas. Al?m do mais, os traficantes se ad?quam ?s diferentes leis. Eles mudam seu modus operandi dependendo da legisla??o que encaram. Por exemplo, a lei italiana. Ela deu mais direito ?s v?timas. Al?m disso, ficou mais f?cil ?s v?timas processarem envolvidos. Mas ent?o os traficantes se adaptaram a esse novo contexto e t?m usado um novo m?todo: gigol?s. Mulheres n?o v?o processar quem amam. Outra t?tica das quadrilhas ? usar meninas com problemas psicol?gicos, porque elas n?o podem testemunhar no tribunal, caso o assunto seja levado ? Justi?a.
Tags: Iana Matei: - Quem vende pessoas

Fonte: revistaépoca  |  Publicado por: Da Redação
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