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IDH: Especialistas analisam críticas ao Pnud e posição do Brasil

Publicada em 25 de Julho de 2014 às 11h30


A posi??o do Brasil no ranking do ?ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2013, a 79?, um ponto acima da pesquisa anterior e atr?s de pa?ses como Argentina e Uruguai, gerou controv?rsias. Entre outras rea?es, alguns tentaram minimizar a import?ncia do desenvolvimento brasileiro e outros reivindicaram posi??o mais justa. Especialistas consultados pelo Jornal do Brasil debatem a alega??o do governo brasileiro de que dados desatualizados teriam embasado a lista, o que n?o teria sido feito com outros pa?ses, e tra?am compara?es e significados para o IDH 0,744, divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Programa das Na?es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O Brasil teve um desempenho melhor que a m?dia da Am?rica Latina e, no Brics, grupo que re?ne as cinco principais economias emergentes do mundo, ficou atr?s apenas da R?ssia. Das 102 na?es que comp?em os grupos de Muito Alto e Alto Desenvolvimento Humano, apenas 18 apresentaram melhora em rela??o ao ano anterior, dentre as quais o Brasil. Deixou a desejar, no entanto, quando comparado com vizinhos como Argentina, Chile, Venezuela e Uruguai - os dois primeiros, inclusive, com grau muito alto de desenvolvimento humano, por terem obtido nota acima de 0,8. Jose Carlos Mill?o de Paula, professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), com ?nfase em Geografia da Popula??o, explica que, na Am?rica Latina, o pa?s est? em uma posi??o intermedi?ria se comparada com pa?ses como o M?xico, o Chile, a Argentina e a Venezuela, com um "caminho bem longo a percorrer". Uruguai e Argentina, por serem pequenos em extens?o, enfrentam menos problemas, mas o M?xico, por sua vez, torna-se um exemplo interessante. Ele refor?a que, justamente, o que faz do ranking do Pnud relevante ? a an?lise de outros dados que n?o o desempenho econ?mico dos pa?ses, que seria muito insuficiente para verificar o progresso deles. "O Brasil ? um dos economicamente mais poderosos, est? entre os 10 mais importantes do mundo, mas, sob o ponto de vista de distribui??o da riqueza, ainda tem alguns n?meros ruins e outros muito ruins. Pa?ses como a Venezuela e a Argentina, economicamente, t?m uma express?o menor. No entanto, conseguem de alguma maneira driblar esses problemas para fazer a riqueza chegar ?s pessoas, n?o de uma maneira ideal, mas mais aperfei?oada que a nossa", esclarece. De acordo com a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, se a pesquisa tivesse utilizado n?meros atualizados e n?o os antigos, o Brasil teria ficado em 67? e n?o em 79?. Segundo o governo, para compor o ?ndice, foram usadas informa?es da Pnad de 2009 e 2010 e de um relat?rio da OCDE de 2012, mas estavam dispon?veis informa?es mais atualizadas, da PNAD de 2012 e 2013 e dados da OCDE de 2013. A ministra disse ainda que a pesquisa sobre o Brasil tem sido feita com dados desatualizados nos ?ltimos tr?s anos, enquanto que para outros pa?ses o programa usou n?meros recentes. Para Mill?o, se os n?meros do Brasil est?o realmente defasados, como alegou a ministra, esta tem raz?o em colocar que dever?amos ocupar uma posi??o melhor, mas tamb?m seria interessante que o governo trabalhasse em formas de disponibilizar seus n?meros de uma maneira mais enf?tica. "Ainda que a gente adote esses n?meros que a ministra sugere (67? lugar no ranking), o que tamb?m seria importante, j? que as estat?sticas t?m que ser fidedignas, se olharmos para os pa?ses vizinhos, na Am?rica do Sul ou na Am?rica Latina e Caribe, percebemos que h? um caminho muito longo ainda a percorrer, em termos de distribui??o da riqueza gerada", destacou Mill?o, que julga o ranking do Pnud uma ferramenta importante de avalia??o das pol?ticas sociais que cada pa?s procura implementar de sua maneira. Kaiz? Iwakami Beltr?o, professor da Escola Brasileira de Administra??o P?blica e de Empresas (Ebape) da FGV, criticou a reivindica??o do governo ? 67? posi??o, alegando que, neste caso, a pesquisa teria que ser toda refeita, considerando que possa ter utilizado dados defasados em rela??o a outros pa?ses tamb?m. O que poderia, salienta, at? piorar a situa??o do Brasil. "Tem mudado pouco, mas o Brasil tem melhorado, est? melhor agora do que nos anos 1980, isso j? ? positivo. E isso foi, principalmente, devido ? melhora na educa??o. O Brasil cresceu mais, apesar de que eu diria que temos ainda alguns problemas, quando consideradas outras varia?es como ?ndice de desigualdade por g?nero", disse Beltr?o. Considerada a s?rie hist?rica, explica, o ?ndice do Brasil em 1980 era de 0,545, saltando agora para 0,744, mais do que a m?dia da Am?rica Latina, que era 0,579 naquela d?cada, acima do Brasil, e agora est? abaixo, em 0,740. "Todos esses indicadores (utilizados na pesquisa) v?o depender da educa??o em ?ltima inst?ncia. Popula??o com mais educa??o tem mais esperan?a de vida, maior produtividade, maior Produto Interno Bruto. Esse aumento (dos anos de estudo) ? super positivo e vai repercutir em algum tempo." O IDH do Brasil acumulou crescimento de 36,4% entre 1980 e 2013, um aumento anual m?dio de 0,95% no ?ndice. Nestas tr?s d?cadas, os brasileiros ganharam 11,2 anos de expectativa de vida, viram a renda aumentar em 55,9% enquanto, na educa??o, a expectativa de anos de estudo para uma crian?a que entra para o ensino em idade escolar cresceu 53,5% (5,3 anos) e a m?dia de anos de estudo de adultos com 25 anos ou mais subiu quase 176,9% (4,6 anos). Sobre o futuro do Brasil no ranking, Beltr?o comenta que tudo vai depender do andamento dos outros pa?ses. "Pensando como se fosse um jogo de futebol, n?o adianta s? jogar bem, tem que estar melhor do que o outro. No IDH, tem que crescer mais que outro." Criado em 1980, o IDH mede o desenvolvimento humano por meio de tr?s componentes: expectativa de vida, educa??o e renda. Em 2013, o Brasil registrou 73,9 anos de expectativa de vida, 7,2 anos de m?dia de estudo, 15,2 anos de expectativa de estudo para as crian?as que atualmente entram na escola e renda nacional bruta per capita de US$ 14.275 ajustada pelo poder de compra. O IDH do Brasil em 2013 subiu 36,4% em rela??o a 1980. Naquele ano, a expectativa de vida correspondia a 62,7 anos, a m?dia de estudo era de 2,6 anos, a expectativa de estudo somava 9,9 anos, e a renda per capita totalizava US$ 9.154. “O Brasil ? um dos pa?ses que mais evolu?ram no desenvolvimento humano nos ?ltimos 30 anos”, disse o representante residente do Pnud no Brasil, Jorge Chediek. Ele destacou que as mudan?as s?o estruturais e t?m ocorrido em todos os governos. Por causa de mudan?as na metodologia, a s?rie hist?rica do IDH foi revista. Pelo crit?rio anterior, o Brasil tinha ficado em 85? em 2012. Com a mudan?a de c?lculo, o pa?s subiu para a 80? coloca??o no ano retrasado.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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