Piaui em Pauta

Imagina se ele tivesse assinado, disse Mauro Cid sobre Bolsonaro após o 8 de janeiro.

Publicada em 17 de Fevereiro de 2024 às 15h25


?As investiga?es da Pol?cia Federal (PF) que desaguaram na opera??o Tempus Veritatis no ?ltimo dia 8 n?o se limitaram ao governo Jair Bolsonaro e tamb?m avan?aram sobre mensagens trocadas pelo ex-ajudante de ordens Mauro Cid e outros investigados ap?s a posse de Luiz In?cio Lula da Silva. Uma delas revela o espanto do tenente-coronel diante da rea??o da comunidade internacional aos ataques golpistas do 8 de janeiro em Bras?lia.

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Ainda no fim da noite do domingo que entrou para a hist?ria do pa?s, quando as sedes dos Tr?s Poderes j? tinham sido esvaziadas pelas for?as de seguran?a, Gabriela Cid, mulher do bra?o-direito de Bolsonaro, encaminhou por WhatsApp prints de chefes de Estado condenando energicamente a tentativa de golpe contra Lula e prestando apoio ao presidente eleito e empossado nas redes.

Gabriela destacou os posicionamentos do presidente da Fran?a, Emmanuel Macron, e do ent?o dirigente da Argentina, Alberto Fern?ndez, al?m de um post que aludia ao posicionamento do chefe de Estado colombiano, Gustavo Petro.

“Imagina se ele tivesse assinado”, reagiu Cid.

Na avalia??o dos investigadores da PF, o pronome “ele” tem nome e sobrenome: Jair Bolsonaro. Segundo a representa??o que solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autoriza??o para a opera??o da semana passada, a mensagem confirma “que o grupo investigado efetivamente elaborou um documento para executar um golpe de Estado no Brasil, ainda na gest?o do ent?o presidente Jair Bolsonaro”.

O documento citado pela PF seria a minuta de decreto golpista elaborada dentro do Pal?cio da Alvorada pelo ent?o assessor especial da Presid?ncia, Filipe Martins, e do jurista Amauri Feres Saad, com ajustes do pr?prio presidente Bolsonaro. Segundo a investiga??o da PF, os golpistas planejavam prender o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, e anular o resultado das elei?es que concederam a Lula seu terceiro mandato.

Veja os alvos da opera??o que mira Bolsonaro e aliados

O tom da resposta de Cid ? esposa sugere que os integrantes do n?cleo do golpe no governo Bolsonaro podem ter subestimado as consequ?ncias de uma eventual ruptura democr?tica no Brasil na comunidade internacional – ou ao menos contavam que o ent?o presidente sa?sse impune da manobra golpista em uma das maiores democracias do mundo.

Macron anunciou seu “apoio incondicional” a Lula em um tweet em portugu?s. J? Fern?ndez e Petro se solidarizaram e defenderam a convoca??o de reuni?es emergenciais do Mercosul e da Organiza??o dos Estados Americanos (OEA), respectivamente.

Outras lideran?as se manifestaram enfaticamente em defesa da transi??o de poder e da legitimidade do governo Lula, como o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o chanceler alem?o, Olaf Scholz e o premier brit?nico, Rishi Sunak. O secret?rio-geral da ONU, Ant?nio Guterres, e a c?pula da Uni?o Europeia tamb?m recha?aram a intentona bolsonarista.

Mais cedo, no decorrer das invas?es em Bras?lia, Gabriela j? tinha compartilhado registros dos ataques – como um livro estirado sobre a grama que, segundo ela, pertenceria ao ent?o ministro do STF Ricardo Lewandowski.

A mulher de Mauro Cid tamb?m encaminhou um post do influenciador bolsonarista Bernardo K?ster no Instagram que reproduzia uma declara??o do “guru” Olavo de Carvalho, morto em 2022, publicada anos antes.

Em 2021, alimentando a narrativa bolsonarista de persegui??o pol?tica pelo Judici?rio, Olavo especulou que a popula??o brasileira reagiria ao “estrangulamento” do Supremo e, neste cen?rio, as For?as Armadas “esmagaria a rebeli?o” popular.

“Dessa vez eu discordo”, respondeu Cid. “Se o EB [Ex?rcito Brasileiro] sair dos quart?is… ? para aderir”, apostou.

N?o se sabe quais informa?es o tenente-coronel tinha em m?os naquele momento, mas a julgar pela quantidade de militares que integraram o n?cleo golpista de Bolsonaro e a mal explicada oposi??o do Comando do Ex?rcito ? pris?o dos golpistas que se refugiaram no QG naquela tensa noite de 8 de janeiro, Cid talvez tivesse raz?o ao discordar. As investiga?es da PF ainda t?m muitas perguntas a serem respondidas sobre o papel da caserna no golpismo.

Tags: As investigações - CID

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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