Piaui em Pauta

Incertezas eleitorais, risco de racionamento e travas na indústria devem frear expansão do PIB

Publicada em 28 de Maio de 2014 às 08h58


?A economia brasileira come?ou 2014 pisando no freio. Analistas esperam que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e servi?os produzidos no pa?s) no primeiro trimestre do ano dever? ficar entre queda de 0,1% a alta de 0,3% na compara??o com o trimestre anterior, menor que o 0,7% registrado nos tr?s ?ltimos meses de 2013. Incertezas eleitorais, risco de racionamento, problemas na ind?stria com falta de produtividade e excesso de endividamento das fam?lias s?o apontados como os principais vil?es do crescimento econ?mico. O resultado que ser? divulgado pelo IBGE — que est? em greve — na sexta-feira ter? outro componente de incerteza sobre o n?mero: este PIB vai incorporar os dados da Pesquisa Industrial Mensal que, em mar?o, mudou sua metodologia, ampliando a cobertura de setores e unidades pesquisadas. Isso ampliou a inseguran?a nas previs?es — at? mesmo o resultado de 2013 ser? revisto. De qualquer maneira, se espera uma desacelera??o. saiba mais Brasil cai em ranking mundial de competitividade e fica no 54? lugar Brasileiros gastam menos com lazer e mais com comida e roupa Brasil perde for?a em disputa na OMC contra subs?dio dos EUA ao algod?o Clima econ?mico no Brasil n?o era t?o ruim desde 1999 Setor p?blico inchado atrapalha competitividade do Brasil, diz Financial Times Leia mais sobre Economia brasileira Como muitos economistas n?o acreditam em uma forte recupera??o durante o ano — esperam um segundo semestre novamente fraco, sob os efeitos das greves e dos feriados da Copa — 2014 dever? fechar entre 1,3% e 1,9%, com a maior parte dos analistas estimando 1,5%. — Os dados todos que temos at? agora est?o muito ruins, tanto para o primeiro como para o segundo trimestre, o que dever? causar mais um ano de fraco desempenho. Se o pa?s realmente crescer 1,5%, ser? o segundo pior resultado do governo Dilma — afirmou Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central (BC). Ele estima que, pela metodologia antiga, o PIB do primeiro trimestre apresentaria alta de 0,2% a 0,3%, mas, com os novos dados da ind?stria, o resultado poder? vir diferente e at? levemente negativo. Na opini?o dele, a causa do fraco crescimento ? o erro de estrat?gia do governo, que tenta acelerar a atividade incentivando a demanda quando o problema est? no lado da oferta, com a baixa produtividade brasileira, reflexo dos gargalos da economia brasileira. F?bio Kanzuc, professor da USP, espera alta de 0,3% no trimestre na compara??o com os ?ltimos quatro meses de 2013 e 1,5% para o PIB de 2014. Ele acredita que resultado de sexta-feira ser? marcado pela forte desacelera??o dos investimentos. Kanzuc diz que o risco de racionamento de energia e a proximidade de “elei?es sem rumo" adiam potenciais investimentos. — O que me surpreende ? que esta atividade mais fraca n?o est? se refletindo na infla??o, que continua alta. Em geral, quando a economia esfria, os pre?os cedem. Sempre h? um intervalo neste fen?meno, mas desta vez est? demorando mais que eu esperava — disse. No ano passado, o PIB brasileiro teve alta de 2,3%. Com a introdu??o da nova pesquisa da ind?stria, analistas esperam revis?o para cima, para cerca de 2,5%. Para as proje?es de 2014, o vi?s ? de baixa. — A gente j? tinha um n?mero muito ruim, mas depois do resultado da produ??o industrial, baixamos mais ainda e o n?mero ficou negativo. Para o resultado do ano, mantivemos 1,9%, mas vou esperar sair o PIB para revisar. O vi?s ? de baixa — diz Alessandra Ribeiro, analista da Tend?ncias Consultoria, que projeta queda de 0,1% no primeiro trimestre em rela??o ao anterior e alta de 1,3% em 2014. Para Jankiel Santos, do Banco do Esp?rito Santo (BES), pesa sobre a ind?stria um forte componente da baixa confian?a dos empres?rios, que decidiram segurar investimentos. Embora ainda n?o tenha feito revis?es, ele reconhece que o crescimento neste ano est? “mais para 1% e 1,5%“ do que os 2% projetados. — Hoje existe uma falta de confian?a com esse mix de pol?tica econ?mica. Os empres?rios pensam “vou esperar o que vai ajustar em 2015 para me mexer”. A economia vem perdendo f?lego, vai ser dif?cil o governo cumprir a promessa do ministro Mantega de dar um crescimento igual ao de 2013 — disse Santos. O economista-chefe do Banco Safra e ex-secret?rio do Tesouro, Carlos Kawall estima que os setores de servi?os e de agropecu?ria dever?o ser os motores do crescimento no ano, com avan?o de 1,7% cada um, enquanto a ind?stria dever? subir 0,7%. Apesar da desacelera??o do crescimento da massa salarial, da infla??o mais alta e de um cr?dito mais apertado, o consumo dever? ficar em 2,1% e os investimentos, em 0%. — O ano de 2014 depende de confian?a e de resultado eleitoral. O ano de 2015 dever? ser um ano bom, de ajuste. Mas isto, a depender da pol?tica econ?mica. Se avan?armos em alguma agenda de reformas, um in?cio de hist?ria boa pode ocorrer em 2016. Se houver recupera??o de confian?a, pode ter sim um horizonte de melhoria para o investimento, enquanto a alta de juros e a alta de pre?os administrados v?o influenciar o consumo. Mas isto vai depender do que o governo vai sinalizar — pondera.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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