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Incitar estupro de filhas de ministros não é liberdade de expressão, diz Moraes.

Publicada em 17 de Junho de 2020 às 13h59


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta quarta-feira (17) que incitar estupro de filhas de ministros da Corte n?o ? o mesmo que exercer a liberdade de express?o, mas sim um crime. Ele deu a declara??o ao votar pela continuidade e legalidade do inqu?rito das fake news. Em seu voto, Moraes leu exemplos de amea?as publicadas contra ministros.

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Que estuprem e matem as filhas dos ordin?rios ministros do STF'. Em nenhum lugar do mundo isso ? liberdade de express?o. Isso ? bandidagem, criminalidade. Postado por uma advogada do Rio Grande do Sul, incitando o estupro”, citou Moraes.

"Liberdade de express?o n?o ? liberdade de destrui??o da democracia, institui?es e honra alheia", completou o ministro.
Segundo o ministro, outro trecho de amea?a dizia: “ 'Quanto custa atirar ? queima roupa nas costas de cada filho da p# ministro do STF que queira acabar com a pris?o em segunda inst?ncia. Se acabar com a segunda instancia, s? nos basta jogar combust?vel e tocar fogo do plen?rio com os ministros dentro' . Onde est? aqui a liberdade de express?o?”, questionou Moraes

O ministro citou ainda o caso de um artefato que explodiu em frente ? casa de um dos integrantes da Corte. “Para que se pare de uma vez por todas de se fazer confus?es de cr?ticas, por mais ?cidas que sejam, que devem existir e continuar, com agress?es, amea?as e coa?es”, explicou.

Julgamento
Moraes foi o segundo ministro a votar. Tr?s ministros j? se manifestaram a favor do prosseguimento do inqu?rito. Al?m de Moraes, o ministro Lu?s Roberto Barroso e o ministro Edson Fachin, relator do caso.

O julgamento analisa uma a??o do partido Rede Sustentabilidade, que, em 2019 contestou a abertura do inqu?rito. Mas o pr?prio partido disse h? tr?s semanas que, diante da escalada das fake news, o inqu?rito deve continuar.

Foi no ?mbito desse inqu?rito que o ministro Alexandre de Moraes autorizou uma opera??o, em maio deste ano, que realizou buscas e apreens?es contra empres?rios e blogueiros ligados ao presidente Jair Bolsonaro. Para Moraes, existem provas que apontam para a "real possibilidade" de uma associa??o criminosa ter sido formada para a dissemina??o das fake news. Ele afirmou ainda que as informa?es falsas afetam a independ?ncia entre os poderes e p?em em risco a democracia.

Votos
Edson Fachin

Em seu voto, apresentado na semana passada, o ministro afirmou que o inqu?rito deve continuar desde que:

seja acompanhado pelo Minist?rio P?blico;
seja integralmente observada a S?mula Vinculante 14 da Corte, ou seja, que os advogados tenham acesso aos autos;
seja delimitado ? investiga??o do risco efetivo ? independ?ncia do Poder Judici?rio, pela via da amea?a a seus membros, assim como aos poderes institu?dos, ao estado de direito e ? democracia;
observe a prote??o da liberdade de express?o e de imprensa nos termos da Constitui??o, excluindo do escopo do inqu?rito mat?rias jornal?sticas e postagens, compartilhamentos ou outras manifesta?es (inclusive pessoais) na internet, feitas anonimamente ou n?o, desde que n?o integrem esquemas de financiamento e divulga??o em massa nas redes sociais.
Alexandre de Moraes

Moraes disse ainda que esse tipo de inqu?rito ? previsto no regimento do Supremo, que estabelece “expressamente” a possibilidade de instaura??o de procedimento investigat?rio pelo presidente do STF.

O ministro defendeu que a investiga??o ? “mais que um direito, ? um dever” do presidente do STF contra “fatos orquestrados com intuito de intimidar e deslegitimar o papel da Corte”. “Coagir, atacar, constranger, amea?ar, contra o Supremo, contra seus familiares, magistrados, ? atentar contra a Constitui??o, a Democracia e o Estado de Direito”, afirmou.

Segundo o ministro, “ao presidente do STF, como chefe do Poder Judici?rio, compete – ? muito mais que um direito, ? um dever – a defesa institucional da Corte e da independ?ncia de seus magistrados”.

“Independ?ncia que somente ser? plenamente assegurada quando garantida a integridade f?sica, ps?quica e a pr?pria vida de seus membros contra graves amea?as, ofensas e atentados realizados em virtude da fun??o jurisdicional. N?o ? no Brasil somente, mas no mundo.”

Lu?s Roberto Barroso

Ao justificar seu voto a favor do prosseguimento do inqu?rito, Barroso disse que na democracia n?o h? espa?o para viol?ncia, amea?as e discurso de ?dio.

“Isso n?o ? liberdade de express?o. Isso tem outro nome, isso se insere dentro da rubrica maior que ? a criminalidade", defendeu Barroso.

Barroso afirmou que o inqu?rito ? v?lido e que a Constitui??o n?o reserva ao Minist?rio P?blico a condu??o da investiga??o. O inqu?rito est? sendo conduzido pelo pr?prio Supremo, ao inv?s do MP, o que vem sendo questionado.

“H? diversas hip?teses na legisla??o brasileira de investiga?es conduzidas pela Receita Federal, pelo Banco Central”, exemplificou.

Segundo o ministro, os ataques ao STF, que v?m sendo feitos especialmente via redes sociais, “permitem que se amplie a ideia de sede e depend?ncia para significar tudo aquilo que de alguma forma chegue ao tribunal agredindo, sem se exigir que algu?m entre no pr?dio da Corte”.
Tags: Incitar estupro - O ministro Alexandre

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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