?Dezenas de milhares de eg?pcios prometem passar a noite deste s?bado (02/06) na pra?a Tahrir em protesto contra o resultado do julgamento do ex-presidente Hosni Mubarak e a presen?a de Ahmed Shafiq, ex-premi? do mesmo regime, no segundo turno das elei?es presidenciais do pa?s.
Mubarak foi condenado nesta manh? ? pris?o perp?tua em raz?o da morte de manifestantes durante os protestos da Primavera ?rabe eg?pcia que teve in?cio em janeiro de 2011 e culminou com a sua ren?ncia, no dia 11 de fevereiro do mesmo ano. O ex-ministro do Interior Habib al Adly tamb?m foi condenado ? mesma pena.
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Vista a?rea da Pra?a Tahrir, s?mbolo das manifesta?es populares no Cairo.
Ap?s o an?ncio da senten?a, ainda pela manh?, a pra?a Tahrir foi fechada. Apesar do forte calor, as autoridades j? esperavam um grande afluxo de pessoas, o que foi confirmado durante o dia. ?s 23h locais (17h em Bras?lia), milhares de pessoas de todas as idades e ideologias pol?ticas lotavam a pra?a mitificada pela revolu??o de janeiro de 2011. As ruas adjacentes tamb?m foram tomadas por bandeiras e caras-pintadas com as bandeiras do Egito.
Al?m de n?o se conformarem com a senten?a – os manifestantes gostariam que o ex-presidente fosse condenado ? morte, como pediu a Promotoria – os manifestantes tamb?m n?o se conformavam com a absolvi??o de seis agentes de seguran?a por falta de provas e tamb?m dos filhos de Mubarak, por prescri??o dos crimes. Os manifestantes temem que, se eleito, Shafiq consiga revogar a pris?o de Mubarak.
“Estou indignada com o resultado do julgamento. Mubarak foi condenado, mas seus c?mplices n?o. Estas elei?es n?o s?o justas, est?o nos enganando. O SCAF (Conselho Supremo das For?as Armadas) est? por tr?s deste processo, por isso (Ahmed) Shafiq conseguiu tantos votos”, explica Fatma, engenheira de 26 anos. “N?o h? independ?ncia nestas elei?es. Votei em Hamdeem Sabahy [Partido da Dignidade, esquerda] no primeiro turno, mas vou boicotar o segundo turno”.
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Manifestantes nos limites da Pra?a Tahrir; ? direita, um muro criticando Mubarak e Shafiq.
Na ?ltima segunda-feira (27/05), algumas centenas de pessoas j? haviam se concentrado em Tahrir para protestar contra o resultado do primeiro turno. O candidato preferido por 34% dos eleitores do Cairo – Hamdeem Sabahy – n?o passou ? etapa seguinte, o que provocou indigna??o na capital eg?pcia. A ades?o ao protesto foi menor do que a esperada e os manifestantes foram perdendo g?s durante a semana.
“Hoje ? diferente porque estamos todos na mesma causa. Estou frustrado. Voto em qualquer um que seja a favor da revolu??o. N?o quero que Ahmed Shafiq ganhe, seria muito triste”, revelou o estudante Saleh, de 22 anos.
Jovens cantavam os hinos da revolu??o, muitos deles adaptados com ofensas a Shafiq, Outros se aventuravam nos postes para poder bradar suas convic?es pol?ticas. “Shafiq kosomo, Shafiq kosomo” (“Shafiq vagina”, em tradu??o livre), gritava um grupo de cem jovens que carregava tambores e fogos coloridos.
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Shafiq, outro alvo dos protestos, n?o venceu no Cairo, onde a vit?ria ficou com a esquerda.
“N?o ? justo. Mubarak deveria ser morto. Se Shafiq ganhar, o Egito vai entrar em ebuli??o. O que estamos fazendo neste pa?s desde janeiro (de 2011)? Para que tantas lutas e mortes se temos um candidato que seria a continua??o do regime de Mubarak?”, perguntou ? equipe de Opera Mundi o advogado Mohamed, de 38 anos.
A corrida eleitoral para a presid?ncia havia fragmentado as manifesta?es no Egito, mas a situa??o pol?tica atual, com o candidato Mohamed Mursi, da Irmandade Mu?ulmana, e o antigo ministro do regime de Mubarak, Ahmed Shafiq, no segundo turno podem mais uma vez unir a popula??o em um projeto comum – salvar a esperan?a da revolu??o.
"? uma vergonha que a nossa luta tenha terminado desta maneira, com Shafiq no segundo turno. Vamos voltar ? situa??o anterior ? revolu??o", explica Ahmed, um pipoqueiro de 32 anos que aproveita a movimenta??o para complementar a renda familiar.
“Obviamente n?o quero que Shafiq ganhe, mas tamb?m n?o acho que um governo isl?mico v? colocar o Egito em uma situa??o muito boa. N?o vou votar no segundo turno e estou convencendo os meus amigos a um boicote geral”, explica, resignada, uma mulher que se intitula “ex-manifestante” e preferiu n?o se identificar.
"A revolucao era a nossa esperan?a, mas as pessoas n?o est?o entendendo o processo. Para a maioria da popula??o, nada mudou na vida deles e acabam votando nos nomes conhecidos. Shafiq no segundo turno demonstra que n?o sabemos o que toda esta luta significa, onde queremos e podemos chegar", diz a ativista Mona, 38 anos, que trabalhou na campanha de Sabahy.