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Bolsonaro e Haddad disputam a Presid?ncia pela primeira vez e foram os dois mais votados entre os 13 postulantes ao Pal?cio do Planalto.
Esta ? a oitava elei??o presidencial por meio do voto direto desde a redemocratiza??o, no fim da d?cada de 1980. O vencedor governar? o Brasil de 1? de janeiro 2019 a 31 de dezembro de 2022.
O resultado do primeiro turno quebrou a polariza??o entre PT e PSDB na elei??o presidencial. Nas ?ltimas seis elei?es, os dois primeiros colocados foram dos dois partidos, e houve duas vit?rias do PSDB (1994 e 1998) e quatro do PT (2002, 2006, 2010 e 2014).
A campanha
A campanha eleitoral teve in?cio em agosto com 13 candidatos ? Presid?ncia da Rep?blica, o maior n?mero de concorrentes desde 1989, quando houve 22 postulantes.
A corrida ao Planalto deste ano foi marcada por dois fatos que podem ter influenciado at? mesmo o desempenho de outras candidaturas:
O registro de candidatura de Luiz In?cio Lula da Silva foi rejeitado; o PT substituiu o ex-presidente por Fernando Haddad;
Bolsonaro levou uma facada durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG) e ficou 23 dias internado.
Lula
Preso desde abril em Curitiba, e com sucessivos recursos negados pela Justi?a, Lula liderava as pesquisas de inten??o de voto quando teve o registro da candidatura rejeitado pelo TSE com base na Lei da Ficha Limpa, que pro?be a candidatura de condenados em ?rg?o colegiado da Justi?a.
O ex-presidente foi condenado a 12 anos e um m?s em regime inicialmente fechado pelo Tribunal Regional Federal da 4? Regi?o (TRF-4) por corrup??o passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guaruj? (SP), na Opera??o Lava Jato.
Mesmo ciente de que o registro poderia ser negado, o PT registrou a candidatura de Lula, que recebeu 16 contesta?es.
Antes da decis?o do TSE, um parecer assinado por dois integrantes do Comit? de Direitos Humanos da ONU recomendou ao Brasil que garantisse os direitos pol?ticos de Lula, e permitisse que ele impedi-lo de concorrer at? o t?rmino da an?lise de todos os recursos judiciais de sua condena??o.
O TSE entendeu que a manifesta??o dos integrantes do comit? n?o tinha car?ter vinculante. A defesa do ex-presidente tentou usar essa posi??o para suspender a inelegibilidade dele, mas o ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido.
Haddad candidato
O PT confirmou em 11 de setembro o acordo costurado nos bastidores pelo pr?prio ex-presidente Lula: elevar Fernando Haddad, vice na chapa, ? condi??o de presidenci?vel. A deputada estadual Manuela D’?vila (RS) assumiu a vaga de vice, na alian?a com o PCdoB.
Nas palavras de Haddad, que percorria o pa?s como vice, Lula lhe conferiu a miss?o de assumir a candidatura com o slogan "O Brasil feliz de novo", com a promessa ao eleitor de trazer de volta o "Brasil de Lula".
A estrat?gia de manter a candidatura de Lula at? o limite permitido pela Justi?a foi definida pelo petista na sede da Pol?cia Federal no Paran?, onde, preso, recebeu uma romaria de aliados e advogados, entre os quais, Haddad. O partido apostou na transfer?ncia de votos do ex-presidente. Haddad tinha 4% nas pesquisas e passou da faixa dos 20% – metade das inten?es de voto que o padrinho vinha obtendo.
A candidatura teve de lidar com desgastes. Em setembro, Haddad foi denunciado pelo Minist?rio P?blico de S?o Paulo por corrup??o passiva, lavagem de dinheiro e forma??o de quadrilha. Mas a Corregedoria do Minist?rio P?blico decidiu investigar o procurador que denunciou Haddad por ter apresentado a acusa??o no per?odo eleitoral.
Outro ponto de degaste para Haddad foi a situa??o de Lula. No ?ltimo dia 1?, o juiz federal Sergio Moro retirou o sigilo de parte do acordo de dela??o de Antonio Palocci, ministro nos governos petistas. A Corregedoria do Conselho Nacional de Justi?a (CNJ) deu 15 dias para Moro explicar a divulga??o justamente na semana anterior ? elei??o.
Facada em Bolsonaro
Deputado federal desde 1991, Bolsonaro filiou-se ao PSL em mar?o para disputar a primeira elei??o presidencial. Em 6 de setembro, foi v?tima de uma facada no abd?men durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).
O candidato do PSL passou por cirurgias e ficou 23 dias internado. Em raz?o do atentado, Bolsonaro concentrou a campanha nas redes sociais, com a publica??o de mensagens por escrito e de v?deos.
Sem fazer campanha nas ruas, manteve o primeiro lugar nas pesquisas – liderou desde o in?cio nos cen?rios sem o ex-presidente Lula – mesmo sem um espectro grande de alian?as e com pouco tempo na propaganda eleitoral gratuita de TV. A popularidade de Bolsonaro cresceu ? base de um discurso anti-PT e antiesquerda.
A campanha do deputado federal tamb?m teve pol?micas envolvendo declara?es de Bolsonaro e do candidato a vice na chapa dele, general Hamilton Mour?o.
Bolsonaro:
Disse que iria "fuzilar a petralhada"; depois, afirmou que era uma "figura de linguagem";
Defendeu condecorar policiais que matam criminosos;
Disse que n?o aceitar? o resultado se n?o for o eleito; depois, disse que "n?o tem nada para fazer" em caso de derrota e que somente n?o ligaria para cumprimentar Haddad.
General Mour?o:
Criticou o 13? sal?rio; depois, foi afirmou que a declara??o foi "descontextualizada"; na ocasi??o, o general foi repreendido por Bolsonaro
Afirmou que, em situa??o hipot?tica de anarquia, o presidente eleito pode dar um "autogolpe" com apoio das For?as Armadas;
Disse que o Brasil herdou a cultura do "privil?gio" do portugu?s, a "indol?ncia" do ?ndio e a "malandragem" do africano; depois, disse que foi "mal interpretado".
Bolsonaro tamb?m teve de explicar frases pol?micas ditas ao longo da carreira pol?tica, em especial sobre negros, gays e mulheres – o STF rejeitou den?ncia de racismo contra ele.
Ciro Gomes
Coligado ao PT nas duas ?ltimas elei?es presidenciais, o PDT tamb?m reapareceu na corrida presidencial, desta vez com Ciro Gomes, que apresentou como uma terceira via, na esperan?a de obter votos no centro e na esquerda, como alternativa aos eleitores desencantados com o PT e refrat?rios a Bolsonaro.
Ele insistiu nas cr?ticas ? postura do PT em rela??o ? sua candidatura e, inclusive, chegou a declarar que "n?o ? mais poss?vel" apoiar o partido.
A proposta de Ciro que mais chamou aten??o foi o projeto para quitar d?bitos de consumidores no Servi?o de Prote??o ao Cr?dito (SPC).
Conhecido pelo temperamento forte e pelas frases r?spidas, Ciro teve entre seus alvos preferidos na campanha o general Hamilton Mour?o, vice de Bolsonaro.
Alckmin e PSDB
Disputando a Presid?ncia da Rep?blica pela segunda vez, Geraldo Alckmin (PSDB) oscilou nas pesquisas Datafolha e Ibope entre 7% e 10% e n?o disputar? o segundo turno.
Durante a campanha, na tentativa de se firmar como a "terceira via" entre Bolsonaro e Haddad, o tucano fechou alian?a com oito partidos, apoio que incluiu legendas do "Centr?o" (DEM, PP, PR, PRB e SD) e garantiu a Alckmin quase metade do tempo na propaganda de r?dio e TV.
Para tentar justificar o desgaste causado pela uni?o com o bloco, tido publicamente como fisiologista por ocupar cargos nos governos do PT e do MDB, Alckmin defendeu a necessidade de alian?as para governar e aprovar reformas para o pa?s voltar a gerar empregos.
Alckmin se apresentou ao longo da campanha como um gestor experiente e focou em um discurso de combate ao "radicalismo" de Bolsonaro e ao retorno do PT ao poder.
As alian?as, o tempo de TV e o discurso de Alckmin n?o funcionaram. O tucano estacionou nas pesquisas, foi abandonado por aliados do Centr?o e de setores do pr?prio PSDB, que passaram a apoiar Bolsonaro e Marina Silva (Rede).
Marina Silva
Em sua terceira candidatura presidencial, agora pela Rede, Marina Silva tamb?m se apresentou como alternativa ao PT e a Bolsonaro. Come?ou bem nas pesquisas, mas perdeu for?a e teve desempenho bem inferior ao terceiro lugar registrado em 2010 e 2014.
Alvaro Dias
O senador Alvaro Dias, candidato do Podemos, centrou no discurso de combate ? corrup??o. Tentou seduzir sem sucesso o eleitor com um convite, caso eleito, para que o juiz Sergio Moro assumisse o Minist?rio da Justi?a.
Henrique Meirelles
Vice do PT em 2010 e 2014 e partido do presidente Michel Temer, o MDB voltou a ter candidato pr?prio, algo in?dito desde 1994. Temer ensaiou buscar a reelei??o, mas a impopularidade transformou o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles no candidato do partido. Ele tirou R$ 45 milh?es do pr?prio bolso para financiar a campanha, apostou no discurso de recupera??o da economia, mas n?o decolou.
Jo?o Amo?do
Outro candidato com origem no mercado financeiro foi Jo?o Amo?do, do Partido Novo, que estreou em elei?es com discurso liberal na economia. O engajamento nas redes sociais de seus apoiadores n?o foi suficiente.
Outros candidatos
A corrida presidencial ainda teve as candidaturas ? esquerda de Guilherme Boulos (PSOL) e Vera L?cia (PSTU).
Jo?o Goulart Filho (PPL), filho do ex-presidente Jango, tamb?m tentou a sorte, assim como o “democrata crist?o” Jos? Maria Eymael. Ele reapareceu com o bord?o “Sinais, fortes sinais”.
Mas foi Cabo Daciolo (Patriota) quem gerou a maior repercuss?o nas redes sociais, repetindo sempre que podia a express?o "Gl?ria a Deus". Ele at? optou por jejuar e orar em um monte durante parte da campanha.
No primeiro debate da TV, Daciolo questionou Ciro Gomes sobre a cria??o da Ursal: "Ciro, o senhor ? um dos fundadores do Foro de S?o Paulo. O senhor pode falar aqui para a popula??o brasileira, para a na??o brasileira, sobre o plano Ursal? O que o senhor tem a dizer sobre o plano Ursal, a Uni?o da Rep?blica Socialista Latino-americana? Tem algo a dizer para a na??o brasileira?"
Ciro Gomes, ent?o, respondeu: "Meu estimado cabo, eu tive muito prazer de conhec?-lo hoje e, pelo visto, o amigo tamb?m n?o me conhece. Eu n?o sei o que ? isso, n?o fui fundador do Foro de S?o Paulo e acho que est? respondido", arracando risos e aplausos da plateia presente ao debate.