Piaui em Pauta

Joesley diz em depoimento que tem gravações ainda não entregues à PGR.

Publicada em 11 de Setembro de 2017 às 23h21


O empres?rio Joesley Batista, um dos donos da J&F, afirmou em depoimento prestado na semana passada a investigadores da Lava Jato que tem grava?es ainda n?o entregues.

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Joesley prestou depoimento no ?ltimo dia 7 ao Minsit?rio P?blico Federal. O acordo de dela??o dele e de outros executivos da J&F, entre os quais Ricardo Saud, est? em processo de revis?o, o que pode levar ? rescis?o.
Como o MPF decidiu apurar se eles omitiram informa?es, os benef?cios foram temporariamente suspensos.
Saiba abaixo detalhes dos depoimentos de Joesley Batista e de Ricardo Saud:
Marcello Miller
No depoimento da ?ltima quinta, os procuradores perguntaram Joesley sobre a atua??o do ex-procurador Marcello Miller, citado na conversa gravada entre o empres?rio e o executivo da J&F Ricardo Saud.
Joesley disse que o primeiro contato com Miller foi feito no fim de fevereiro ou come?o de mar?o, por meio do advogado da empresa Francisco de Assis e Silva. Joesley disse que, nesse primeiro contato, n?o falou de colabora??o premiada, mas, nos outros, sim.
Joesley disse tamb?m que os outros encontros em mar?o com Marcelo Miller foram na empresa, a JBS, e que Miller se apresentava como ex-procurador do Rio de Janeiro.
Joesley disse que conversou com Marcello Miller sobre colabora??o premiada, como se faz, o procedimento, se funciona ou n?o, e que Marcelo Miller dizia que tinha sa?do do MPF e em um m?s iria para um escrit?rio grande. Disse tamb?m que Marcello Miller dava orienta?es abstratas sobre colabora??o e crimes, tendo servido para entender o processo de colabora??o premiada.
J? o executivo da J&F Ricardo Saud disse no depoimento que o primeiro encontro com Marcello Miller foi no dia 8 de mar?o. Nessa data, miller tinha pedido demiss?o do cargo de procurador, mas ainda n?o tinha sido exonerado.
Saud contou que teve dificuldades em fazer os anexos da dela??o e que por isso procurou novamente Marcello Miller, que disse que ajudaria, embora n?o pudesse instrui-lo; que escrevia os anexos e Marcello Niller passava os olhos e dizia a Francisco de Assis e Silva para analisar o que tinha ou n?o ato de oficio.

J? Joesley disse que nunca recebeu orienta??o de Marcello Miller sobre elabora??o dos anexos da colabora??o nem sobre a produ??o de uma prova espec?fica; e que Marcelo Miller nunca o orientou a gravar algu?m para fins de colabora??o premiada, nem o presidente Michel Temer. Tamb?m disse que nunca pagou nada diretamente a Marcello Miller.
Joesley disse que que Marcelo Miller jamais vendeu facilidades por ser do MPF; que Marcello Miller inclusive se referia a algumas pessoas da PGR como "ex-colegas", jamais como pessoas que poderia facilitar alguma coisa.
Rodrigo Janot
Sobre a suposta conversa com Rodrigo Janot mencionada no ?udio, Joesley disse que nunca esteve com ele nem em lugar p?blico, de modo que n?o sabe qual ? esse contexto; e que nessa data da grava??o, que foi a da "opera??o Carne Fraca" no dia 17 de mar?o, estava no meio da "predisposi??o" de colaborador; que, assim, estava inseguro sobre colaborar.
Joesley disse que que as men?es a Rodrigo Janot s?o na verdade ? PGR e ao MPF, e que nunca nem tentou falar com Rodrigo Janot.
Joesley disse tamb?m que nunca viu mensagens de Rodrigo Janot a Marcelo Miller e que, para ele, Marcelo Miller estava voluntariamente prestando as informa?es, sem nenhum contrato ou pagamento, no per?odo de f?rias entre a sa?da do MPF e o in?cio do trabalho no escrit?rio de advocacia.
O empres?rio disse que chegou a perguntar a Marcelo Miller se poderiam conversar pelo fato de ele ser ex-procurador, se n?o haveria problema; que sempre teve Marcelo Miller como ex-procurador e que pode assegurar que n?o teve nenhum beneficio nem acerto com Marcelo Miller.
'N?o vamos ser presos'
Sobre o trecho da grava??o em que Joesley disse "n?s sabemos que n?o vamos ser presos", o empres?rio explicou que era uma esp?cie de "mantra" que repetia para passar credibilidade ? familia e ? equipe dele.

Ele negou ter conseguido algum acerto il?cito para n?o ser preso. Disse inclusive que sabia que poderia ser preso a qualquer momento.
Grava?es
Joesley contou que a grava??o dele com Ricardo Saud foi feita por engano. Disse que "n?o gravou Marcelo Miller em nenhuma oportunidade; que acha que n?o gravou os encontros na PGR; que n?o entregou nada que n?o tinha crime; mas adimitiu que tem outras grava?es ainda n?o entregues".
Cardozo
Uma dessas grava?es ? com o ex-ministro da Justi?a Jos? Eduardo Cardozo. Joesley disse, no entanto, que esse material est? fora do Brasil porque apenas ele manuseia e que gravou at? encontros com amigos e n?o sabe a quantidade de ?udios que tem. Segundo o delator, a avalia??o sobre os ?udios serem ou n?o prova de crime foi apenas dele, Joesley.
Sobre a grava??o com Cardozo, Joesley disse que n?o tem nenhum crime. Joesley afirmou que a conversa com Cardozo "envolveu a Lava Jato", mas n?o tinha nada de errado, segundo ele, que queria saber como estava andando a opera??o a fim de saber se tinha solu??o para ele fora da colabora??o.
Leia tamb?m: Cardozo diz que n?o discutiu oferta de senten?as favor?veis no STF em reuni?o com Joesley
Joesley tamb?m contou que a men??o ? palavra escrit?rio na grava??o ? escrit?rio de advocacia de Marco Aur?lio Carvalho, s?cio de Jos? Eduardo Cardozo, que emitia mensalmente notas de R$ 70 mil ou R$ 80 mil para contratos fict?cios e que parte desse dinheiro iria, segundo Marco Aur?lio, para Cardozo.
E que esse contrato fict?cio era para manter "boa rela??o" com Cardozo; que Marco Aur?lio dizia que o dinheiro chegava a Cardozo que tratava muito bem Joesley. No entanto, Joesley disse que nunca perguntou se o dinheiro chegava.
Pol?ticos com os quais falava
Joesley contou que os pol?ticos com os quais mais falou sobre tudo que acontecia com a empresa no ?mbito da Opera??o Lava Jato durante os ?ltimos tr?s anos foram o senador Ciro Nogueira (PP), o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) e o presidente Michel Temer.

Joesley admitiu que, durante a Lava Jato, at? decidir por colaborar, tratou com v?rios pol?ticos sobre como parar a opera??o.
Avalia??o dos procuradores
As explica?es de Joesley e outros colaboradores sobre a grava??o n?o convenceram os procuradores, que consideraram os fatos graves.
Afirmam que Joesley e Saud foram evasivos e confusos quando tiveram que se explicar ? procuradoria.
Esses depoimentos e as provas encontradas pela Pol?cia Federal nas buscas desta segunda ajudar?o Janot a decidir se o acordo da J&F ser? mantido ou se os delatores perder?o os benef?cios.
Tags: Joesley diz em depoi - O empresário Joesley

Fonte: globo  |  Publicado por: Claudete Miranda
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