?Internado em Porto Alegre, Gustavo Marques Gon?alves, 21 anos, teve morte encef?lica confirmada pela Secretaria de Sa?de do Rio Grande do Sul na noite desta ter?a-feira (29). Com a nova v?tima, de acordo com dados do ?rg?o estadual, sobe para 235 o n?mero de mortos no inc?ndio da boate Kiss durante uma festa universit?ria em Santa Maria.
A morte encef?lica foi verificada ?s 18h01 desta ter?a, de acordo com a Secretaria da Sa?de.
Gustavo teve 70% do corpo queimado, segundo o ministro da Sa?de, Alexandre Padilha. Ele era irm?o de Deives Marques Gon?alves, 33 anos, tamb?m v?tima do inc?ndio.
117 em atendimento
Ainda h? 117 feridos no inc?ndio durante uma festa universit?ria na boate Kiss na madrugada deste domingo (27) sendo atendidos em hospitais do Rio Grande do Sul, informou o ministro da Sa?de, Alexandre Padilha. Em entrevista coletiva no Hospital de Caridade, em Santa Maria, na noite desta ter?a-feira (29), ele informou que h? 64 internados em Santa Maria e 53 em Porto Alegre e na Regi?o Metropolitana.
Entre os pacientes em Santa Maria, 27 est?o em ventila??o mec?nica. Dos pacientes em Porto Alegre, apenas tr?s foram retirados da ventila??o mec?nica. "Estamos confiantes de que outras pessoas possam ter uma evolu??o no estado de sa?de", disse Padilha.
Ainda conforme o secret?rio, h? 30 leitos de UTI dispon?veis em Santa Maria.
Investiga??o
O delegado regional de Santa Maria (RS), Marcelo Arigony, afirmou em entrevista coletiva na tarde desta ter?a-feira (29) que a banda Gurizada Fandangueira utilizou um sinalizador mais barato, pr?prio para ambientes abertos e que n?o deveria ser usado em local fechado, durante o show na boate Kiss, em Santa Maria (RS). O equipamento teria provocado o inc?ndio que deixou 234 mortos na madrugada de domingo (27).
"Eles compraram um sinalizador de pirotecnia mais barato, que sabiam que era exclusivamente para ambientes abertos, porque falaram que era mais barato. O sinalizador para ambiente aberto custava R$ 2,50 a unidade e, para ambiente fechado, R$ 70. Eles sabiam disso, usaram este modelo para economizar. Usaram o equipamento para ambiente aberto porque era mais barato”, disse o delegado.
Segundo ele, os integrantes da banda admitiram o uso do sinalizador em depoimento. A banda teria inclusive usado o mesmo modelo de sinalizador em outras apresenta?es.
O delegado elencou uma s?rie de elementos que contribu?ram para que a trag?dia ocorresse, como falhas na ilumina??o de emerg?ncia, espuma inadequada para recobrir a danceteria, al?m de extintores irregulares.
Segundo Arigony, o extintor de inc?ndio que estava na boate e falhou quando os seguran?as tentaram apagar o fogo pode ser falsificado.“Segundo testemunhas e provas preliminares, os extintores podem ser falsos, pois n?o estavam funcionando, n?o funcionavam direito”, disse.
Ainda segundo o delegado, a espuma utilizada no revestimento da casa noturna n?o servia como revestimento ac?stico. “Esta espuma nem faz isolamento ac?stico,apenas evita eco e ? inflam?vel. Pode ter produzido o g?s t?xico”, diz o delegado.
Entre os outros problemas apontados por Arigony est?o reformas realizadas na boate Kiss que n?o tinham sido notificadas ou autorizadas pela prefeitura de Santa Maria e pelo Corpo de Bombeiros. A porta de entrada do local tamb?m n?o teria capacidade para dar “evas?o de fuga” ao p?blico.
O Corpo de Bombeiros, segundo o delegado, informou que o local tinha 615 metros de ?rea e capacidade para 691 pessoas. O alvar? de funcionamento estava vencido desde 10 de agosto e o laudo sanit?rio, desde 31 de mar?o.
Tamb?m foi apontado por Arigony falhas na sinaliza??o interna do estabelecimento. “A boate n?o tinha ilumina??o para crise. As pessoas podem ter corrido para o banheiro, ao ver a luz ligada l?, achando que era uma sa?da de emerg?ncia e acabaram morrendo asfixiadas l? dentro”.
At? esta ter?a-feira, 44 pessoas j? foram ouvidas pela pol?cia e 10 of?cios de informa?es foram expedidos a ?rg?os p?blicos pedindo explica?es e documentos. Segundo o delegado, apenas a Brigada Militar j? respondeu aos questionamentos.
O delegado afirma que abriu um processo para investigar a responsabilidade do Corpo de Bomberiros e da prefeitura de Santa Maria, e se houve improbidade administrativa. "Por tudo isso, qualquer crian?a v? que esta casa n?o poderia estar funcionando. O conjunto todo mostra uma irregularidade total. O conjunto todo mostra que esta casa n?o podia estar funcionando", afirmou.
Vocalista admite uso
Marcelo Santos, que ? vocalista da banda Gurizada Fandangueira, admitiu ? pol?cia que segurou um sinalizador aceso durante o show na boate Kiss. O m?sico negou, no entanto, que as fa?scas do artefato tenham provocado o inc?ndio e disse que j? havia manipulado esse tipo de sinalizador por diversas vezes em outras apresenta?es.