Publicada em 05 de Maio de 2014 às 10h30
Labogen assinou com o Ministério da Saúde um contrato de R$ 150 milhões para o fornecimento de citrato de sildenafila, o princípio ativo do Viagra. A PF descobriu que essa
Imagem: Reprodu??oLabogen assinou com o Minist?rio da Sa?de um contrato de R$ 150 milh?es para o fornecimento de citrato de sildenafila, o princ?pio ativo do Viagra. A PF descobriu que essa “empresa” n?o tem planta industrial e que o rem?dio seria fabricado por outro laborat?rio, ao qual a Lobogen repassaria 40% do contrato.De caixas de vinhos e espumantes a cole?es de joias italianas, de instrumentos musicais e tecnol?gicos holandeses a rolos de seda chinesa, o laborat?rio Labogen Qu?mica Fina viveu um aparente per?odo de pujan?a no com?rcio exterior depois que seu controle foi assumido, em 2009, pelo grupo do doleiro Alberto Youssef, alvo maior da Opera??o Lava Jato, da Pol?cia Federal.
Documenta??o de posse dos investigadores, no entanto, revela que o Labogen foi usado por Youssef para por em pr?tica ousado esquema de fraudes no c?mbio paralelo de d?lar e euros a partir de importa?es fict?cias de insumos farmac?uticos. saiba mais Suspeitos sabiam de Lava Jato, afirma PF Conselho de ?tica da C?mara d? aval ao processo de cassa??o de Vargas Pressionado, Andr? Vargas anuncia desfilia??o do PT Padilha indicou executivo para laborat?rio, suspeita PF Pedido de petista adia vota??o de relat?rio do caso Andr? Vargas Leia mais sobre Opera??o Lava Jato
As invoices - faturas de opera?es em outros pa?ses que exibem quantidade do bem adquirido, o valor, as condi?es de quita??o, a forma de transporte e prazos de entrega - traziam dados relativos a pagamentos de medicamentos. Mas, na verdade, a importa??o era de bebidas finas e outros produtos de clientes de Youssef.
Na pr?tica, avalia a PF, o doleiro retomou com intensidade a rotina que havia interrompido em 2003, quando fez dela??o premiada ? Justi?a Federal no caso Banestado - evas?o de divisas que pode ter alcan?ado US$ 30 bilh?es, nos anos 1990.
Al?m de usar o Labogen para tentar se infiltrar em ?rg?os p?blicos, como o Minist?rio da Sa?de, Youssef executou centenas de transa?es il?citas para atender encomendas de executivos brasileiros, conforme demonstram as invoices.
Rastreamento. O que essas faturas retratavam eram as compras ou pagamentos realizados pelos clientes do doleiro. Os investigadores constataram que eram inseridos dados falsos sobre medicamentos para que o Banco Central registrasse opera?es "legais" do Labogen.
A PF vai rastrear os empres?rios estabelecidos no Brasil que usaram servi?os de Youssef.
A requerimento da Procuradoria da Rep?blica, a Justi?a solicitou ao Banco Central que recolha nas corretoras todas as invoices relacionadas aos contratos de c?mbio do Labogen nos ?ltimos cinco anos.
A PF descobriu que o laborat?rio era uma grande lavanderia - entre janeiro de 2009 e dezembro de 2013, o Labogen lavou US$ 113,38 milh?es em contratos de c?mbio fict?cios.
Clientes do doleiro compravam vinho, por exemplo, de uma empresa na Europa. O valor da compra, em reais, era entregue a Youssef, que falsificava as faturas em nome do laborat?rio como se estivesse fechando importa??o de rem?dios daquela vin?cola. N?o havia compra de insumos, mas o pagamento da compra de vinhos.
Os pap?is mostram que o Labogen se valia de corretoras autorizadas pelo Banco Central para forjar a compra de medicamentos, especialmente de lipistatina, usada para combater doen?as do p?ncreas.
Quilos e quilos do rem?dio foram "importados" sucessivamente dando a falsa impress?o de que o laborat?rio de Youssef operava a todo vapor. A PF descobriu que as invoices, com falsifica?es grosseiras, eram emitidas em nome de fornecedores que n?o t?m nenhuma atua??o no setor farmac?utico.
Em 5 de janeiro de 2011, o laborat?rio do doleiro "importou" 14 quilos de lipistatina por 24 mil euros da Contarini Vini e Spumanti, em Vazzola, It?lia. Entre 9 e 15 de fevereiro de 2011, o Labogen fechou 11 "importa?es" do rem?dio da Coar Catene por 103 mil euros. Situada em Arezzo, tamb?m na It?lia, a Coar Catene atua na manufatura de colares e pulseiras de ouro e prata.