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Machado: delação inclui informações sobre arrecadação ilegal para políticos Leia mais sobre esse.

Publicada em 26 de Maio de 2016 às 14h08


BRAS?LIA — A dela??o do ex-presidente da Transpetro S?rgio Machado n?o se resume a grava?es de conversas que teve com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com o ex-presidente Jos? Sarney (PMDB-AP) e com o ex-ministro do Planejamento Romero Juc? (PMDB-RR). Numa s?rie de depoimentos prestados ? Procuradoria-Geral da Rep?blica, Machado falou sobre a arrecada??o de dinheiro de origem ilegal para pol?ticos aliados, entre eles Renan, Juc? e Sarney, segundo disse ao GLOBO uma fonte que acompanha o caso de perto.

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O acordo de dela??o de Machado foi homologado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Opera??o Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Caber? ao procurador-geral, Rodrigo Janot, decidir, a partir de agora, que medidas adotar para aprofundar as investiga?es sobre as revela?es do ex-presidente da Transpetro.


Parte das grava?es de conversas de Machado, divulgadas pela “Folha de S. Paulo”, j? derrubou Juc? do Planejamento. At? ent?o, o ex-ministro era o aliado mais pr?ximo do presidente interino, Michel Temer.

DEPOIMENTOS ? PGR

Ex-senador pelo PSDB, Machado foi presidente da Transpetro de 2003 at? o in?cio do ano passado. Ele se manteve no cargo mesmo depois de ter sido acusado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa de receber propina. Como exemplo, Paulo Roberto Costa disse que ele pr?prio entregou pessoalmente a S?rgio Machado R$ 500 mil. Subsidi?ria da Petrobras, a Transpetro ? a maior empresa processadora de g?s natural e de transporte de combust?vel do pa?s. A arrecada??o ilegal para pol?ticos detalhada por Machado estaria ligada a fornecedores da Transpetro.

N?o foi poss?vel esclarecer at? o momento se o ex-presidente da Transpetro falou sobre arrecada??o para campanha ou para benef?cio pessoal dos personagens citados por ele. Na s?rie de depoimentos, Machado se disp?s a contar detalhes de todas as ilegalidades de que teve conhecimento, no per?odo em que comandou a estatal sob a prote??o de um grupo de pol?ticos do Senado, entre eles alguns dos principais nomes do PMDB. Certo de que o caminho que escolhera n?o teria retorno, Machado sentou diante de investigadores da Procuradoria-Geral da Rep?blica e respondeu a todas as perguntas sem qualquer restri??o. O ex-senador estava disposto a contar tudo o que sabia de seus ex-padrinhos pol?ticos.

Ele n?o queria correr o risco de perder total ou parcialmente os benef?cios da dela??o como pode acontecer com delatores que fizeram acusa?es seletivas. Machado decidiu partir para a dela??o no in?cio do ano, quando descobriu que o executivo de uma empreiteira apontou uma conta usada por ele para movimentar dinheiro ilegal. A partir da?, ele passou a gravar conversas e recolher provas das irregularidades de que teve conhecimento, especialmente no per?odo que presidiu a Transpetro. Pol?tico experiente, Machado det?m segredos de ex-aliados do PMDB e do PSDB, partido ao qual foi filiado at? deixar o Senado.

Procurada pelo GLOBO, a assessoria de imprensa de Renan disse que o senador n?o faria coment?rios at? conhecer o conte?do da dela??o de Machado. A assessoria de Romero Juc? disse que o senador “nunca autorizou ningu?m a falar em nome dele sobre arrecada??o de recursos para campanha”. O GLOBO tentou, sem sucesso, falar com a assessoria do ex-presidente Sarney.

Machado gravou mais de tr?s horas de conversas com ex-aliados. Num dos di?logos, Renan conta a S?rgio Machado de uma conversa que ele teve com o diretor de reda??o da “Folha de S.Paulo”, Ot?vio Frias Filho, na qual o jornalista teria dito que houve “exageros” do jornal na cobertura da Opera??o Lava-Jato. Ot?vio Frias Filho n?o comentou. Na mesma grava??o, o senador afirma que Dilma conversou, antes de ser afastada da Presid?ncia, com o vice-presidente Institucional e Editorial do Grupo Globo, Jo?o Roberto Marinho. De acordo com Renan, a petista teria dito ao empres?rio que os ve?culos do Grupo Globo “tratam diferentemente de casos iguais”.

“Conversa muito ruim, a conversa com a menina da ‘Folha’... Otavinho [Ot?vio Frias Filho] foi muito melhor. Otavinho reconheceu que tem exageros, eles pr?prios t?m cometido exageros, e o Jo?o [prov?vel refer?ncia a Jo?o Roberto Marinho] com aquela conversa de sempre, que n?o manda. [...] Ela [Dilma] disse a ele ‘Jo?o, voc?s tratam diferentemente de casos iguais. N?s temos v?rios indicativos’. E ele dizendo ‘isso virou uma manada, uma manada, est? todo mundo contra o governo’”, relatou Renan.

Sobre o di?logo, em outro trecho, Renan disse ainda que “a conversa dela (Dilma) com Jo?o Roberto [Marinho] foi desastrosa. Ele disse para ela... Ela reclamou. Ele disse para ela que n?o tinha como influir”.

Em nota, Jo?o Roberto Marinho, vice-presidente Institucional e Editorial do Grupo Globo, explicou que, como disse o presidente do Senado, Renan Calheiros, ? verdade que sempre que lhe pedem para interferir no notici?rio, a favor de um grupo ou de outro, a resposta ? sempre a mesma: ele n?o pode mandar que se interfira nos fatos, pois um ve?culo de imprensa deve tudo noticiar livremente. Ele acrescentou que o compromisso do Grupo Globo ? com a not?cia e com o p?blico. Acrescentou que essa sua resposta gera desconforto, frustra?es e, por vezes, afirma?es descabidas, o que ? compreens?vel, especialmente em momentos de crise.

Tags: Machado: delação - BRASÍLIA ? A delação

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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