
Os agentes entraram no edif?cio e retiraram colch?es e barracas. H? 70 dias, cerca de 50 pessoas ocupavam o pr?dio, pedindo a sa?da do presidente em exerc?cio Michel Temer, considerado um governo ileg?timo pelos ocupantes. Durante o per?odo, muitas atividades culturais aconteceram no Gustavo Capanema e artistas como Caetano Veloso, Seu Jorge e Lenine se apresentaram no local.
Em nota, o Minist?rio da Cultura informou que buscou diversas alternativas de di?logo com os manifestantes, mas nas ?ltimas semanas recebeu relatos de depreda??o do patrim?nio p?blico, amea?a aos servidores p?blicos, uso de drogas, presen?a de indiv?duos armados, al?m da circula??o de menores e, em fun??o disso, solicitou ? Advocacia-Geral da Uni?o a reintegra??o de posse dos edif?cios.
Produtora cultural, Adriana Ti?ba afirma que os policiais agiram com trucul?ncia. "Fomos surpreendidos por 15 policiais na sala Portinari. Estava somente eu e minha amiga de 60 anos, militante h? 40 e poucos anos. E tinha policiais armados de metralhadora, com o rosto coberto. Eles usaram a for?a legitimada para tirar l? de cima, me agrediram e em algum momento que estava me debatendo falei: preciso de ?gua porque vou desmaiar. N?o me deixaram beber ?gua. Veio mulher, com homem, me pegaram cada um em um bra?o, em uma perna. Torceram meu bra?o, fizeram de tudo. Desci da escada rolando", diz ela.
O advogado dos manifestantes, Rodrigo Mondego, afirma que n?o teve acesso ao pr?dio assim que chegou. Por volta de 9h10 ele j? havia entrado. "Eu cheguei h? 40 minutos e pedi para entrar, enquanto advogado, e n?o me foi permitido o acesso com o argumento de que precisa de uma autoriza??o superior que n?o chega. O superior ? uma pessoa inacess?vel. A Pol?cia Federal est? desrespeitando a lei".
De acordo com Modego, os manifestantes est?o descendo para a ?rea p?blica do pr?dio, que ele afirma que ? p?blica e da qual eles n?o poderiam ser retirados. "O pr?dio e p?blico e inclusive est? exercendo sua fun??o p?blica. Essa ?rea era desabitada, com muitos assaltos", explicou Mondego.
Integrantes do Ocupa Minc afirmam que a sa?da do pr?dio ? pac?fica, mas que o grupo pretende permanecer no pilotis. At? a publica??o desta reportagem, a Pol?cia Federal ainda n?o havia se pronunciado sobre a desocupa??o.
Os manifestantes contam que a argumenta??o de que estavam destruindo o patrim?nio p?blico n?o ? verdadeiro, pois os jardins e objetos como tapetes e cadeiras foram preservados e cobertos com pl?sticos e panos. Eles relatam ainda que a manifesta??o n?o est? sendo permitida nem nas ?reas p?blicas, como a cal?ada. Os manifestantes gritam que "o MinC ? do povo" e criticam o presidente interino Michel Temer e o ministro da Cultura Marcelo Calero.
Nota do Minist?rio da Cultura na ?ntegra:
"O Minist?rio da Cultura - MinC e suas entidades vinculadas buscaram, desde o final do m?s de maio de 2016, a constru??o do di?logo e da concilia??o com os movimentos de ocupa??o art?stica em diversas unidades administrativas desta Pasta Ministerial e das entidades vinculadas. As manifesta?es, desde que respeitados os contornos do Estado democr?tico de direito, s?o express?es de cidadania e, nesse sentido, merecem di?logo franco e aberto.
No entanto, nas ?ltimas semanas, o Minist?rio tem recebido relatos de depreda??o do patrim?nio p?blico, amea?a aos servidores p?blicos, uso de drogas, presen?a de indiv?duos armados, al?m da circula??o de menores. O risco de danos ao patrim?nio p?blico em pr?dios hist?ricos ? eminente e, por diversas vezes, funcion?rios p?blicos j? foram impedidos de prestar servi?os de atendimento e de circular livremente em seus locais de trabalho. Na Funarte, em S?o Paulo, um piano de cauda foi inteiramente pichado e uma tela que retrata a pianista Guiomar Novaes foi encontrada jogada num corredor. No caso espec?fico do Pal?cio Gustavo Capanema, h? a necessidade de desobstruir o mezanino e o pilotis, al?m do esvaziamento completo do edif?cio, para que as obras de reforma or?adas em R$ 20 milh?es tenham a devida continuidade.
Tendo em vista o que precede, solicitou-se ? Advocacia-Geral da Uni?o reintegra??o de posse dos edif?cios nos quais a seguran?a dos servidores e do patrim?nio p?blico estavam em risco. Referida medida tornou-se imperiosa para que o Minist?rio da Cultura pudesse desempenhar as suas atividades institucionais com regularidade e de modo a evitar qualquer dano ao patrim?nio e ao Er?rio.", diz a nota.