Max Nunes sempre foi o g?nio de quem o p?blico riu, e riu muito, mas de quem mal se conhecia o rosto. Autor de bord?es como "Cala a boca, Of?lia!", morreu na madrugada dessa quarta-feira, 11, aos 92 anos, em decorr?ncia de complica?es ap?s uma queda que lhe valeu a fratura de uma t?bia.
N?o era avesso aos holofotes, mas preferia entregar suas piadas, algumas das mais cl?ssicas do humor na TV brasileira, a int?rpretes como L?cio Mauro e J? Soares, para quem mais criou e com quem esteve at? o fim, como redator do talk-show.
Humorista que tamb?m exercia a profiss?o de cardiologista, Max estava internado desde o dia 20 de maio no Hospital Samaritano, em Botafogo, no Rio. O vel?rio ser? nesta quinta-feira, 12, das 8h ?s 12h, na Capela 1 do Cemit?rio S?o Jo?o Batista, em Botafogo, e o enterro est? marcado para ocorrer em seguida.
Pense em quadros cl?ssicos do riso nacional e l? estar? o dedo dele, criador original de A Grande Fam?lia, s?rie depois abra?ada por Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, e Paulo Pontes. S?o de Max Nunes o Primo pobre X Primo rico, com Brand?o Filho e Paulo Gracindo, depois reeditado com outros int?rpretes, e tamb?m Of?lia e Fernandinho, com L?cio Mauro e N?dia Maria, substitu?da por Cl?udia Rodrigues em vers?o mais recente. Est? tudo no YouTube. Da era do r?dio at? os anos 1990, pariu tipos atemporais, aptos a serem reeditados a qualquer momento.
Ainda nos anos 1950, Max se dividia entre os plant?es no hospital e o texto do Balan?a Mas N?o Cai, ainda na R?dio Nacional, quando viu um dos raros aparelhos de TV do Pa?s, no sal?o de seu barbeiro, e pensou "Quero trabalhar nisso". Fez Folie Brand?o, ainda na TV Tupi, com Brand?o Filho.
A estreia na Globo foi em 1964, onde, com Haroldo Barbosa, passou a roteirizar e dirigir o humor?stico Bairro Feliz (1965), com Paulo Monte, Grande Otelo e Berta Loran. Em 1972, integrou a equipe de reda??o do Fa?a Humor, N?o Fa?a Guerra, ao lado de J? Soares. Vieram Satiricom (1973), Planeta dos Homens (1976) e Viva o Gordo (1981), com J? Soares. Entre os tipos criados para o antigo programa de esquetes de J?, tinha especial apre?o por Norminha, o Reizinho, o Capit?o Gay e o Corrupto, todos dignos de risos entre a audi?ncia do canal Viva, que recentemente vinha reprisando o programa recentemente.
Em 1988 seguiu com J? para o SBT, onde lan?ou Veja o Gordo, outro t?tulo de esquetes, e o talk show J? Soares Onze e Meia, transferido para a Globo, juntamente com ele e o ent?o quinteto de m?sicos, em 2000.
Divertido n?o s? nos scripts, mas tamb?m nas conversas do dia a dia, Max Nunes esteve entre os 50 profissionais da TV brasileira selecionados por Jos? Bonif?cio de Oliveira Sobrinho, o Boni, em 2000, para dar seu depoimento no livro 50/50, por ocasi?o do cinquenten?rio do ve?culo. "Lembro um fato engra?ado: o Chacrinha anunciando um m?gico seu amigo. Assim que o m?gico pisou no palco, Chacrinha deu-lhe um abra?o t?o forte que o m?gico imediatamente falou ao ouvido dele: Mataste o pombinho."
No depoimento, debochou do per?odo da repress?o militar no Brasil, com fina ironia. "Certa vez fui procurado por um censor que, em nome da Petrobr?s, foi pedir que par?ssemos de criticar a empresa. Disse que j? devia ter pedido isso h? mais tempo, mas que n?o conseguira me encontrar. Expliquei ao censor que isso me preocupava bastante porque, se a Petrobr?s n?o tinha conseguido me encontrar, eu que tinha telefone, resid?ncia fixa e local de trabalho conhecido, como ? que a Petrobr?s queria achar petr?leo no fundo do mar?"
Nascido Max Newton Figueiredo Pereira Nunes em 17 de abril de 1922, no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, herdou a veia art?stica do pai, Lauro Nunes, jornalista e roteirista de esquetes para a R?dio Mayrink Veiga. Formou-se em medicina em 1948 e se especializou em cardiologia.
Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S.Paulo em agosto de 2003, contou que exerceu a medicina at? o fim dos anos 1980. "At? tentaram me fazer interpretar, mas nunca quis porque sempre tive muitas coisas para fazer. Tinha hospital, plant?o e eu podia escrever nas horas de folga", contou ? reportagem.
Vizinho de Noel Rosa, foi incentivado a cantar e chegou a participar de programas de r?dio. Aos 48 anos, comp?s, ao lado de La?rcio Alves, um cl?ssico de carnavais, o hit Bandeira Branca, gravado inicialmente por Dalva de Oliveira, ainda nos anos 1970. Passou pelas r?dios Tupi e Nacional. No teatro, produziu 36 pe?as, todas fruto de seu trabalho pra a R?dio Nacional.
Max lamentava, j? nos anos 2000, que a "intelig?ncia" no humor tivesse sido "substitu?da pelo palavr?o". "As piadas passaram a ser do umbigo para baixo", disse na ?poca.
Mas, veterano da TV, bem sabia defender seu conte?do e hist?ria e assim o fez em seu relato ao livro 50/50: "Muita gente acha que a nossa televis?o n?o ? muito boa, avalia??o preconceituosa e injusta, num pa?s em que o dinheiro n?o ? muito bom, onde o ensino n?o ? muito bom, onde at? o governo n?o ? muito bom, porque a TV, que ? uma das nossas melhores coisas, teria que ser maravilhosa?"