Piaui em Pauta

Miliciano preso é investigado por envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco.

Publicada em 18 de Dezembro de 2018 às 12h54


Renatinho Problema foi preso em Guapimirim ? Foto: Renatinho Problema foi preso em Guapimirim ? Foto: Policiais da 82? DP (Maric?) prenderam, na manh? desta ter?a-feira (18), Renato Nascimento Santos. O G1 apurou que a Delegacia de Homic?dios investiga se Renatinho Problema, como ? conhecido, estava no carro que levava o assassino da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes.

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Renatinho Problema foi pego em Guapimirim, na Baixada Fluminense, e tem dois mandados de pris?o contra si. Ele ? apontado como integrante da mil?cia de Orlando Curicica, citado em dela??o como ligado ? morte de Marielle. Orlando, que est? preso, nega e afirma que foi for?ado a assumir a autoria do crime.

(Corre??o: O G1 errou ao informar que Renatinho Problema ? ex-policial militar, como disse a delegada Carla Tavares. Na verdade, ele n?o consta dos registros da PM, segundo a corpora??o. A informa??o foi corrigida ?s 12h05).

O ex-PM Bruno Nascimento de Oliveira, conhecido como Monstro, que acompanhava Renatinho no momento da pris?o, tamb?m foi preso em flagrante por porte ilegal de arma.

Recuo
Num primeiro momento, a delegada Carla Tavares afirmou que um dos mandados contra Renatinho Problema era por participa??o no atentado contra Marielle - mas recuou minutos depois, dizendo que o mandado de pris?o cumprido foi por organiza??o criminosa, que seria comandada por Orlando de Curicica.

Ainda segundo a delegada, a participa??o de Renatinho no caso Mariele ser? investigada pela DH. O ex-PM ser? ouvido l? tamb?m.

Quinta-feira passada (13), agentes da Divis?o de Homic?dios foram ?s ruas para cumprir mandados de pris?o e de busca e apreens?o, mas ningu?m foi preso.

O que se sabe sobre o caso Marielle e Anderson
Carro em que Marielle estava quando foi baleada — Foto: Divulga??o

A vereadora do PSOL Marielle Franco e o motorista dela, Anderson Gomes, foram mortos no Est?cio, bairro na Regi?o Central do Rio, no dia 14 de mar?o.

O caso ? tratado como sigiloso pela Pol?cia Civil e pelo Minist?rio P?blico do Rio de Janeiro. A Pol?cia Federal se ofereceu para assumir as investiga?es, mas o estado declinou.

Do pouco que foi dito das investiga?es, destacam-se dois momentos:

A dela??o que acusou o vereador Marcello Siciliano e o miliciano Orlando Curicica - ambos negam.
A afirma??o do secret?rio de Seguran?a, general Richard Nunes, de que Marielle foi morta por supostamente amea?ar grilagem de terras da mil?cia.

Antes, um resumo do dia do atentado e das investiga?es subsequentes.

O dia 14 de mar?o
19h: Marielle chega ? Casa das Pretas, na Rua dos Inv?lidos, Lapa, para mediar debate com jovens negras.
Um Chevrolet Cobalt com placa de Nova Igua?u, munic?pio da Baixada Fluminense, para pr?ximo ao local.
Quando Marielle chega, um homem sai do carro e fala ao celular.
21h: Marielle deixa a Casa das Pretas com uma assessora e Anderson. Pouco depois, um Cobalt tamb?m sai e segue o carro de Marielle.
No meio do trajeto, um segundo carro se junta ao Cobalt e persegue o ve?culo de Marielle.
21h30: na Rua Joaquim Palhares, no Est?cio, um dos ve?culos emparelha com o carro de Marielle e faz 13 disparos: 9 acertam a lataria e 4, o vidro.
Marielle e Anderson s?o baleados e morrem. A vereadora foi atingida por 4 tiros na cabe?a. Anderson levou ao menos 3 tiros nas costas.
Assessora ? atingida por estilha?os, levada a um hospital e liberada.
Criminosos fugiram sem levar nada.
O QUE FOI APURADO

Arma foi utilizada foi uma submetralhadora MP5 9 mm; tiros foram disparados a uma dist?ncia de 2 metros.
Muni??o pertencia a um lote vendido para a Pol?cia Federal de Bras?lia em 2006. A pol?cia recuperou 9 c?psulas no local do crime.
Ministro da Seguran?a, Jungmann diz que as balas foram roubadas na sede dos Correios na Para?ba, "anos atr?s".
Minist?rio da Seguran?a afirma que a ag?ncia dos Correios na Para?ba foi arrombada e assaltada em julho de 2017 e que no local foram encontradas c?psulas do mesmo lote de muni??o.
Lote ? o mesmo de parte das balas utilizadas na maior chacina do Estado de S?o Paulo, em 2015, e tamb?m nos assassinatos de 5 pessoas em guerras de fac?es de traficantes em S?o Gon?alo, na Regi?o Metropolitana do Rio.
Pol?cia acredita que assassinos observaram Marielle antes do crime porque sabiam exatamente a posi??o dela dentro do carro. Vereadora estava sentada no banco traseiro – algo que n?o costumava fazer – e o ve?culo tem vidros escurecidos.
Testemunhas: assessora de Marielle e uma segunda pessoa foram ouvidas sobre o caso.
Pol?cia reuniu imagens de c?meras de seguran?a. Cinco das 11 c?meras de tr?nsito da Prefeitura do Rio que estavam no trajeto de Marielle estavam desligadas.
A investiga??o ganhou um refor?o de 5 promotores, a pedido do respons?vel pelo caso.
Vereador e ex-PM miliciano s?o citados por testemunha.
Dois homens s?o presos suspeitos de envolvimento no caso.

A dela??o
Quase dois meses ap?s o crime, em maio, uma publica??o do jornal O Globo deu ind?cios do que pode ter sido a articula??o para matar Marielle. A reportagem mostrou que uma testemunha deu ? pol?cia informa?es que implicaram no crime o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM e miliciano Orlando Curicica.

A testemunha – que integrava uma mil?cia na Zona Oeste do Rio e foi aliado de Orlando – contou ? pol?cia ter testemunhado uma conversa entre Siciliano e o miliciano na qual os dois arquitetaram a morte da vereadora. A motiva??o para o crime, segundo a testemunha, seria a disputa por ?reas de interesse na regi?o de dom?nio de Orlando.

"Ela peitava o miliciano e o vereador. Os dois [o miliciano e Marielle] chegaram a travar uma briga por meio de associa?es de moradores da Cidade de Deus e da Vila Sap?. Ela tinha bastante personalidade. Peitava mesmo", revelou a testemunha, de acordo com o jornal.

Tanto Siciliano quanto Orlando negam ter planejado a morte da vereadora. No m?s seguinte ? publica??o de O Globo, o miliciano foi, a pedido da Seguran?a P?blica do RJ, transferido para uma unidade prisional de seguran?a m?xima.

Inclusive, os dois suspeitos presos em julho t?m, segundo a pol?cia, estreita rela??o com a mil?cia de Curicica, chefiada por Orlando. Para investigadores da Delegacia de Homic?dios, a dupla matou outros dois integrantes do grupo criminoso a mando do miliciano simplesmente porque havia a suspeita de um "golpe de estado" na quadrilha.


PONTOS DA DELA??O

Testemunha diz que Marcello Siciliano (PHS) e Orlando de Curicica queriam Marielle morta.
Motiva??o seria avan?o de a?es comunit?rias da vereadora na Zona Oeste.
Conversas sobre o crime teriam come?ado em junho de 2017.
Ex-aliado de Orlando citou, al?m de Siciliano e o miliciano, outras quatro pessoas.
Homem chamado "Thiago Macaco" teria levantado informa?es sobre Marielle.
A REA??O DE ORLANDO

Orlando Curicica pediu para ser ouvido pelo Minist?rio P?blico Federal. Alegou que estava sendo pressionado pela pol?cia do Rio para assumir a autoria do assassinato de Marielle.

O Jornal Nacional teve acesso, com exclusividade, ao que Orlando disse a dois procuradores federais no dia 22 de agosto.

No depoimento, Orlando de Curicica contou que o respons?vel pela Divis?o de Homic?dios, Giniton Lages, esteve no pres?dio de Bangu em maio. O delegado queria ouvi-lo confessar que matou Marielle a mando do Siciliano. Ele se referia ao vereador Marcelo siciliano, do PHS, e ? dela??o que acusou ambos.

Orlando acusa a testemunha de ser um miliciano que se desentendeu com ele. Orlando disse ter respondido ao delegado Giniton Lages que n?o tinha envolvimento com o caso e que o delegado teria pedido ent?o para ele acusar o vereador Marcelo Siciliano:


“Fala que o cara te procurou, pediu para voc? matar ela, voc? n?o quis, e o cara arrumou outra pessoa. Mas que o cara que pediu para matar ela”.

Orlando recusou e disse que foi amea?ado. Falaram que iam transferi-lo para um pres?dio federal e colocariam mais tr?s ou quatro homic?dios na conta dele.

Orlando acusa a testemunha de ser um miliciano que se desentendeu com ele. Orlando disse ter respondido ao delegado Giniton Lages que n?o tinha envolvimento com o caso e que o delegado teria pedido ent?o para ele acusar o vereador Marcelo Siciliano:

“Fala que o cara te procurou, pediu para voc? matar ela, voc? n?o quis, e o cara arrumou outra pessoa. Mas que o cara que pediu para matar ela”.

Orlando recusou e disse que foi amea?ado. Falaram que iam transferi-lo para um pres?dio federal e colocariam mais tr?s ou quatro homic?dios na conta dele.

Grilagem como motiva??o
Em entrevista ao "Estado de S.Paulo" em dezembro, o secret?rio de Seguran?a, general Richard Nunes, afirmou que a vereadora Marielle Franco foi morta por milicianos que viam nela uma amea?a a neg?cios de grilagem de terras na Zona Oeste do Rio.

A fala de Nunes veio um dia ap?s opera??o malsucedida para prender suspeitos de envolvimento no crime.

A ENTREVISTA

Nunes falou ao "Estad?o" no dia 14 de dezembro.

"Era um crime que j? estava sendo planejado desde o final de 2017, antes da interven??o", disse Nunes ao "Estad?o".
"Ela estava lidando em determinada ?rea do Rio controlada por milicianos, onde interesses econ?micos de toda ordem s?o colocados em jogo", prosseguiu. "O que leva ao assassinato da vereadora e do motorista ? essa percep??o de que ela colocaria em risco naquelas ?reas os interesses desses grupos criminosos", emendou.

"A mil?cia atua muito em cima da posse de terra e assim faz a explora??o de todos os recursos. E h? no Rio, na ?rea oeste, na baixada de Jacarepagu?, problemas graves de loteamento, de ocupa??o de terras. Essas ?reas s?o complicadas", continuou Nunes.

Ainda segundo o secret?rio, Marielle vinha conscientizando moradores sobre a posse da terra. "Isso causou instabilidade e ? por a? que n?s estamos caminhando. Mais do que isso eu n?o posso dizer", afirmou.

Tags: Miliciano preso - Policiais da 82ª DP

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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