Piaui em Pauta

Militares pedem saída da imprensa e ficam calados na Comissão da Verdade

Publicada em 29 de Julho de 2014 às 15h38


Tr?s militares que foram convocados na manh? desta ter?a (29) para prestar depoimento na Comiss?o Nacional da Verdade (CNV) pediram que a imprensa se retirasse da sala de audi?ncia p?blica e, ainda assim, n?o responderam ?s perguntas dos membros do colegiado. Nesta semana, est?o previstos depoimentos de 20 militares convocados e de um convidado no Arquivo Nacional, para tratar de 11 temas como o atentado ? bomba no Riocentro, a Casa da Morte de Petr?polis e a morte do deputado Rubens Paiva. Na manh? desta ter?a-feira, seriam ouvidos o general reformado Nilton de Albuquerque Cerqueira e os capit?es Jacy e Jurandyr Ochsendorf, todos defendidos pelo advogado Rodrigo Roca, que orientou seus clientes a ficarem em sil?ncio. "A quest?o n?o ? colaborar, nem se defender. ? evitar que erros hist?ricos se repitam e acabem virando uma verdade", disse o advogado, afirmando que a comiss?o foi induzida a um "erro hist?rico" ao divulgar uma foto do acidente em que morreu a estilista Zuzu Angel, na qual aparece o coronel Freddie Perdig?o. A imagem foi entregue ? CNV pelo ex-delegado do Departamento de Ordem Pol?tica e Social (Dops) Claudio Guerra. "Com esse engano, causou-se um transtorno muito grande, acredito eu, para os parentes e para os companheiros de farda [do coronel Perdig?o]. Quem declarou isso a Vossa Excel?ncia, ou se enganou, ou te enganou, que ? pior ainda", disse o advogado ao coordenador da CNV, Pedro Dallari. Dallari classificou a justificativa de incoerente: "Se h? erro, o erro s? pode ser corrigido com depoimentos, com elementos e com documentos. N?o com sil?ncio. A declara??o de que [o convocado ou convidado] n?o vai se manifestar sobre um assunto n?o ajuda na investiga??o", disse Dallari. Ele ressaltou que a foto do acidente foi recebida de uma testemunha de grande credibilidade, que participou ativamente dos eventos. "N?o podemos aceitar que haja contesta??o das informa?es por quem se nega a prestar depoimento, porque a? seria uma invers?o da pr?pria l?gica do processo de investiga??o." Apesar de lamentar, o coordenador da comiss?o, no entanto, minimizou: "? claro que, para a CNV, seria muito importante que houvesse mais colabora??o, mas eu diria que j? temos elementos suficientes. A fala deles era importante do ponto de vista do direito de defesa, de eles poderem apresentar a sua vers?o dos fatos. Para mim, essa estrat?gia pode fazer sentido juridicamente, embora, do ponto de vista da imagem, seja p?ssima, porque quem fala que n?o tem nada a declarar em geral ? quem ? culpado. Se eles fossem inocentes, apresentariam a sua vers?o dos fatos." O general Nilton Cerqueira comandava a Pol?cia Militar do Rio de Janeiro na ?poca do atentado do Riocentro, em 1981, e h? um of?cio em seu nome que pede a retirada do policiamento no dia do show em que ocorreria o atentado. Em outra audi?ncia p?blica sobre o caso, a CNV apontou essa estrat?gia como uma das formas de contribuir com o clima de terror no epis?dio, em que a bomba acabou explodindo no carro com os militares dentro. A participa??o de Nilton tamb?m ? apontada no Araguaia e na Opera??o Paju?ara, em que foi morto o l?der militante Carlos Lamarca, na Bahia. "Ele esteve relacionado diretamente a esses eventos. ? protagonista de eventos dram?ticos da hist?ria do Brasil". Mais de dez perguntas foram feitas a Nilton, e nenhuma foi respondida. De acordo com a advogada Rosa Cardoso, integrante da CNV, ele disse apenas que pediu para os jornalista deixarem o sal?o porque "a imprensa distorce tudo" e afirmou "que era um absurdo a comiss?o investigar o fato 30 anos depois". Os irm?os Jacy e Jurandyr s?o apontados como participantes da farsa montada para sustentar a vers?o de que o deputado Rubens Paiva foi resgatado por guerrilheiros e fugiu, encobrindo o fato de ter sido torturado e morto. "Estavam vinculados ao DOI-Codi e participaram diretamente da opera??o de simula??o da fuga de Rubens Paiva. Depois, a comiss?o apurou que Rubens Paiva n?o fugiu, foi executado no DOI-Codi, e o que se fez foi forjar a fuga do parlamentar. Os capit?es Jacy e Jurandyr tiveram participa??o direta no evento, como foi relatado por um colega deles." Antes do depoimento de Jurandyr, membros da CNV chegaram a insistir que ele falasse, e, se n?o fosse falar, que a imprensa pudesse acompanhar as perguntas. Em resposta, o militar respondeu apenas que "permaneceria calado" e que "preferia a aus?ncia da imprensa". O jurista Jo?o Paulo Cavalcanti Filho, que pediu a perman?ncia da imprensa, classificou a posi??o de uma "deseleg?ncia", j? que os jornalistas tiveram que sair do sal?o no in?cio de cada depoimento. Cinegrafistas e fot?grafos foram impedidos pela seguran?a pela Pol?cia Federal de fazer imagens do embarque dos dois ?ltimos depoentes, Jacy e Jurandyr, em carros no p?tio interno do Arquivo Nacional.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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