O ex-presidente Luiz In?cio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (14/08) que ontem "n?o tinha condi?es de falar" com a imprensa sobre a morte do ex-governador e candidato ? Presid?ncia pelo PSB, Eduardo Campos. "Todos voc?s sabem que a minha rela??o com o Eduardo Campos extrapolava a pol?tica, n?s ?ramos mais do que dois pol?ticos amigos, n?s ?ramos dois companheiros", disse Lula.
Ele convocou uma coletiva para registrar seus sentimentos em rela??o ? trag?dia que vitimou Campos. "Eu acho que nenhum ser humano est? preparado para receber a not?cia que ontem eu recebi da presidente Dilma [Rousseff]", disse.
Lula destacou que teve o prazer de conhecer Campos ainda muito jovem por conta de sua rela??o com o seu av? Miguel Arraes. "Tive o prazer de conhecer [Campos] ainda muito menino, o prazer de ter afinidade ideol?gica com o seu av? e tive a oportunidade de conviver com a sua m?e, a sua mulher e seus filhos."
O ex-presidente afirmou que antes de fazer qualquer declara??o queria conversar com a fam?lia do ex-governador. "Ontem eu falei com a m?e do Eduardo Campos [Ana Arraes]. Hoje eu falei com a Renata [esposa] para dar um beijo nas crian?as, eu sei o que ela est? passando, sei o que as crian?as est?o sentindo", disse.
Lula destacou que o pa?s perdeu uma importante figura pol?tica. "O Brasil n?o merecia isso. O Eduardo Campos era uma figura extremamente promissora. O Brasil perdeu um pol?tico excepcional", afirmou. "N?s s? temos que guardar dele lembran?as de um homem merecedor de tudo que ele conquistou e um homem que poderia conquistar muito mais."
Segundo Lula, muitas vezes "? f?cil a gente falar das pessoas quando morrem porque parece que todo mundo fica bom". "Mas o Eduardo era excepcional", refor?ou, visivelmente emocionado.
O ex-presidente disse ainda que sempre que conversava com Campos fazia quest?o de ressaltar que nenhuma diverg?ncia no campo pol?tico seria capaz de "arranhar a rela??o de amizades que n?s constru?mos". "Eu digo sempre: nem todo irm?o ? um grande companheiro, mas todo companheiro ? um grande irm?o", afirmou Lula.
Ciumeira
Lula destacou tamb?m que a forte liga??o que mantinha com Campos chegou a gerar inclusive ci?mes em alguns petistas. "Eu lembro at? de uma certa ciumeira que existia dentro do PT pela minha rela??o com Eduardo quando ele era governador de Pernambuco", disse. "Alguns amigos diziam que eu fazia mais coisa para Pernambuco do que para outros Estados, o que n?o era verdade. Era que o Eduardo tinha compet?ncia, apresentava projetos", disse.
Lula afirmou ainda que Campos era uma pessoa "alegre" e lembrou sua habilidade como contador de hist?rias. "Ele era um contador de causos extraordin?rio, era gratificante passar algumas horas na casa dele jantando com ele, com a fam?lia, com o Suassuna que era outro contador de causo extraordin?rio", disse, referindo-se a Ariano Suassuna, tio da esposa de Campos, que faleceu no m?s passado. "Perdemos o Suassuna, agora perdemos o Eduardo, j? t?nhamos perdido o companheiro Marcelo D?da, que morreu tamb?m muito jovem", lamentou.
Cen?rio
O ex-presidente evitou comentar como ficar? o cen?rio pol?tico ap?s a morte de Campos. "Eu sinceramente n?o quero falar disso agora, temos que esperar um pouco", disse. "Obviamente, mudou a conjuntura pol?tica. Eu n?o sei qual ? o tamanho do impacto, mas n?s vamos esperar", disse.
Ele afirmou que ainda n?o ligou para a ex-ministra Marina Silva, que era companheira de chapa de Eduardo, no entanto, informou que tentou falar com lideran?as do PSB. "Estou tentando falar agora com o Roberto Amaral, que ? o vice-presidente do PSB, ele estava almo?ando. Depois eu vou tentar ligar para a Marina", afirmou. "Eu vi a ontem na entrevista e ela estava realmente muito abatida".
Lula disse ter apre?o por Marina, h? 30 e poucos anos, como fundadora do PT, como ministra, como candidata. "Eu nunca misturei a minha rela??o de amizade com as coisas pol?ticas", refor?ou.
O ex-presidente disse que est? esperando o resultado do IML para ir a Pernambuco participar do enterro de Campos e "prestar as ?ltimas homenagens ?quele companheiro que jamais poderia ter morrido, muito menos da forma que ele morreu".