
Para a ministra das mulheres, da igualdade racial e dos direitos humanos, Nilma Lino Gomes, a repercuss?o causada pela foto de uma fam?lia com fantasias de Alladin (pai), o macaco Abu (filho) e a princesa Jasmine (m?e) ? uma oportunidade para reflex?o e reeduca??o. O caso foi tachado como racismo porque a crian?a, de dois estava, vestida de macaco.
“O processo de igualdade racial, as quest?es de discrimina??o no Brasil s?o processos reeducativos. Ent?o n?s tamb?m podemos reeducar a sociedade brasileira no tratamento com as diferen?as porque muitas vezes eu posso achar que aquilo ? algo natural, que n?o tem nada a ver, mas simbolicamente eu posso estar sim ofendendo um grupo ?tnico, uma ra?a”, disse a ministra durante visita ao Piau? nesse s?bado (14) para a mobiliza??o nacional do 'Zika Zero'.
No dia 7 de fevereiro, o produtor de teatro Fernando Bustamante e sua mulher C?ntia sa?ram fantasiados com o filho de dois anos vestido do macaquinho amigo de Alladin. A associa??o da imagem da crian?a negra, que foi postada no Facebook, com o macaco foi alvo de muitas cr?ticas e apontada como “racismo” por alguns internautas.
Perguntada pelo G1 se o caso, uma crian?a negra estar fantasiada de macaco, pode ser considerado racismo, a ministra Nilma evitou dar uma resposta direta.
“O preconceito no Brasil tem uma dimens?o muito forte, principalmente simb?lica, e est? no nosso imagin?rio. Muitas vezes eu acho que ? uma simples brincadeira e n?o estou com essa inten??o de ofender ningu?m, mas, sabendo que n?s temos um imagin?rio racial e pr?ticas racistas, eu diria que n?s precisamos tomar cuidado com a diferen?a, tomar cuidado com o outro, tomar cuidado com qual mensagem n?s queremos passar. Acho que essa situa??o ? um momento de n?s avan?armos na supera??o do racismo no Brasil”, disse.
Fernando Bustamante conversou com o G1 sobre o epis?dio, e disse que "jamais, em hip?tese nenhuma, foi racismo. ? surreal pensarem que foi intencional ou que foi nossa vontade expor o Mateus desta maneira”. O produtor de teatro disse que a escolha das personagens teve como motivo mostrar uma grande fam?lia.
“Ele [Alladin] n?o tem filho, tem um melhor amigo. Est? sempre com ele, ajuda a conquistar o que quer. E a figura do filho est? representado no amor, que ? um macaco. Partiu do principio de representar uma fam?lia”, disse.
Questionada se o racismo est? na atitude do casal ou no p?blico que achou isso um ato preconceituoso, a ministra Nilma mais uma vez evitou ser direta e preferiu indicar que o momento deve ser usado para discuss?o sobre como acabar com as pr?ticas discriminat?rias.
“A sociedade brasileira foi colonizada com uma ?nfase muito grande na coloniza??o do outro, do diferente, das diferen?as. O que eu quero dizer ? que n?o s? nas nossas pr?ticas, mas no nosso imagin?rio, na nossa cultura, o racismo est? presente. Muitas vezes ele est? de forma inconsciente. ?s vezes, um fen?meno ou outro ? um bom momento para refletir sobre a quest?o do racismo no Brasil e como ele pode estar naturalizado na nossa cabe?a”, finalizou.