S?O PAULO — O juiz S?rgio Moro colocou nesta quinta-feira sob sigilo todos os documentos da 26? da Opera??o Lava-Jato, batizada de “Xepa”, relativos ao sistema de contabilidade paralela da Odebrecht revelados pela ex-secret?ria da empresa Maria L?cia Tavares. Este ? o segundo procedimento envolvendo listas com nomes de pol?ticos encontradas com funcion?rios da Odebrecht ao qual juiz limita o acesso.
Os motivos para a nova restri??o imposta a documentos da Lava-Jato ainda n?o foram revelados por Moro. Ontem pela manh?, o juiz j? havia colocado em sigilos planilhas anexadas pela Pol?cia Federal ao inqu?rito da 23? fase, batizada de “Acaraj?”. Os dados revelam uma lista com mais de 200 pol?ticos, entre eles pessoas com prerrogativa de foro.
O ministro do Supremo Teori Zavascki determinou ontem que Moro enviasse para o tribunal as investiga?es sobre o ex-presidente Luiz In?cio Lula da Silva e decretou o sigilo das intercepta?es telef?nicas do ex-presidente.
Na quarta-feira ? noite, o GLOBO cruzou as planilhas das duas fases e mostrou que o ex-governador do Rio, S?rgio Cabral (PMDB), pode ser um dos benefici?rios finais do pagamento de propina relativos a obras da linha 4 do Metr? do Rio de Janeiro.
As planilhas encontradas com o presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto J?nior, revelam que o nome de Cabral aparece na lista associado ao codinome “Pr?ximus” seguido do n?mero “500”.
Na ter?a-feira, durante a "Xepa", a PF havia anexado outra planilha colocada hoje em sigilo. Nela, uma pessoa com o mesmo apelido era destinat?ria de pelo menos quatro parcelas no valor de R$ 500 mil, cada uma, em 2014. Em software da propina, ‘Pr?ximus’ aparece como recebedor de pagamento.
O suposto repasse a Cabral foi feito atrav?s de uma emiss?ria identificada como Olivia Vieira, que aparece como intermedi?ria dos pagamentos para as obras do metr? do Rio. Ol?via, segundo os investigadores, seria uma funcion?ria da Odebrecht que teria sido nomeada diretora da concession?ria Rio Barra, justamente a que vai operar a linha 4 do Metr? do Rio.
Procurada, a assessoria do ex-governador informou que “todas as contribui?es das campanhas eleitorais do ex-governador S?rgio Cabral foram de acordo com o que estabelece a lei”. Cabral n?o foi candidato em 2014, ano encontrado na planilha e, por tanto, n?o teve contas declaradas ? Justi?a.