Piaui em Pauta

MPF apura se imóveis em Guarujá são propinas do esquema da Lava Jato.

Publicada em 27 de Janeiro de 2016 às 12h24


O Minist?rio P?blico Federal (MPF) investiga a abertura de offshores (empresas no exterior) e a compra de apartamentos em Guaruj? (SP) para lavar dinheiro do esquema de corrup??o na Petrobras.

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Todos os im?veis do condom?nio Solaris, na praia das Ast?rias, est?o sendo apurados. Familiares de Jo?o Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, podem ter sido beneficiados pela construtora OAS na compra de apartamentos. A c?pula da empreiteira j? foi condenada na Lava Jato.
"Em rela??o ao conjunto Solaris, n?s estamos investigando todas as opera?es desses apartamentos. N?s temos indicativos em rela??o a familiares do Vaccari e tamb?m de uma offshore aberta pela Mossack Fonseca", disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, nesta quarta-feira (27), ao detalhar a 22? fase da Opera??o Lava Jato.

A Pol?cia Federal apura se a empresa Mossack Fonseca abriu offshores para esconder a propriedade de apartamentos que eram da Cooperativa Habitacional dos Banc?rios (Bancoop) e que, em 2009, foram assumidos pela OAS.
Vaccari, que j? presidiu a Bancoop, foi preso pela Lava Jato em 2015 e est? detido na Regi?o Metropolitana de Curitiba.
De acordo com o jornal "O Globo", um dos im?veis do condom?nio Solaris, um triplex, estaria sendo reformado para a fam?lia do ex-presidente Luiz In?cio Lula da Silva. Segundo o MPF, o caso ainda ? investigado.
O procurador afirmou que Lula pode ser investigado caso tenha im?vel no Solaris.

Abertura de empresas
A empresa Mossack Fonseca criou offshores para Renato Duque, ex-diretor de Servi?os da Petrobras, e Pedro Barusco, ex-gerente da mesma ?rea, afirmou o MPF. M?rio Goes, apontado pela Pol?cia Federal como um dos operadores do esquema, tamb?m teria recebido uma empresa no exterior. Os tr?s j? foram condenados na Lava Jato.
"A Mossack Fonseca era uma grande lavadora de dinheiro", disse Carlos dos Santos Lima.
Segundo despacho assinado pelo juiz S?rgio Moro, h? provas contra a empresa, que tem sede no Panam?. "Existentes, portanto, provas, em cogni??o sum?ria, de que a Mossack Fonseca providenciou os servi?os necess?rios para a abertura de off-shores para pelo menos quatro agentes envolvidos no esquema criminoso da Petrobras e que as utilizaram para lavagem de dinheiro."
O MPF ainda n?o sabe o montante de dinheiro movimentado nas empresas no exterior. Manter offshores n?o ? ilegal, mas a falta de declara??o ? Receita Federal constitui crime.
Destrui??o de provas
O texto assinado por Moro diz que a investiga??o interceptou mensagens com orienta??o para destruir documentos. Como exemplo, Moro cita a mensagem de um cliente pedindo para que as empresas sejam fechadas porque o escrit?rio dele havia sido alvo da Pol?cia Federal.
O juiz tamb?m menciona uma mensagem da dirigente da Mossack, orientando um funcion?rios a destruir provas. Ela disse: "Tire todos os pap?is do escrit?rio, nomes de clientes, documentos a entregar, agendas telef?nicas, e apague do computador tudo o que puder, inclusive, apague os favoritos da m?quina."
Pris?o em SP
A publicit?ria Nelci Warken, presa nesta quarta-feira em S?o Paulo, seria uma "laranja" do esquema, de acordo com o procurador (veja o v?deo abaixo). Ela prestou servi?os de marketing ? Bancoop era dona de offshores e empresas no Brasil – uma delas, a Paulista Lime Publicidade, fica em um terreno baldio, segundo o MPF. A suspeita ainda deve prestar depoimento.
Nelci apareceu, nas investiga?es, como respons?vel por um triplex no condom?nio Solaris, embora ele tivesse sido transferido ? Murray Holdings, uma offshore da Mossack Fonseca. Intercepta?es telef?nicas comprovaram que ela afirmava ser dona do apartamento e que pagou por reformas feitas nele.
Segundo a advogada de Nelci, ela n?o tem nenhuma rela??o com a OAS e diz que a compra do apartamento foi regular.

Triplo X
A 22? fase da Lava Jato foi deflagrada na manh? desta quarta. Ao todo, esta fase da Lava Jato tinha 23 mandados. De acordo com a Pol?cia Federal, at? as 11h30, dos seis mandados de pris?o tempor?ria, tr?s haviam sido cumpridos. Dois investigados est?o fora do pa?s e um n?o foi localizado. Ainda h? mandados em andamento.
Em S?o Paulo, a a??o ocorre na capital, Santo Andr? e S?o Bernardo do Campo. Em Santa Catarina, ocorre em Joa?aba.
Entre os crimes investigados na atual fase est?o corrup??o, fraude, evas?o de divisas e lavagem de dinheiro. Oitenta policiais participam da a??o.



A pris?o tempor?ria tem prazo de cinco dias e pode ser prorrogada pelo mesmo per?odo ou convertida em preventiva, que ? quando o investigado fica preso ? disposi??o da Justi?a sem prazo pr?-determinado. Os presos ser?o levados para a Superintend?ncia da PF, em Curitiba.
Segundo o MPF, a empreiteira OAS participava do chamado "clube" de empresas que, por meio de um cartel, fraudava as licita?es da Petrobras. Para conquistar os contratos, as empresas pagavam propina a diretores da Petrobras e a partidos pol?ticos, com a intermedia??o de operadores.
Dirigentes da OAS j? foram condenados por crimes de corrup??o, lavagem de dinheiro e associa??o criminosa.
Tags: MPF apura se imóveis - O Ministério Público

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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