
?As dela?es premiadas do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef s?o o ponto de partida das investiga?es.
O Minist?rio P?blico Federal dividiu a estrutura da suposta organiza??o criminosa em quatro n?cleos: pol?tico, administrativo, econ?mico e financeiro.
Segundo a Procuradoria-Geral da Rep?blica, o n?cleo pol?tico era formado principalmente por parlamentares que indicavam funcion?rios de alto escal?o na Petrobras, em especial diretores, que formavam o chamado n?cleo administrativo:
- Paulo Roberto Costa foi indicado pelo Partido Progressista
- O ex-diretor de Servi?os Renato Duque foi indica??o do PT
- O ex-diretor da ?rea internacional da estatal, Nestor Cerver?, do PMDB
Os diretores, segundo as investiga?es, recebiam propina das empreiteiras, que atuavam em cartel em obras da Petrobras. Elas se reuniam no chamado n?cleo econ?mico, de acordo com o Minist?rio P?blico.
Entre as empresas citadas nas investiga?es, est?o Galv?o Engenharia, Odebrecht, UTC, Camargo Corr?a, Techint, Andrade Gutierrez, Mendes J?nior, Promon, MPE, Skanska, Queiroz Galv?o, Iesa, Engevix, Setal, GDK e OAS.
De acordo com o Minist?rio P?blico Federal, as empresas passavam dinheiro para os operadores do esquema - o n?cleo financeiro - que tinha a fun??o de repassar esses valores para os pol?ticos e diretores da Petrobras.
Segundo as investiga?es, esses pagamentos eram feitos por Alberto Youssef para o PP, Fernando Soares, o Fernando baiano, para o PMDB, e Jo?o Vaccari Neto para o PT.
Al?m dos ind?cios de corrup??o e de lavagem de dinheiro, procuradores e policiais federais v?o investigar se parlamentares cometeram crime de quadrilha. Em dela??o premiada, o doleiro Alberto Youssef disse que parte do dinheiro desviado da Petrobras era repassada a pol?ticos de maneira peri?dica. Mas tamb?m havia pagamentos espor?dicos durante campanhas eleitorais ou em ?poca de escolha das lideran?as dos partidos.
Em troca desse dinheiro extra, esses pol?ticos apoiavam a perman?ncia dos diretores da Petrobras no cargo e n?o interferiam no cartel das empresas.
Youssef tamb?m contou em detalhes como funcionava a distribui??o de propina dentro do Partido Progressista, o que ter? mais pol?ticos investigados. Segundo Youssef, nem todos recebiam o mesmo valor: quem mandava mais, ganhava mais.
Quando o esquema foi criado, o ent?o l?der do PP na C?mara, Jos? Janene, que morreu em 2010, recebia a maior parte da propina. As demais lideran?as, Jo?o Pizzolatti, Pedro Corr?a, Mario Negromonte e Nelson Meurer recebiam um percentual dos recursos desviados, de R$ 250 mil a R$ 500 mil mensais. Os outros parlamentares do PP envolvidos no esquema recebiam entre R$ 10 mil e R$ 150 mil por m?s, conforme a for?a pol?tica de cada um no partido. A maior parte do dinheiro vinha de contratos da Petrobras, segundo as investiga?es.
Mas nem sempre essa divis?o era pac?fica. Em pelo menos um momento, houve disputa dentro do pr?prio partido por causa da divis?o da propina, segundo as revela?es do doleiro. Youssef conta que, depois da morte de Janene, o grupo formado por Nelson Meuer, Jo?o Pizzolati, Mario Negromonte e Pedro Corr?a passou a ficar com a maior parte do dinheiro desviado da Petrobras, em detrimento de outros membros da bancada do PP.
Outro grupo do Partido Progressista, formado por Ciro Nogueira, Arthur Lira, Benedito de Lira, Eduardo da Fonte e Aguinaldo Ribeiro, n?o gostou: se rebelou e assumiu a lideran?a da legenda.
Paulo Roberto Costa disse que se reuniu com esse grupo no Rio de Janeiro e foi informado de que os repasses da Petrobras deveriam a partir daquele momento ser feitos diretamente a Arthur Lira, na ?poca l?der do PP.
A rela??o de Paulo Roberto com o PP era t?o pr?xima que em 2011 ele recebeu de presente um rel?gio Rolex, uma homenagem ao “homem do Partido Progressista dentro da Petrobras”.
Mas Paulo Roberto tamb?m serviu a outros partidos. O ex-diretor da Petrobras e o doleiro Alberto Youssef contaram que depois de um per?odo em que ficou doente, Paulo Roberto Costa recebeu apoio de senadores do PMDB para n?o ser afastado da diretoria da Petrobras. A partir da?, o partido tamb?m passou a receber uma parcela das comiss?es de contratos da Petrobras.
O tesoureiro do PT, Jo?o Vaccari, ? citado no depoimento do ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco. Barusco, que tamb?m fez dela??o premiada, estima que foi pago de US$ 150 milh?es a US$ 200 milh?es ao PT, entre 2003 e 2013, com a participa??o de Jo?o Vaccari Neto.
Os delatores tamb?m citam o PSDB nos depoimentos. Paulo Roberto Costa afirmou que se reuniu em 2010 com o deputado Eduardo da Fonte, do PP, e o ent?o presidente do PSDB, S?rgio Guerra, j? falecido. Nesse encontro, eles teriam decidido pagar R$ 10 milh?es ao PSDB para que fosse barrada a instala??o de uma CPI que investigaria contratos da Petrobras.
O Partido Progressista afirmou que n?o compactua com atos il?citos e que confia na apura??o da Justi?a, para que a verdade prevale?a.
O Jornal Nacional tamb?m ouviu os pol?ticos do PP citados na reportagem.
O ex-ministro das Cidades, M?rio Negromonte, disse que tem convic??o de que as investiga?es confirmar?o a completa inconsist?ncia dos ind?cios supostamente relacionados a ele.
O senador Ciro Nogueira disse que n?o compactuou com qualquer ilegalidade e que contesta com veem?ncia as acusa?es a seu respeito.
O senador Benedito de Lira disse que nunca participou de discuss?o no comando partid?rio ou combinou maus feitos com os demais citados e que vai provar a sua inoc?ncia.
O deputado Eduardo da Fonte disse que s? vai se pronunciar quando tiver conhecimento do teor da peti??o.
O deputado Aguinaldo Ribeiro tamb?m disse que s? vai se pronunciar quando tiver conhecimento sobre o teor da peti??o, mas afirmou que est? tranquilo.
O advogado do ex-deputado Jo?o Pizzolatti disse que ainda n?o conhece o teor do processo.
O advogado de Pedro Corr?a disse que o ex-deputado n?o tinha mandato durante a investiga??o da Opera??o Lava-Jato e que, por isso, n?o caberia a inclus?o do nome dele na lista. Pedro Corr?a foi condenado no Mensal?o do PT e cumpre pena no pres?dio de Canhotinho, no interior de Pernambuco.
Os deputados Arthur Lira e Nelson Meurer n?o foram localizados.
O PMDB negou veementemente as den?ncias e informou que jamais autorizou quem quer que seja a agir como intermedi?rio.
A defesa de Fernando Soares, o Fernando Baiano, n?o foi localizada.
Em nota, o PT declarou que todos os investigados devem ter direito a ampla defesa e que apoia o prosseguimento das investiga?es de forma completa e rigorosa.
O tesoureiro do PT, Jo?o Vaccari Neto, vem negando as irregularidades e disse que sempre esteve ? disposi??o das autoridades para prestar qualquer esclarecimento.
Em nota, o PSDB disse que vai tomar as medidas necess?rias ap?s an?lise de cada caso e que recebeu a divulga??o da lista com a serenidade e a responsabilidade de um partido que sempre se dedicou ? coisa p?blica com zelo e corre??o.