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Nomeada pelo Congresso para substituir presidente do Peru, Mercedes Aráoz renuncia.

Publicada em 02 de Outubro de 2019 às 00h25


Nomeada pelo Congresso para substituir Mart?n Viscarra na Presid?ncia do Peru, Mercedes Ar?oz renunciou na noite desta ter?a-feira (1?).

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"Decidi renunciar irrevogavelmente ao cargo de Vice-Presidente Constitucional da Rep?blica. Espero que minha demiss?o leve ? convoca??o de elei?es gerais no menor prazo para o bem do pa?s", escreveu ela no Twitter nesta.

A disputa entre o presidente do Peru, Mart?n Vizcarra, e o Congresso havia levado o pa?s a um grave impasse institucional na segunda-feira (30). Ap?s o l?der dissolver o parlamento e convocar novas elei?es para 2020, o Congresso respondeu suspendendo-o temporariamente e nomeou sua vice, Mercedes Ar?oz, para ocupar o cargo.

A crise pol?tica peruana se agravou quando Mart?n Vizcarra tentou alterar o modelo de escolha dos membros do Tribunal Constitucional em uma manobra para evitar que a corte fosse controlada pela oposi??o.

O Congresso, que ? controlado pela oposi??o fujimorista e que indica os novos nomes para o Tribunal Constitucional, ignorou o projeto presidencial. Face ? resist?ncia dos parlamentares, Vizcarra dissolveu o parlamento e convocou elei?es parlamentares.

Logo em seguida, o Congresso aprovou a suspens?o "tempor?ria" de V?zcarra por "incapacidade moral" e nomeou para seu lugar a vice-presidente Mercedes Ar?oz. Ela prestou juramento imediatamente depois.

For?a Armadas
A escalada da crise levou os respons?veis pelas For?as Armadas e pela Pol?cia Nacional a se reunirem com Vizcarra para demonstrar "seu total apoio ? ordem constitucional e ao presidente".

Quando come?ou a tens?o pol?tica neste governo?
O pa?s est? dividido politicamente desde as elei?es de 2016, quando Pedro Pablo Kuczynski venceu Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, por uma margem pequena de votos.

Encurralado pelo esc?ndalo de corrup??o envolvendo a construtora brasileira Odebrecht e pela forte oposi??o do Congresso, Kuczynski renunciou em mar?o de 2018, ap?s 1 ano e 7 meses no poder.

Em seu lugar assumiu o seu vice, Mart?n Vizcarra, que enfrenta desde ent?o um cerco permanente da oposi??o. O mais recente dos embates entre o Executivo e o Legislativo ocorreu no in?cio desta semana.

Por que o governo prop?e mudan?as para o Tribunal Constitucional?
Vizcarra ganhou grande popularidade ao liderar uma cruzada contra a corrup??o em um pa?s onde os quatro presidentes anteriores foram investigados por recebimento de benef?cios da Odebrecht. Um deles, Alan Garc?a, se matou para evitar a pris?o.

O Tribunal Constitucional ? encarregado de interpretar a Carta Magna e funciona como ?ltima inst?ncia judicial para entrar com recursos.

Na avalia??o de Vizcarra e de juristas independentes, o processo de renova??o dessa corte n?o tem transpar?ncia. Seis dos nove candidatos foram denunciados ? Justi?a.

Por que Vizcarra dissolveu o Congresso e convocou novas elei?es?

Na sexta-feira (27), em uma tentativa de barrar a elei??o dos novos integrantes para o tribunal, o governo apresentou ao Congresso um projeto de reforma e de voto de confian?a. Na segunda, o Congresso decidiu ignorar o pedido do presidente.

A Junta de Porta-Vozes do Congresso prosseguiu com a sess?o como ela estava prevista – primeiro elegeria os magistrados e depois avaliaria a mo??o de confian?a. Durante a sess?o, foi eleito um magistrado: um primo do presidente do Congresso, o advogado Gonzalo Ortiz de Zevallos com 87 votos, o m?nimo necess?rio.

Por?m, a congressista de esquerda Mar?a Elena Foronda afirmou que seu voto foi fraudado e apareceu como favor?vel na contagem (o oposto do que ela disse ter votado). Ela cobrou uma investiga??o do Minist?rio P?blico. Protestos obrigaram o adiamento da escolha dos outros cinco nomes.


Vizcarra decidiu, ent?o, dissolver o Congresso por considerar que os parlamentares ignoraram o seu questionamento.

"Diante da nega??o factual de confian?a, decidi dissolver o Congresso e convocar elei?es de congressistas da rep?blica", afirmou.
No entanto, de acordo com a BBC, segundos antes de Vizcarra anunciar novas elei?es, os parlamentares aprova??o a mo??o de confian?a do presidente e declararam que, dessa maneira, a dissolu??o do Congresso n?o teria respaldo da Constitui??o.

Vizcarra pode dissolver o Congresso?
Em pronunciamento televisionado, Vizcarra anunciou que a dissolu??o do Congresso est? dentro de suas prerrogativas constitucionais e com essa medida busca "dar fim a esta fase de aprisionamento pol?tico que impede o Peru de se desenvolver no ritmo de suas possibilidades".

A Constitui??o do Peru prev? em seu artigo 134 a possibilidade de o presidente dissolver o Congresso caso "este tenha censurado ou negado duas mo?es de confian?a do Conselho de ministros". Esta foi a terceira medida do tipo apresentada em menos de um ano, de acordo com a BBC.

Em seu an?ncio, o presidente peruano afirmou tamb?m esperar que "essa medida excepcional permita que os cidad?os finalmente se expressem e se posicionem nas urnas, e por meio dessa participa??o, no futuro de nosso pa?s".

As elei?es foram marcadas para 26 de janeiro de 2020, segundo decreto publicado em edi??o extraordin?ria no Di?rio Oficial. A legislatura atual do Congresso foi eleita em 2016 para um per?odo que terminaria em 2021.

Uma dissolu??o do Congresso no Peru n?o ocorria desde 5 de abril de 1992, quando o ent?o presidente, Alberto Fujimori, deu um "autogolpe" e assumiu plenos poderes com o apoio das For?as Armadas. Desta vez, no entanto, Vizcarra tem o amparo da Constitui??o para dar esse passo.

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Fonte: GLOBO  |  Publicado por: Da Redação
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