Piaui em Pauta

Número de mortes induzidas em hospital de Curitiba pode ser maior.

Publicada em 24 de Março de 2013 às 23h12


?O Fant?stico voltou ao caso das mortes suspeitas na UTI de um hospital em Curitiba.
Entrevistamos, com exclusividade, o auditor do Minist?rio da Sa?de que coordena a sindic?ncia na unidade. Ele diz que o n?mero de v?timas pode ser ainda maior.
A morte de Ivo Spitzner em janeiro deste ano ? um dos sete casos do processo contra a m?dica Virg?nia Helena Soares de Souza, ex-chefe da UTI do Hospital Evang?lico, em Curitiba.
Al?m dessas, o Minist?rio P?blico investiga outras 20 mortes ocorridas no tratamento intensivo da institui??o. Mas para o doutor M?rio Lobato, auditor do Minist?rio da Sa?de e coordenador da sindic?ncia aberta no hospital, o n?mero de mortes suspeitas ? muito maior, como ele conta nesta entrevista exclusiva.
“S?o mais de 20 casos j?, e n?s temos quase 300 j? para fazer o fechamento”, diz Mario Lobato.
A equipe chefiada pelo auditor est? analisando mais de 1,7 mil prontu?rios dos ?ltimos sete anos, e tamb?m as provas do processo. “O depoimento das pessoas que trabalhavam l? dentro confere praticamente, totalmente, com os prontu?rios que foram analisados”, aponta Mario.
Pacientes que precisam de respira??o por aparelhos, como aconteceu com Ivo Spitzner, recebem diferentes percentuais de oxig?nio, conforme a necessidade. Em casos irrevers?veis, a equipe m?dica e a fam?lia podem decidir regular a m?quina para o m?nimo de 21%. Com essa concentra??o, a morte acaba vindo naturalmente - ? o que se chama de ortotan?sia, um procedimento que n?o ? ilegal no brasil.
O prontu?rio de Ivo Spitzner, obtido com exclusividade pelo Fant?stico, mostra que ?s 6h do dia em que morreu, ele recebia oxig?nio a 45%. Duas horas depois, passou a receber 22%, quase o limite m?nimo, sem que a fam?lia soubesse.
Na prescri??o m?dica, ?s 9h39, foram administrados tr?s medicamentos. Um deles ? o Pavulon.
O Pavulon faz todos os m?sculos pararem, inclusive os da respira??o. Quando usado corretamente, ele permite que o aparelho controle toda a respira??o, sem que o corpo precise se esfor?ar.
?s 10h30, uma hora depois de receber as medica?es, ele morreu. Para o Minist?rio P?blico e o coordenador da sindic?ncia, foi essa combina??o de procedimentos que matou Ivo e os outros pacientes da UTI.
“Todos eles o mesmo modus operandi, t?m a mesma rela??o entre a droga e o ?bito, o hor?rio bate”, afirma o Dr. M?rio Lobato.
O doutor M?rio Lobato, cardiopediatra com 30 anos de carreira, revela ainda que alguns dos doentes estavam acordados e conscientes, momentos antes da morte.
“Um deles estava consciente, sob nebuliza??o, n?o estava ligado ao respirador. A outra foi uma paciente que pediu um copo de ?gua para a enfermeira”.
A m?dica Virg?nia Soares de Souza foi solta esta semana, depois de um m?s em uma pris?o especial. Vai responder em liberdade como os outros sete r?us. Nenhum deles quis gravar entrevista.
O advogado de Virg?nia diz que ela n?o fez nada de errado. “N?s poderemos, em breve, provar que tudo que aconteceu naquela UTI tem justificativa na literatura m?dica”, afirma Elias Mattar Assad.
O presidente da Associa??o de Medicina Intensiva Brasileira, Jos? M?rio Meira Teles, se manifestou pela primeira vez desde o in?cio das investiga?es. Ele n?o quis falar sobre nenhum caso espec?fico, mas diz que decis?es normais tomadas numa UTI podem ser mal interpretadas. “A n?o introdu??o de medidas que s?o f?teis, que s?o in?teis ou a retirada de procedimentos que n?o t?m nenhum beneficio ao paciente pode ser interpretado pela promotoria, ?s vezes, como um procedimento que possa apressar, que possa acelerar o processo de morte”, aponta .

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O Minist?rio P?blico anunciou que vai pedir amanh? ? Justi?a que a m?dica Virg?nia Helena Soares de Souza volte para a cadeia. A alega??o ? que a pris?o ? necess?ria para a garantia da ordem p?blica, e para evitar press?o sobre testemunhas.
“Agora eu quero Justi?a”, pede a vi?va de Ivo.
Tags: Número de mortes ind - O Fantástico voltou

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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