Piaui em Pauta

O mercado bilionário da espionagem no Brasil.

Publicada em 02 de Dezembro de 2012 às 16h18


?A Opera??o Durkheim, deflagrada pela Pol?cia Federal na ?ltima semana, lan?ou luz mais uma vez sobre a venda indiscriminada de dados sigilosos no Brasil. A quadrilha tinha bra?os em variados setores e faziam parte dela policiais, funcion?rios de bancos e empresas telef?nicas. As v?timas do esquema podem chegar a 10 000 pessoas, entre as quais estavam o prefeito Gilberto Kassab, um senador, um ex-ministro, dois desembargadores, um banco, uma retransmissora de TV e in?meros empres?rios, que tiveram seus dados violados. Fundamentado na ilegalidade, esse mercado tornou-se pr?spero para seus operadores e para interessados em devassar a vida e os neg?cios alheios. Estudo da RCI - First Security and Intelligence Advising, consultoria em intelig?ncia e seguran?a, estima que o mercado de espionagem tenha movimentado no Brasil 1,7 bilh?o de reais em 2011. A cifra inclui servi?os de empresas e de profissionais, formalizados ou n?o, e investimentos em equipamentos e contraespionagem.

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Regulamentada desde 1957, mas livre de qualquer fiscaliza??o, a profiss?o de detetive particular abarca uma ampla gama de pessoas, nem sempre ?ticas ou bem-intencionadas. Os desvios mais comuns s?o a instala??o de escutas telef?nicas ilegais e a quebra de sigilo banc?rio, obtidas com o suborno de funcion?rios de companhias de telefonia e de institui?es financeiras. “O cl?ssico detetive particular vive sempre numa linha t?nue entre a legalidade e a ilegalidade. Se ele quiser levantar dados de uma pessoa, dentro da legalidade, vai demorar muito tempo, se ? que vai conseguir”, afirma Ricardo Chilelli, especialista em seguran?a e presidente da RCI.

Tamb?m ? comum que ex-policiais e ex-membros de ag?ncias governamentais, em virtude da acessibilidade a dados secretos, componham o furtivo mercado de detetives particulares. A Opera??o Monte Carlo, deflagrada pela Pol?cia Federal em fevereiro deste ano, revelou que o bicheiro Carlinhos Cachoeira contava com ajuda de um araponga para plantar grampos em pessoas do seu interesse. O ex-sargento da Aeron?utica Idalberto Matias de Ara?jo, conhecido por Dad?, foi preso na opera??o, mas, em junho, conseguiu um habeas corpus e est? em liberdade desde ent?o.

A RCI existe h? 22 anos e assessora 25 companhias brasileiras no setor da contraespionagem, para frear o vazamento de informa?es, principalmente das ?reas de planejamento e marketing. “As empresas perdem com espionagem no Brasil de 1 bilh?o de reais a 1,5 bilh?o de reais”, diz Chilelli.

Pesquisa feita com 451 detetives particulares do Brasil aponta que a ?rea de direito de fam?lia representa 41% do mercado nacional. Dentro desse nicho, lideram as demandas por suspeita de adult?rio. ? o caso cl?ssico do desconfiado que coloca um espi?o para acompanhar a rotina do c?njuge, para elucidar suas d?vidas. Mas, segundo Chilelli, os escrit?rios de advocacia tamb?m v?m recorrendo aos artif?cios da espionagem. Eles t?m contratado detetives para reunir dados que podem ser usados em processos de separa??o ou de pens?o aliment?cia. “? uma forma de descobrir o tipo de vida que o espionado leva e qual seu verdadeiro potencial econ?mico”, afirma.

O mundo da espionagem abarca ainda um mercado de dossi?s sobre os mais variados temas e que servem, sobretudo, a empresas. A ?rea est? em franca expans?o e j? representa 39% do mercado da espionagem. Na esfera pol?tica, esses dossi?s as vezes resultam em grandes esc?ndalos, como o que houve nas elei?es presidenciais de 2010, com um documento elaborado a partir da quebra de sigilo fiscal de Ver?nica Serra, filha do ent?o candidato ? presid?ncia Jos? Serra (PSDB). Uma investiga??o da Corregedoria da Receita Federal descobriu que os dados fiscais de Ver?nica foram violados duas vezes – ambas em 2009.

Localiza??o – Outros 10% dos servi?os de espionagem correspondem a pedidos de escrit?rios de advocacia, para a localiza??o de pessoas que constam como partes de processos judicias, mas est?o desaparecidas, o que atrasa o andamento da a??o.

Apesar de alguns escrit?rios de advocacia terem como pr?tica recorrer a espi?es, h? um limite imposto pela lei. Se o servi?o contratado envolver alguma a??o ilegal, como a quebra de sigilo, o advogado ser? tamb?m responsabilizado pelo crime. O presidente do Tribunal de ?tica da seccional S?o Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Carlos Eduardo Fornes Mateucci, afirma que advogados que contratam servi?os il?citos podem ser suspensos por at? 120 dias. A puni??o pode chegar a uma expuls?o da OAB, se houver uma condena??o judicial.

No passado, os detetives particulares eram remunerados por hora de trabalho. Ou seja, quanto mais tempo demorassem em um caso, maior seria o pagamento. Esse cen?rio mudou. Hoje, eles recebem por empreitada. Assim, buscam o maior n?mero poss?vel de clientes e, portanto, a agilidade se tornou crucial no novo sistema. Abre-se, para os maus profissionais, uma brecha para a ilegalidade. Na pr?tica, recursos como as intercepta?es telef?nicas s?o usados com frequ?ncia como atalhos. Continue a ler a reportagem clicando aqui.

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Fonte: veja  |  Publicado por: Da Redação
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