Piaui em Pauta

Palestinos dizem não ter para onde correr para fugir de bombardeios

Publicada em 24 de Julho de 2014 às 07h25


Coluna de fumaça após ataque aéreo israelense Coluna de fumaça após ataque aéreo israelense ?Najah al-Atar viu cair do c?u, h? mais de uma semana, um peda?o de papel em que o Ex?rcito israelense pedia que a fam?lia deixasse sua casa, em Beit Lahiya, no norte de Gaza. Os avi?es que vieram em seguida deixaram cair bombas ali, em vez de avisos. saiba mais Brasil chama de inaceit?vel viol?ncia em Gaza e convoca embaixador ONU acusa Israel de poss?veis crimes de gu??erra em Gaza Companhias de EUA e Europa suspendem voos para Israel Bombardeios de Israel em Gaza j? mataram 121 crian?as, diz Unicef Israel bombardeia sede da Al Jazeera e da ag?ncia de not?cias AP em Gaza Leia mais sobre Israel e Palestina Assustado, o cl? Atar, constitu?do por cerca de 50 familiares, abandonou o local sem carregar nenhum pertence. Ent?o eles se perguntaram –para onde ir? ? a quest?o de milhares de palestinos, trancados em um estreito de terra quatro vezes menor do que o munic?pio de S?o Paulo, submetido a bloqueio terrestre, mar?timo e a?reo. N?o h? abrigo seguro. A opera??o militar israelense, em sua terceira semana, j? deixou 695 palestinos mortos. Do lado israelense, morreram 30 soldados e dois civis. Na faixa de Gaza, civis se refugiam em escolas, mesquitas, igrejas e nos arredores de hospitais. "Foi o lugar mais seguro que encontramos", diz Najah, que vive atualmente no p?tio de uma escola administrada pela ONU, alimentada pela caridade de institui?es e de vizinhos. Mas n?o h? garantia de que ela possa velar seus filhos, ? noite, com a seguran?a de que sobreviver?o. Ibrahim al-Baghtiti fugiu, h? oito dias, do intenso bombardeio no bairro de Shujaya, leste de Gaza. Ele est? no quintal da igreja ortodoxa grega Santo Porf?rio. O templo foi atingido h? tr?s dias, e dois foram mortos, de acordo com testemunhas. Imagem: Mohammed Saber/EfeColuna de fuma?a ap?s ataque a?reo israelense "Eles atacam qualquer coisa", diz um palestino que se identifica ? reportagem apenas como "Al-Gharib" (o estranho, em ?rabe). "Hospitais, escolas, mesquitas. Todos somos alvos." Gharib conta ter caminhado por quatro horas de Shujaya ? igreja. A regi?o de que fugiu foi destru?da pelo Ex?rcito israelense, mas ele segura, durante a entrevista, uma pequena chave –que usa para mostrar o tamanho dos estilha?os do explosivo que caiu ali. "Carrego minhas chaves como os anci?os palestinos, para mostrar que ainda tenho uma casa", diz, referindo-se ? tradi??o local de exibir o artefato desde a expuls?o de palestinos ap?s a cria??o de Israel, em 1948. ? Folha o Ex?rcito de Israel disse que informa aos civis para onde devem se deslocar, em seus avisos. Um panfleto visto pela reportagem mostrava basicamente uma seta indicando uma reta entre Shujaya e a regi?o central de Gaza. "O que ? melhor, ir a um recinto das Na?es Unidas ou continuar em uma zona de combate? Pedimos que escutem as nossas advert?ncias, e n?o as do Hamas, que prefere que eles continuem ali", diz o porta-voz do Ex?rcito Roni Kaplan. "Nos preocupamos muito com a presen?a de civis em zonas de combate." As For?as de Defesa de Israel alertam, tamb?m, com o envio de SMS e telefonemas. Parte dos entrevistados, por?m, diz ter sido avisada "pelos foguetes". A reportagem foi surpreendida, durante uma visita ao hospital de Shifa, pela chegada de uma caravana de ambul?ncias com as v?timas de um recente ataque. Eram dezenas de civis. Enfermeiros carregavam crian?as empoeiradas e ensanguentadas. Uma jovem se lamentava: "meu irm?ozinho, meu irm?ozinho". Familiares preenchiam os corredores com seus gritos. De acordo com a dire??o do hospital, foram 30 feridos e um morto, vindos da regi?o de Shamaa. Havia relatos de uma forte explos?o nos arredores de uma mesquita. O Ex?rcito israelense atacou, tamb?m nesta quarta-feira, o hospital de Wafa, a partir da alega??o de que militantes da fac??o palestina Hamas se escondiam no complexo, disparando dali contra os soldados israelenses. Houve, durante o dia, a esperan?a de uma tr?gua humanit?ria ao redor de Shujaya. A Folha aproximou-se dali, na expectativa de adentrar a regi?o sob embate. Minutos antes do prazo, por?m, cinco foguetes do Hamas cruzaram os c?us. O Ex?rcito israelense atacou alvos em seguida, e ambul?ncias deram meia volta, desistindo de um prospecto de paz.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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