Publicada em 06 de Maio de 2014 às 16h10
De acordo com o estudo, um terço dos aparelhos saiu de circulação, totalizando atuais 875 mil.
?Se hoje temos facilidade para fazer liga?es usando um smartphone em qualquer lugar, antes ?ramos ref?ns de orelh?es e telefones p?blicos. E segundo um levantamento feito pelo site G1, esses equipamentos est?o, aos poucos, desaparecendo das ruas do pa?s. Em m?dia, 120 orelh?es s?o retirados das pra?as e avenidas de cidades de todo o Brasil. De acordo com o estudo, um ter?o dos aparelhos saiu de circula??o, totalizando atuais 875 mil. De acordo com o estudo, um ter?o dos aparelhos saiu de circula??o, totalizando atuais 875 mil – em 2004, eram 1,3 milh?o. S?o cerca de 4,3 orelh?es para cada mil habitantes, perto do m?nimo exigido pelo plano geral de metas para universaliza??o (4 a cada mil), em vigor desde 2011 e v?lido at? o ano que vem. Esse plano ? um conjunto de obriga?es para concession?rias que prestam servi?os de telefonia fixa ampliado para o regime p?blico. Neste caso, as empresas devem oferecer acesso ao servi?o de telecomunica?es a qualquer pessoa, seja qual for sua localiza??o e condi??o socioecon?mica. Em junho ser? colocado para consulta p?blica um novo edital para determinar a quantidade m?nima e densidade de orelh?es espalhados pelo pa?s. Segundo a Ag?ncia Nacional de Telecomunica?es (Anatel), o n?mero de equipamentos nas ruas deve cair ainda mais e chegar a apenas um aparelho para cada mil habitantes no per?odo que vai de 2016 a 2020. Os estados brasileiros com menos orelh?es s?o Roraima (2.620), Amap? (3.068) e Acre (3.201). S?o Paulo ? o estado que possui mais dispositivos (203.698), seguido de Minas Gerais (88.205) e Rio de Janeiro (72.099). O novo plano que est? em discuss?o sugere que a redu??o de orelh?es n?o seja linear em todo o pa?s. Ou seja, locais onde o uso dos aparelhos ? maior poder?o perder menos equipamentos, enquanto localidades com baixo uso dever?o sofrer uma redu??o maior. Mesmo assim, a Anatel acredita que a utiliza??o dos orelh?es continuar? em decl?nio – hoje, s?o realizadas apenas duas chamadas por dia por meio desses aparelhos. Na vis?o da ag?ncia, isso ? resultado de "avan?os tecnol?gicos, como o surgimento da internet, da maci?a utiliza??o dos celulares e de novas necessidades de comunica??o da popula??o". Entidades de defesa do consumidor criticam o projeto de redu??o de orelh?es nas ruas. Maria In?s Dolci, coordenadora institucional do Proteste, afirma que os equipamentos s?o essenciais para todos, principalmente para os cidad?os que t?m pouco acesso ? telefonia fixa (e m?vel). Ela diz que "as empresas t?m o dever de cuidar do patrim?nio e n?o t?m feito isso", o que, consequentemente, prejudica a utiliza??o dos dispositivos. "Se eles [os orelh?es] est?o obsoletos, ? porque n?o trocaram. Se n?o est?o adequados, ? porque n?o houve investimento. Se voc? vai a um orelh?o duas, tr?s vezes e v? que n?o funciona, voc? n?o volta. E o problema ? que n?o h? fiscaliza??o", explica. De acordo com dados atualizados da pr?pria Anatel, cerca de 15% dos orelh?es est?o em manuten??o e, portanto, fora de funcionamento. Juarez Quadros, ex-ministro das Comunica?es e consultor da empresa de consultoria de comunica?es ?rion, afirma que o alto custo ? um dos motivos para a press?o pela redu??o do n?mero m?nimo de orelh?es nas ruas. "O orelh?o tem um custo de manuten??o muito alto em fun??o do vandalismo. As empresas t?m que fazer uma manuten??o adequada em grande parte dos terminais. Isso faz com que haja uma despesa acentuada e a rela??o custo-benef?cio n?o ? prop?cia para manter a planta instalada nas vias p?blicas", diz. Para n?o correrem o risco de serem extintos, os orelh?es precisaram se reinventar. Uma das solu?es encontradas pelas fabricantes dos aparelhos ? configur?-los para realizar liga?es por meio das redes 2G e 3G do celular, al?m de servirem como pontos de internet Wi-Fi. Segundo empresas e especialistas do setor, os equipamentos adotaram padr?es da telefonia m?vel e atendem agora a uma estrat?gia das operadoras, que buscam instalar dispositivos que n?o elevem seus custos de implanta??o. "As operadoras est?o sendo obrigadas a atender ?reas onde n?o h? a linha f?sica ou a linha f?sica fica mais cara do que uma cobertura com o 2G ou 3G", afirma o gerente de projetos especiais da fabricante de orelh?es Icatel, Francisco Matulovic. O executivo ainda diz que o 4G n?o est? nos planos, pelo menos por enquanto, porque "exige uma mudan?a muito grande no aparelho e requer investimento". Os orelh?es com 3G e Wi-Fi s?o similares aos modelos convencionais que j? est?o instalados nas ruas. Segundo Matulovic, os "orelh?es-celular" podem custar at? 50% mais caro devido ?s adapta?es internas, mas tamb?m porque possuem uma bateria interna ligada ? rede el?trica que garante autonomia de at? duas horas em caso de apag?o. O executivo diz que foram entregues cerca de 400 aparelhos 3G para a Telef?nica-Vivo e que outros dispositivos ser?o enviados. Al?m da Icatel, a Urnet Daruma tamb?m possui um modelo pr?prio de orelh?o-celular. A companhia j? fez testes com os equipamentos em S?o Paulo h? tr?s anos, quando testou os aparelhos para serem hotspots de Wi-Fi e terminais multim?dia que fornecem chamadas de videoconfer?ncia e conex?o ? internet. Novos testes devem acontecer no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, a pediido da Oi.