Publicada em 18 de Agosto de 2014 às 07h38
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O dia seguinte ao enterro de Eduardo Campos seria de festa para Renata, que completa, nesta segunda-feira (18), 47 anos – os dois foram um casal durante mais de 34 destes.
"Ele foi o primeiro namorado dela e ela, a primeira namorada dele", conta ao iG Marcos Arraes, tio de Campos e padrinho do casamento dos dois. saiba mais Corpo de Eduardo Campos ? sepultado no Recife Eduardo Campos defende SUS com padr?o ingl?s Campos tenta marcar diferen?as em rela??o a rival A?cio Eduardo e Marina discutem pol?tica econ?mica com especialistas Eduardo Campos quer fatiar reforma tribut?ria e pre?o de combust?vel transparente Leia mais sobre Eduardo Campos
Filha do m?dico Cyro de Andrade Lima e de Rejane de Andrade Lima, Renata estudou economia e entrou, via concurso, para o Tribunal de Contas de Pernambuco. Quando Campos assumiu o governo, em 2007, afastou-se do cargo, e aproveitou a condi??o de de primeira-dama – inclusive os holofotes que o guarda-roupa do cargo ganham – para promover a cultura local.
Normalmente vista trajando acess?rios regionais, Renata teve papel ativo na formula??o do Programa Artesanato de Pernambuco (Pape) e na cria??o da Fenearte, considerada a maior feira de artesanato da Am?rica Latina pelo governo do Estado.
Vocacionada ? maternidade
Renata acompanhou o marido sempre que p?de: esteve presente em praticamente todos os eventos p?blicos do qual Campos participou enquanto governador e candidato. Nunca, por?m, desgrudou-se dos filhos. Se nesta elei??o ela aparece com Miguel, nascido em janeiro, na campanha de 2006 ela seguia o marido pelo interior de Pernambuco amamentando Jos?, que deu ? luz dois anos antes.
"Nunca voc? vai ver uma foto dela com o ca?ula e uma bab? junto. Ela nunca teve bab?. Sempre cuidou ela mesma das crian?as, sempre", diz Arraes, o padrinho do casal."? ela que vai trocar fralda, dar banho."
Interlocutores que viajaram com o casal nos ?ltimos meses dizem que a primeira impress?o que se tem de Renata ? de uma mulher vocacionada para a maternidade. Sempre em contato com os quatro filhos mais velhos, n?o desgruda do mais novo, Miguel, portador de s?ndrome de Down.
Miguelzinho, como ? tratado por Renata, parece uma extens?o de seu corpo. Na viagem de segunda-feira (11) para o Rio de Janeiro – a ?ltima que fez com o marido –, ela dizia que o beb? era mesmo como parte de si. Em uma conversa descontra?da com Campos, Marina e alguns membros da campanha, ela foi categ?rica ao dizer que nasceu para ser m?e e que lhe dava uma certa tristeza saber que Miguelzinho seria seu ?ltimo filho.
Renata tamb?m n?o descuidou de Campos, que come?ou a namorar aos 13 anos – ele tinha 15. Considerada o porto seguro do ex-governador, sabia dividir os conselhos pol?ticos com o papel de esposa. Jamais misturava as coisas. Campos tamb?m era dedicado. H? poucos dias, abandonou uma reuni?o de campanha quando soube que Renata passara mal em raz?o de uma crise de press?o alta.
Presente na primeira grava??o do programa eleitoral, na mans?o de Campos, um interlocutor se recorda da maratona que foi aquele dia. A equipe chegou ?s 9h para iniciar as grava?es, que se estenderam at? as 23h. Sob a coordena??o de Renata, a cozinha serviu caf?, almo?o, lanche da tarde, janta e ceia.
Com Miguelzinho no colo, ela se revezava entre as orienta?es aos empregados e os detalhes da grava??o. Amamentava ali mesmo, durante algumas reuni?es. Muito atenta a tudo, preferia dar conselhos ao marido reservadamente. Jamais se aproveitava do fato de ser a mulher do candidato para expressar suas opini?es sobre os rumos da grava??o ou da campanha.
Pr?xima de Marina, mas distante de cargo pol?tico
Extremamente politizada, Renata entende os meandros da pol?tica, e todos sabiam de sua influ?ncia sobre as ideias do marido. Mesmo assim, n?o ? vista como administradora p?blica e nunca esbo?ou esse desejo, o que enfraquece a tese de que seria uma op??o para a vaga de vice de Marina.
"Ela ? m?e de um beb? de seis meses agora. M?e e pai, agora", diz um integrante da campanha do PSB ? Presid?ncia, sob condi??o de anonimato.
Ap?s dez meses de conviv?ncia, Renata acabou se tornando amiga pessoal da ex-senadora e principal defensora de sua candidatura. Partiu dela a recomenda??o para que o irm?o de Campos, Ant?nio Campos, defendesse publicamente que Marina tomasse o lugar do irm?o na cabe?a de chapa.
Interlocutores ligados ? vice negam que ela tenha indicado Renata para ocupar seu lugar, mas faz quest?o de que ela tome parte na campanha, subindo em palanques em nome do marido e arregimentando aliados no PSB.
Renata tamb?m ? religiosa. Foi a respons?vel por decorar o casar?o da fam?lia, que ocupa meio quarteir?o no bairro nobre de Dois Irm?os, nos fundos da casa do pai. As imagens sacras est?o por toda a parte, principalmente na sala de estar e acessos a outros c?modos.
Segundo amigos da fam?lia, Campos aprendeu a ler a B?blia recentemente por influ?ncia do filho Jo?o Henrique Campos, considerado seu sucessor pol?tico. O garoto, de 20 anos, passou a frequentar um templo da Assembleia de Deus no centro de Recife, e teria levado o pai a pelo menos tr?s cultos.
Aos s?bados, Renata costuma levar os filhos para passear no Shopping Plaza Casa Forte, centro de compras da elite local. Sempre a bordo de um Hilux prateado, a fam?lia estacionava entre dois carros pretos, repletos de seguran?as. Nessas ocasi?es, o filho chamava mais a aten??o. Havia sempre algu?m para gritar “olha o filho do governador”.
Por lei, ainda n?o se sabe se Renata retomar? o cargo de auditora do Tribunal de Contas de Pernambuco, do qual se afastou para ser primeira-dama de Pernambuco e, potencialmente, do Brasil. As f?rias, que ela emendou na licen?a-maternidade em raz?o do nascimento de Miguel, terminam neste m?s.