?O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, afirmou nesta segunda-feira (29) que a empresa vai revisar os cadastros de seus fornecedores "para que haja seguran?a na execu??o de projetos". Por?m, ele afirmou que a medida n?o tem rela??o com as investiga?es da Opera??o Lava Jato, que desarticulou um cartel de empreiteiras que prestavam servi?o para a estatal.
A declara??o foi feita durante a apresenta??o do novo plano de neg?cios e investimentos, que tem como meta frear o endividamento da companhia. O endividamento l?quido da Petrobras saltou de R$ 282 bilh?es no t?rmino de 2014 para R$ 332 bilh?es no final do 1? trimestre deste ano.
“Ser?o aplicadas regras de compliance (governan?a) e medidas protetivas de maior robustez com fornecedores para dar seguran?a na execu??o de projetos. Vai ser feito de uma forma ampla, caso n?o tenhamos capacidade de fazer isso no Brasil, podemos buscar alternativas at? no mercado externo”, disse o presidente da Petrobras.
O Plano de Neg?cios e Gest?o 2015-2019 prev? US$ 130,3 bilh?es em investimentos – uma redu??o de 37% na compara??o com o plano anterior, de 2014 a 2018.
Ele foi aprovado na sexta-feira (26) pelo Conselho de Administra??o da estatal e divulgado nesta segunda ao mercado.
"Fizemos um plano robusto, bastante realista diante da nova realidade do setor de petr?leo e g?s. Todas as majors t?m feito uma redu??o no plano de investimento para reduzir sua d?vida", afirmou Bendine.
O presidente da estatal destacou que o plano de neg?cios 2015-2019 foi elaborado com as premissas de ter o pre?o m?dio do Brent em US$ 60 o barril e a taxa de c?mbio entre R$ 3,10 a R$ 3,26 em 2016.
Impacto
Para ele, o maior impacto est? ligado ? proje??o para o mercado de ?leo e g?s no pr?ximos anos.
“O plano foi elaborado em fins de 2013, quando o pre?o do Brent estava em grande evolu??o de US$ 120 o barril. Hoje o barril est? na casa de US$ 60, a quest?o mercadol?gica ? o maior impacto”, disse.
A desalavancagem, segundo o presidente, tem como base a disciplina de capital e refor?ar a gest?o de desempenho. Seu objetivo ? gerar valor para os acionistas, com foco em rentabilidade.
Bendine disse que os c?lculos dos valores de desinvestimento foram conservadores e ele acredita que poder? se surpreender. “Tenho expectativa de ser surpreendido positivamente, assim como acredito em antecipa??o de projetos”, disse.
Leil?es
O presidente afirmou ainda que n?o descarta participar de leil?es de petr?leo, mas “n?o est? computada no fluxo de caixa uma participa??o em leil?o em 2015”. E leil?o de pr?-sal, segundo ele, n?o est? no horizonte da empresa nem em curto, nem em m?dio prazo.
Bendine ressaltou que, dentro do plano, existe margem de financiabilidade para participar de leil?es. “Se o neg?cio interessar, vamos fazer an?lises t?cnicas, mas tem que ver a rela??o custo e benef?cios e postergar endividamento”, disse.
J? a possibilidade de capitaliza??o est? descartada, explicou ele, afirmando que a empresa trabalha fortemente na gera??o de caixa e na busca de efici?ncia e desenvolvimento de novos neg?cios. O presidente disse ainda que a empresa n?o vai detalhar seus projetos de desinvestimento.
Conclus?o do Comperj
Segundo Bendine, a empresa passa a ver o Compexo Petroqu?mico do Rio de Janeiro (Comperj) mais como uma refinaria do que como um polo petroqu?mico. Dessa forma, a Petrobras est? reestruturando a obra na parte da refinaria para encontrar um parceiro e concluir o projeto.
? fundamental ampliar a capacidade de refino. Com parcerias e investidores estrat?gicos, possa haver a evolu??o do segundo trem do Comperj e amplia??o petroqu?mica”, disse Bendine.
Jorge Celestino, diretor de Abastecimento, afirmou que a primeira fase e a infraestrutura do Comperj ficam prontos em outubro de 2017.
A Refinaria Abreu e Lima (Renest) foi replanejada e o segundo trem tem previs?o de obras entre 2017 e 2018, entrando em opera??o em fins de 2018. Dos investimentos em abastecimento, que constam no Plano de Neg?cios da companhia no per?odo de 2015 a 2019, US$ 1,4 bilh?o ? destinado ao t?rmino da Renest.
Entenda o plano
A maior parte dos investimentos – US$ 108,6 bilh?es – ser? feita na ?rea de explora??o e produ??o. Deste valor, 86% ser?o destinados ao desenvolvimento da produ??o, 11% para explora??o e 3% em suporte operacional.
Ser?o investidos US$ 64,4 bilh?es em novos sistemas de produ??o no Brasil – 91% deles no pr?-sal.
As a?es da Petrobras fecharam em queda de mais de 3% nesta ter?a. O Ibovespa recuou 1,86%.
Segundo analistas, o novo plano trouxe premissas realistas e um corte de investimentos em linha com o esperado, mas ainda gera incertezas em rela??o ? pol?tica de pre?os dos combust?veis e tamb?m sobre como a companhia ir? conseguir vender dezenas de bilh?es de d?lares em ativos.
Endividamento
A rela??o entre endividamento l?quido e Ebitda (sigla em ingl?s para lucro antes de juros, impostos, deprecia??o e amortiza??o) dever? cair para 3 vezes at? 2018 e para 2,5 vezes at? 2020, afirmou a estatal, que registrou ?ndice de 3,86 vezes no fim de mar?o de 2015.
A companhia disse que projeta alavancagem l?quida (rela??o entre o endividamento l?quido e o endividamento l?quido somado ao patrim?nio l?quido) inferior a 40% at? 2018 e a 35% at? 2020, ante 52% ao fim do primeiro trimestre.
Venda de ativos
Para melhorar a situa??o das contas, al?m de reduzir investimentos, a empresa tamb?m pretende vender bens e outros ativos – o chamado desinvestimento.
O montante de venda previsto para este e o pr?ximo ano soma US$ 15,1 bilh?es, ante uma estimativa anterior de US$ 13,7 bilh?es. Do total, 30% ser?o em explora??o e produ??o, 30% no abastecimento e 40% em g?s e energia.
Entre 2017 e 2018, os desinvestimentos dever?o somar US$ 42,6 bilh?es, incluindo reestrutura??o de neg?cios, desmobiliza??o de ativos (venda de um bem, que poder? ser alugado em seguida) e desinvestimentos adicionais.
Segundo Bendine, por uma quest?o de "l?gica de mercado", a Petrobras n?o ir? detalhar os ativos que ser?o colocados ? venda, como estrat?gia para n?o depreci?-los.
“A companhia vai trazer a prerrogativa de n?o detalhar os ativos por regras do mercado, para n?o depreci?-los, mas a empresa tem conjunto de ativos bel?ssimo e a gente entende, ap?s exaustiva avalia??o, ter? boa procura no mercado. Vai buscar sinergias para poder ter incremento na restabilidade e no ganho, maior efici?ncia nos custos da companhia, conjunto de medidas n?o ? s? venda de ativos, mas desenvolvimento de neg?cios correlatos”, disse.
Meta de produ??o ? reduzida
A Petrobras tamb?m reduziu a sua meta de produ??o para 2020. No Brasil, a estimativa de produ??o de ?leo e g?s foi revisada de 4,2 milh?es de barris di?rios para 2,8 milh?es de barris di?rios. Na produ??o total no pa?s e no exterior, o n?mero foi reduzido de 5,3 milh?es para 3,7 milh?es.
"As metas de produ??o de ?leo, LGN (l?quido de g?s natural) e g?s natural no Brasil foram atualizadas, refletindo posterga??o de projetos de menor maturidade ou atraso na entrega das unidades de produ??o, principalmente em fun??o de limita?es de fornecedores no Brasil", disse a estatal.
"A companhia espera alcan?ar uma produ??o total de ?leo e g?s (Brasil e internacional) de 3,7 milh?es de barris de petr?leo di?rios em 2020, ano no qual estimamos que o pr?-sal representar? mais de 50% da produ??o total de ?leo", acrescentou o comunicado.