
?CURITIBA e BRAS?LIA — Os empreiteiros Marcelo Odebrecht, presidente da Construtora Norberto Odebrecht, e Ot?vio Marques Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, assim como outros dez executivos de empreiteiras presos na ?ltima sexta-feira, ser?o indiciados pela Pol?cia Federal ainda esta semana, ap?s serem ouvidos pelos delegados da Opera??o Lava-Jato. A informa??o ? do delegado Igor Rom?rio de Paula, integrante da for?a-tarefa da Lava-Jato.
O indiciamento significa que a PF j? tem provas contra os acusados. Ainda n?o h?, segundo o delegado, defini??o dos crimes que ser?o imputados aos 12 presos na 14? fase da opera??o; a maioria deve ser indiciada por corrup??o e lavagem.
— Os crimes v?o variar para cada um deles, mas todos ser?o indiciados. J? existe muito material que os incrimina — disse o delegado.
Os primeiros interrogados ser?o os quatro executivos que tiveram as pris?es tempor?rias de cinco dias decretadas pelo juiz S?rgio Moro: Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, ex-dirigente da Odebrecht, Ant?nio Pedro Campelo de Souza, Fl?vio L?cio Magalh?es e Christina Maria da Silva Jorge. Esses quatro dever?o ser postos em liberdade amanh? ? noite, depois de depor, a n?o ser que o juiz Moro decida transformar alguma dessas pris?es em preventiva.
Os demais executivos ligados ? Odebrecht e ? Andrade Gutierrez dever?o depor durante a semana. O delegado Igor Rom?rio acredita que Ot?vio Azevedo e Marcelo Odebrecht ser?o os ?ltimos ouvidos, possivelmente na quinta-feira. Os advogados de Azevedo j? entraram com pedido de habeas corpus, para que ele seja solto. Os de Marcelo devem fazer o mesmo nos pr?ximos dias. Delegados e procuradores acham muito dif?cil que os empreiteiros digam o que sabem nestes primeiros depoimentos.
— A experi?ncia mostra que ningu?m fala agora. Mas, depois que avaliam o quanto est?o implicados, come?am a falar. Alguns v?o at? optar por colabora??o premiada. Existe boa chance de que venham a falar, mas n?o agora nesta primeira semana — disse o delegado da PF.
Ontem ? noite, cerca de 30 pessoas fizeram uma vig?lia em frente ? sede da Odebrecht, em S?o Paulo. Segundo Carla Zambelli, uma das fundadoras do movimento NasRuas, a inten??o do ato foi tentar convencer Marcelo Odebrecht a revelar os nomes dos pol?ticos que se beneficiaram com o esquema de corrup??o montado na Petrobras. Com velas acesas no ch?o, o grupo, do qual faziam parte integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), escreveu a frase “Fala Marcelo”.
Os delegados e procuradores j? est?o convencidos de que os empreiteiros das duas maiores construtoras do pa?s sabiam e apoiavam o trabalho de seus executivos no “Clube das Empreiteiras”, que superfaturava obras na Petrobras, pagando propinas a pol?ticos e executivos da estatal — entre eles, os ex-diretores de Abastecimento Paulo Roberto Costa, de Servi?os Renato Duque, o diretor executivo Pedro Barusco e o ex-diretor da ?rea Internacional Nestor Cerver?.
Segundo os promotores, as construtoras pagavam propinas que variavam de 1% a 3% do valor de cada obra. Esse dinheiro era repartido entre os pr?prios diretores da estatal e dirigentes do PT, PP e PMDB. Cada um desses partidos, tinha um operador dentro da Petrobras para arrecadar dinheiro para o partido.
Ontem, nem os advogados puderam visitar os presos na Superintend?ncia da PF em Curitiba.
O procurador Marinus Marsico, do Minist?rio P?blico junto ao Tribunal de Contas da Uni?o (TCU), defendeu mudan?as na legisla??o para tornar mais r?pido o processo administrativo que impede empresas investigadas por corrup??o de participar de novas licita?es. Ele argumenta que, em casos graves, poderia haver a concess?o de liminar antes da conclus?o do processo, impossibilitando a participa??o dessas empresas. At? agora, nenhuma empreiteira investigada na Opera??o Lava-Jato foi declarada inid?nea.
PUBLICIDADE
Em despacho, Moro levantou a hip?tese de as empreiteiras repetirem os crimes no plano de concess?es lan?ado pelo governo. O ministro da Justi?a, Jos? Eduardo Cardozo, disse que n?o h? como impedir a participa??o das empreiteiras antes do fim do processo legal. Marsico disse que o ministro est? correto, mas fez ressalvas:
— Deveria haver uma previs?o legal para conferir liminares em casos graves. No caso da Lava-Jato, h? ind?cios aparecendo h? muito tempo. O processo precisaria ser mais r?pido.
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto defendeu a necessidade de um processo administrativo, com a garantia da ampla defesa, antes da declara??o de inidoneidade. Sugeriu tamb?m que o processo poderia ser segmentado: uma empresa viria a ser declarada inid?nea para uma atividade econ?mica, mas continuaria participando de outras. (*Enviado especial)