No segundo trimestre deste ano, a economia brasileira continuou em queda. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat?stica (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 0,6% em rela??o ao trimestre anterior. ? o sexto trimestre seguido de queda. Em valores correntes, o PIB chegou a R$ 1,5 trilh?o.
Entre os setores cujos desempenhos entram no c?lculo do PIB, a agropecu?ria registrou a maior queda, de 2%, seguida pelos servi?os, que recuaram 0,8%. Apenas a ind?stria, que vinha apresentando resultados seguidamente negativos, teve uma leve alta de 0,3%.
“? interessante notar que, pelo lado da oferta, dessa vez a gente teve uma ind?stria negativa. Ela vinha negativa e, pela primeira vez em cinco trimestres, ela virou. Mas ? importante falar que ? varia??o, n?o podemos chamar de crescimento”, explicou Claudia Dion?sio, gerente de contas trimestrais do IBGE.
PIB ind?stria - 2tri16 (Foto: Arte/G1)
Do primeiro para o segundo trimestre, os investimentos voltaram a crescer, depois de dez quedas seguidas. A Forma??o Bruta de Capital Fixo, como a taxa de investimentos tamb?m ? conhecida, cresceu 0,4%.
Por outro lado, o consumo das fam?lias, que durante anos colaborou com o crescimento da economia, recuou pelo sexto trimestre seguido. De abril a junho, a baixa foi de 0,7%. Os gastos do governo tamb?m diminu?ram. A retra??o foi de 0,5% frente ao primeiro trimestre deste ano.
No c?lculo do PIB, tamb?m s?o considerados os n?meros referentes ao setor externo. As exporta?es, por exemplo, cresceram 0,4%, em ano de valoriza??o do d?lar sobre o real. Em compensa??o, as importa?es cresceram 4,5%.
“Nesse segundo trimestre, o com?rcio exterior teve contribui??o negativa nesta base de compara??o [contra o trimestre anterior]. ? explicado tamb?m porque, na varia??o cambial, a gente teve aprecia??o. No primeiro trimestre estava mais valorizado o c?mbio. E quando apreciam, as exporta?es tendem a ficar menos competitivas e as importa?es tendem a aumentar”, afirmou a gerente do IBGE.
PIB investimentos - 2tri16 (Foto: Arte/G1)
Tombo em cima de 2015
Quando os n?meros do segundo trimestre s?o comparados com os do mesmo per?odo de 2015, os resultados s?o bem mais negativos. Nessa base de compara??o, o PIB caiu 3,8%.
O recuo na agropecu?ria chegou a 3,1%, influenciada, principalmente, segundo o IBGE, pelo desempenho negativo da produ??o de milho (-20,5%), arroz (-14,7%), algod?o (-11,9%), feij?o (-9,1%) e soja (-0,9%).
J? a ind?stria, ao contr?rio da leve recupera??o que mostrou do primeiro trimestre para o segundo, sofreu uma queda de 3%, puxada pela ind?stria de transforma??o, que produz m?quinas e equipamentos, teve uma redu??o de 5,4%. Dentro do setor fabril, a constru??o tamb?m caiu 2,2% e o segmento extrativo mineral recuou 4,9%.
O setor de servi?os, nessa base de compara??o, foi o que sofreu maior redu??o: de 3,3%. O com?rcio sofreu contra??o de 7,4% e os servi?os de transporte, armazenagem e correio, de 6,5%.
O consumo das fam?lias caiu 5%, sob influ?ncia da infla??o, dos juros, do cr?dito mais restrito, da queda do emprego e da renda ao longo do per?odo, conforme aponta o IBGE. Seguindo a mesma tend?ncia, os gastos do governo recuaram 2,2%.
Os investimentos tamb?m tiveram redu??o nessa base de compara??o. Pelo nono trimestre seguido, a Forma??o Bruta de Capital Fixo recuou. Desta vez, a queda foi de 8,8%.
Na an?lise do setor externo, as exporta?es avan?aram 4,3% e as importa?es ca?ram 10,6%, "ambas influenciadas pela desvaloriza??o cambial de 14,3% e pelo desempenho da atividade econ?mica registrados no per?odo".
Previs?es pessimistas
As previs?es divulgadas j? indicavam que o resultado seria negativo. O ?ndice de Atividade Econ?mica do Banco Central (IBC-Br), que tenta "antecipar" o resultado do PIB, projetou, h? duas semanas, uma queda de 0,53% no segundo trimestre deste ano.
Para 2016, os economistas do mercado financeiro preveem que o n?vel de atividade neste ano feche em queda de 3,2%, segundo o boletim Focus, tamb?m do BC, mais recente.
A proje??o do Fundo Monet?rio Internacional (FMI) est? em linha com a do mercado brasileiro. Em relat?rio divulgado julho, o fundo disse esperar que a economia brasileira "encolha" 3,3% em 2016.