Piaui em Pauta

PMDB quer corte de 14 pastas e reforma ministerial já, diz Henrique Alves.

Publicada em 18 de Julho de 2013 às 09h56


O presidente da C?mara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), recomenda ? presidente Dilma Rousseff que fa?a j? uma reforma ministerial e reduza de 39 para 25 o n?mero de pastas.

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Em entrevista ? Folha e ao UOL, o deputado peemedebista, que ocupa o terceiro posto na hierarquia da Rep?blica, sugere tamb?m ? presidente da Rep?blica que estabele?a uma agenda de mais conversas com os congressistas e aliados. Cita as reuni?es do conselho pol?tico (presidentes e l?deres partid?rios) que ocorriam durante o mandato de Luiz In?cio Lula da Silva. "H? quanto tempo n?o se re?ne o conselho pol?tico? Eu n?o me lembro a ?ltima vez".

Henrique Alves acha que reforma ministerial deve ser formatada no in?cio de agosto, quando deputados e senadores voltam ao trabalho. A nomea??o de fato dos novos nomes ficaria para setembro. Quantas deveriam ser as pastas? "Acho que com a vontade enxugar a m?quina, de faz?-la mais objetiva, em torno de 25 minist?rios seria do tamanho do Brasil". Ou seja, um corte de 14 nos 39 existentes na Esplanada.

H? duas l?gicas por tr?s da formula??o proposta por Henrique Alves. Uma delas ? pol?tica. Dilma Rousseff at? agora apenas repassou ao Congresso demandas que ela diz ter interpretado a partir dos protestos de rua ocorridos no pa?s em junho.

Agora, ao recomendar o corte de ministros e uma nova equipe para o governo, o PMDB repassa a bola para o Pal?cio do Planalto. "H? um consenso hoje na quest?o do n?mero exagerado de minist?rios", diz Henrique Alves. Ele afirma que "os partidos da base deveriam dar essa colabora??o, delegando ? presidente Dilma ampla liberdade de recompor o seu minist?rio" e para "reduzir esse minist?rio sem nenhuma nova imposi??o partid?ria, n?o indicar esse ou aquele".

E o PMDB? "N?s estamos dispostos a oferecer porque n?s queremos encontrar uma sa?da. N?o pode ficar esse impasse, adiando, achando que as coisas est?o caminhando como n?o est?o. N?s queremos um Brasil mais ?gil. Que a presidente d? respostas novas. As movimenta?es [de rua] cessaram um pouco, mas est? latente ainda a insatisfa??o".

Se Dilma cortar parte de seus 39 minist?rios, "daria uma resposta ao que o pa?s quer: redu??o de quadros, mudan?a, portanto, de ordenamento pol?tico-administrativo". Henrique Alves faz essas observa?es com cuidado, sempre de maneira a n?o dar a entender que esteja se intrometendo nas atribui?es presidenciais. Mas ao falar em p?blico sobre esse tema, coloca o Pal?cio do Planalto numa sinuca pol?tica, pois Dilma Rousseff ter? de dar alguma satisfa??o ao partido que ? o principal aliado de seu governo no Congresso.

H? tamb?m uma l?gica menos pol?tica e mais operacional na proposta do PMDB para Dilma Rousseff. "Vem a? a desincompatibiliza??o dos minist?rios no pr?ximo ano. Aqueles que s?o candidatos -me parecem que de 12 a 15 ministros- poder?o sair", diz Henrique Alves. Ele se refere aos ministros que pretendem concorrer a algum cargo na elei??o de outubro de 2014 e precisam deixar suas fun?es, como manda a lei, com pelo menos seis meses de anteced?ncia.

Eis o racioc?nio de Henrique Alves: "Eu acho que poderia ser antecipada essa desincompatibiliza??o. Ministros deixariam o cargo em fevereiro ou mar?o. O que acontece? Quando os novos assumem j? chegam e encontram o or?amento e as prioridades definidas pelo ex-ministro. Vai apenas cumprir tabela, fazer aquilo que o outro deixou arrumado para ele fazer. N?o consegue inovar, oxigenar, trazer ideia nova".

O presidente da C?mara diz expressar essas opini?es porque s?o majorit?rias no PMDB e t?m a concord?ncia tamb?m do vice-presidente da Rep?blica, Michel Temer. Para Henrique Alves, "est? faltando boa pol?tica" no governo. E faz uma advert?ncia: "N?o h? uma boa gest?o sem uma boa pol?tica. A boa pol?tica antecede uma boa gest?o".

Henrique Alves afirma que o PMDB vai ficar com o PT na campanha de reelei??o de Dilma, em 2014. E diz confiar na recupera??o da popularidade da presidente at? o final deste ano. Mas condiciona essa previs?o a um rearranjo no minist?rio e mudan?a na articula??o pol?tica.

"? l?gico, ? isso", diz ele. E se Dilma n?o seguir essas recomenda?es? "A? corre um risco grande o sucesso do seu governo". E acrescenta uma ressalva: "Mas quem conviveu, como ela, com o presidente Lula, sabe exatamente o que ? necess?rio fazer na hora da bonan?a e na hora das crises. Agora, na hora da crise, ela saber? conduzir. Queremos que ela ou?a mais a classe pol?tica. Tenha uma maior intera??o.

O presidente da C?mara diz ser necess?rio "ajudar o Brasil a reencontrar esse caminho que as ruas est?o reclamando". Eximir-se desse processo pode ter consequ?ncias nas elei?es de 2014. "N?s temos que estar muito abertos a esse reclamo para que a gente mude tamb?m e n?o sejamos mudados".

A seguir, trechos da entrevista:

Folha/UOL - Em junho, milhares de brasileiros foram ?s ruas demandar mudan?as na forma como o pa?s ? governado. O Congresso conseguiu entender essas demandas e dar uma resposta?
Henrique Eduardo Alves - Acredito que sim. O Congresso est? acostumado com essas demandas. Para que as pessoas tenham uma ideia, num ano normal legislativo da casa, quase 200 mil pessoas frequentam o Congresso Nacional. Quem frequenta a casa sabe. S? que agora foi refor?ada por essa demanda maior. ? mais expl?cita, mais apaixonante, mais consciente das ruas a cobrar, sobretudo, a melhoria dos servi?os p?blicos da sa?de, educa??o, da mobilidade urbana, da seguran?a. Com forte apelo para que o Congresso, o Parlamento, o Executivo, o Judici?rio, todos fa?am um Brasil mais ?gil, mais r?pido, mais eficiente, de melhores resultados.

Mas o Congresso entra em recesso branco sem ter conseguido votar muitas das propostas da chamada agenda positiva. Por qu??
Nessa hora, a?odamento ? uma irresponsabilidade. Por exemplo, a pauta dos 10% [do or?amento] para a sa?de. Isso envolve recursos na ordem de R$ 40 [bilh?es] a R$ 50 bilh?es. ? muito f?cil ter um tema, aprovar. Mas quem paga essa conta? E a origem do recurso?
H? muita responsabilidade na hora de aprovar uma proposta que venha gerar aquilo que as ruas querem. Entendemos ser necess?rio, como ? o caso da sa?de. Mas tem que ter a fonte de recurso. Sen?o, voc? apenas cria uma ilus?o e, logo depois, uma imensa frustra??o.
Dou s? esse exemplo para mostrar que n?s temos que ter uma pauta muito consequente que atenda o que querem as ruas. Sobretudo a quest?o da melhoria dos servi?os p?blicos. A classe m?dia cresceu. Pessoas que sa?ram da pobreza absoluta tiveram uma melhor condi??o de vida. S? que, quando chegaram a esse patamar, encontraram l? um tr?nsito que n?o funciona, um hospital privado que n?o atende, uma seguran?a p?blica que virou inseguran?a p?blica, os assaltos se dilu?ram de maneira brutal de dia, de tarde, de noite.
H? todo um problema da presta??o do servi?o p?blico que est? agoniando a classe m?dia brasileira.

Os protestos de junho atingiram a muitos pol?ticos e tamb?m a presidente Dilma Rousseff. Ela reagiu propondo cinco pactos em v?rias ?reas e um plebiscito para fazer a reforma pol?tica. Foi a melhor forma de reagir?
O plebiscito n?o estava no ?mago desses protestos. N?o me lembro de ter visto - pode ser que tenha acontecido- cartazes pedindo plebiscito, reforma pol?tica.
As pessoas querem sa?de de qualidade, educa??o de qualidade, seguran?a que d? seguran?a, mobilidade urbana que fa?a que as pessoas possam ir e vir. Essa que ? a quest?o central.
Agora, n?s temos o dever, como Parlamento e como partidos pol?ticos, de fazer uma reforma pol?tica. Isso me frustra muito porque todos dizem isso, mas na hora de fazer, n?o conseguem.

Do ponto de vista pol?tico, a presidente acertou ao fazer aquele pronunciamento no final de junho chamando governadores e prefeitos para ficarem posando para uma foto enquanto ela anunciava os pactos?
Ela tomou um caminho, talvez o ?nico naquele momento, que era compartilhar com os governadores.

No caso da reforma pol?tica, o ministro Aloizio Mercadante disse que a popula??o vai "cobrar caro" do Congresso se n?o aprovar o plebiscito para fazer a reforma pol?tica. O sr. concorda?
Ele apenas esqueceu, o ministro Mercadante, que o povo vai cobrar caro do Executivo tamb?m. Vai cobrar caro do Legislativo, do Executivo federal, estadual... A cobran?a ? generalizada e cada um tem que fazer a sua parte.

H? no Poder Executivo uma tentativa de dizer que fez a sua parte e o que falta ? culpa dos deputados e senadores?
? verdade. Mas se fosse cada um jogar para o outro a responsabilidade, seria uma irresponsabilidade. Que era s? o Parlamento estar aprovando isso e aquilo outro. Tem que ter muita responsabilidade, parceria e entender que a decis?o tem que ser conjunta, de todos.

Mas o Poder Executivo quer jogar para o Congresso a responsabilidade?
Acho que, num primeiro momento, a quest?o do plebiscito se deu como se fosse a quest?o maior. E n?o era. Talvez fosse a ?ltima das quest?es. ? importante ouvir...
O que n?s queremos fazer ? uma reforma pol?tica abrangente e dar uma nova cara ? legisla??o eleitoral brasileira. Vamos tentar. Assumo essa culpa -com todos os parlamentares- de n?o ter conseguido ainda. Mas n?o ? a quest?o central.
A quest?o central, volto a dizer, ? a melhoria dos servi?os p?blicos. As pessoas est?o reclamando da qualidade de vida. Isso passa por a?es do Executivo e do Legislativo, l?gico.
E do Judici?rio tamb?m, ? bom n?o esquecer. H? lentid?o dos processos na Justi?a para resolver quest?es que ficam se alastrando anos e anos. ? como se fosse "repaginar o Brasil". ? um Brasil novo que quer instrumentos novos de a??o e de resultados.

A popula??o demandou um gesto dos governos? No caso do governo federal, o que seria? Uma reforma ministerial? Diminui??o de cargos?
Eu acho que h? um consenso hoje na quest?o do n?mero exagerado de minist?rios: 39. Demandaria um enxugamento dessa m?quina. Reduzir essa m?quina administrativa. Ficaria mais enxuta e com melhor resultado, maior objetividade.
Essa ? uma quest?o que seria simb?lica se o governo fizesse neste momento. Acho que os partidos da base deveriam dar essa colabora??o, delegando ? presidente Dilma ampla liberdade de recompor o seu minist?rio. Se necess?rio, reduzir esse minist?rio sem nenhuma nova imposi??o partid?ria, n?o indicar esse ou aquele.

O sr. ? do PMDB, que tem 5 minist?rios. O PMDB aceita ficar com um ou dois, sem problemas?
Na hora de uma reorganiza??o nesse n?vel, com essa profundidade, com essa responsabilidade, eu acho que todos os partidos da base deveriam ter esse gesto de delegar ? presidente, que ? uma decis?o somente dela -ela que vai arcar com o ?nus ou o b?nus dessa decis?o, com acerto ou erro dessa medida.
E eu diria: Vem a? a desincompatibiliza??o dos minist?rios no pr?ximo ano. Aqueles que s?o candidatos --me parecem que de 12 a 15 ministros-- poder?o sair.

Mas isso ocorre em mar?o...
Em fevereiro ou mar?o.

Poderia ser feita quando?
Poderia ser antecipada essa desincompatibiliza??o... Ministros que s?o que s?o candidatos ? elei??o, deixariam o cargo em fevereiro ou mar?o. O que acontece? Quando os novos venham assumir esses minist?rios, j? encontram o or?amento aprovado e as prioridades definidas pelo ex-ministro. Vai apenas cumprir tabela, fazer aquilo que o outro deixou arrumado para ele fazer. N?o consegue inovar. N?o consegue oxigenar. N?o consegue trazer ideia nova, programa??o nova.
Quem sabe neste momento, conjugando todos esses fatores, n?o poderia haver uma real antecipa??o desta reforma?
A presidente faria uma reprograma??o de todo o quadro ministerial com liberdade da escolha dos novos ministros, que j? participariam da execu??o or?ament?ria nova do pr?ximo ano e da defini??o das novas prioridades do pr?ximo ano. Dando, portanto, a esse ministro que vai assumir uma participa??o muito maior na defini??o do governo do Brasil no ano eleitoral.

Essa posi??o hoje ? majorit?ria no PMDB?
Acredito. At? a Executiva se reuniu, j? h? alguns dias, e deixou com muita clareza que o PMDB toparia, nesta hora, dar essa contribui??o.

O vice-presidente Michel Temer tamb?m comunga dessa opini?o?
Acredito. Acredito que, se essa for a necess?ria colabora??o do PMDB, n?s estamos dispostos a oferecer porque n?s queremos encontrar uma sa?da. N?o pode ficar esse impasse se adiando, se achando que as coisas est?o caminhando como n?o est?o. N?s queremos que caminhe, que se resolva essa quest?o que ? a discuss?o hoje em todos os cantos e recantos desse pa?s. Um Brasil mais ?gil. Um Brasil que a presidente d? respostas novas. Uma demanda que est? a?. As movimenta?es cessaram um pouco, mas est? latente ainda a insatisfa??o.
N?o ? com a presidente Dilma apenas. ? com o Parlamento, ? com o Judici?rio, com os governadores estaduais, com os prefeitos que est?o dizimados or?amentariamente nos seus munic?pios. ? hora de fazer uma repaginada. Poderia come?ar assim, j? que aqueles ministros v?o sair no pr?ximo ano, antecipando essa mexida.

Objetivamente, quando? Julho, agosto, setembro?
A? ? com a presidenta da Rep?blica. Ela pode fazer essa avalia??o. Mas acho que o m?s de setembro, na volta do Poder Legislativo, a volta do recesso, a retomada do segundo semestre, essa antecipa??o da parte do PMDB n?o teria nenhum problema. Pelo contr?rio. Daria uma resposta ao que o pa?s quer: redu??o de quadros, mudan?a de ordenamento pol?tico-administrativo. Seria um bom caminho.

O Brasil tem hoje 39 minist?rios. Que n?mero, do ponto de vista gerencial seria desej?vel?
Esse n?mero dependeria muito da prioridade, do foco que o governo tem para as quest?es administrativas. Por exemplo, minist?rios como a Secretaria de Avia??o Civil e a Secretaria dos Portos. Por que n?o somar esses dois a um Minist?rio da Infraestrutura?
H? casos em que se poderia juntar um ou dois --at? tr?s-- e dar uma configura??o s?. Tem um simbolismo de mostrar um enxugamento da m?quina. Esta ? sim uma reclama??o das ruas.

Mas o sr. diria que d? para reduzir de 39 para quantos?
Dif?cil fazer uma avalia??o quantitativa. Acho que com a vontade de enxugar a m?quina, de faz?-la mais objetiva, de fazer uma reforma, em torno de 25 minist?rios seria do tamanho do Brasil. Eu acho que em torno disso seria um bom tamanho e haveria uma redu??o significativa.
Mas volto a dizer, ? uma interpreta??o e decis?o da presidenta da Rep?blica.

O sr. acha que ? necess?rio tamb?m fazer algum ajuste na pol?tica e na equipe econ?mica?
Esse ? um dos itens mais falados, mais abordados. At? porque se criou uma expectativa equivocada de um crescimento do PIB j? no pr?ximo ano. Agora se repete al?m do que n?s esper?vamos. Isso gera uma frustra??o muito grande.
Tem que se tratar esse assunto cirurgicamente. Ainda n?o conseguimos encontrar --o governo, estou falando do governo-- uma resposta que tranquilize em rela??o ao combate da infla??o.
E olha que tem sido uma meta objetiva e clara da presidente Dilma. Acho que a quest?o principal hoje que move os seus passos ? o combate ? infla??o. ? uma luta de todos n?s.

Para recuperar da credibilidade diante dos agentes econ?micos ? desej?vel mudan?a no Minist?rio da Fazenda com a troca do ministro?
? dif?cil uma opini?o nessa ?rea porque a economia ? muito sens?vel. Aquilo que se diz sempre tem uma repercuss?o. ?s vezes, mudar ministro nem resolveria. O problema ? foco pol?tico, prioridades, propostas abrangentes estruturais que deviam ser feitas e n?o apenas pontuais.
Essa ? uma avalia??o que a presidente tem que fazer todo dia nessa ?rea econ?mica e a resposta ? muito sens?vel ?s ruas e ao mercado.

O sr. prop?e antecipar ao m?ximo a reforma ministerial e reduzir o n?mero de minist?rios j? no final de agosto, no in?cio de setembro. Isso j? foi dito pelo PMDB, com essas palavras, para a presidente da Rep?blica?
Essas preocupa?es o partido tem colocado para o vice-presidente Michel Temer.

Ele tem dito isso a ela?
Ele tem tido conversas com a presidente Dilma. Ela tem conversado mais com o vice-presidente Michel Temer. A nosso ver, poderia ter conversado mais ainda h? mais tempo porque o Michel ? o homem que presidiu a C?mara tr?s vezes. Um homem que foi l?der da bancada do PMDB por dois per?odos com uma experi?ncia extraordin?ria, de forma??o constitucionalista.
Ele tem uma grande contribui??o a dar. ? uma pessoa muito educada, muito correta nas suas postula?es. Hoje ? a refer?ncia maior do PMDB.

Mas ele n?o foi nem consultado pela presidente em junho, quando ela chegou a sugerir um processo constituinte exclusivo, depois plebiscito, para a reforma pol?tica. Deveria ter sido consultado naquele momento?
? verdade. Eu acho que isso ? um dos equ?vocos da condu??o do processo.

Por que ela n?o o chamou naquele momento?
N?o sei. Mas tenho informa??o que, j? de uns dias para c? ou semanas, o Michel tem sido mais solicitado para dar essa contribui??o ? presidenta Dilma e ao seu governo na an?lise que ele faz muito competentemente a respeito das modifica?es que devem ser feitas no bojo da reforma eleitoral, de uma reforma pol?tica, de uma reforma administrativa, de uma reforma ministerial.

O sr. fala em fazer uma reforma ministerial e reduzir o n?mero de cargos de ministros. Mas a base de apoio ao governo ? muito ampla, com muitas legendas. Como reduzir minist?rios e impedir que algumas das legendas tenham os seus ministros?
Mas n?o adianta voc? ter ministros que n?o t?m a visibilidade que os partidos que o indicaram possam ter. N?o ? apenas ter ministros, dizer que est? minist?rio para fotografia, para receber no gabinete.

Mas alguns dir?o que ? melhor ter uma fotografia do que n?o ter nada...
N?o sei. Chega uma hora que voc? come?a a avaliar isso. Ser? que ? o melhor, realmente?

Sempre se ouve cr?ticas ? articula??o pol?tica do governo Dilma. Por qu??
N?o sei se ? uma verdade nua e crua que pode chegar ? presidente. Mas eu vou dizer aqui uma coisa: N?o h? uma boa gest?o sem uma boa pol?tica. Voc? n?o pense que com uma boa gest?o voc? ter? uma boa pol?tica. Voc? vai ter uma boa gest?o se tiver antes uma boa pol?tica. A boa pol?tica antecede uma boa gest?o.

Mas a presidente tem uma boa pol?tica?
Est? faltando essa boa pol?tica no sentido de conversar, de interagir. Quando voc? conversa com ela, ? uma conversa muito f?cil. Ela conduz muito bem a conversa. Ouve bem. Mas deveria conversar mais. Ter mais a oportunidade de ouvir a classe pol?tica.
Dou um exemplo aqui. Quando o presidente Lula era presidente da Rep?blica, nos seus oitos anos e logo no in?cio da Dilma, tinham reuni?es quase que mensais do conselho pol?tico. Era uma presen?a de l?deres e de presidentes partid?rios que ficavam duas ou tr?s horas analisando se tal medida seria anunciada e enviada ao Congresso. A?, a coisa sa?a redonda. ? muito mais f?cil a condu??o, discuss?o e aprova??o.
H? quanto tempo n?o se re?ne o conselho pol?tico? Eu n?o me lembro a ?ltima vez. Nunca mais se reuniu o conselho pol?tico. Foi um erro do governo em n?o fazer porque ajudaria a presidente. Quando remeter a proposta ou medida provis?ria ou projeto, j? viria discutida, pelo menos, com a sua base parlamentar.

Sua recomenda??o ? que a articula??o pol?tica entre o governo e o Poder Legislativo seja melhorada com mais reuni?es?
Muito mais melhorada, com maior intera??o, maior di?logo. Sei porque tenho tido conversas com a presidente. Sei como ela conversa bem quando ? provocada a conversar, como ela entende bem quando ? instada a ouvir. Agora, tem que conversar e ouvir mais. As pessoas que est?o querendo ajudar.

Mas essa redu??o do n?mero de minist?rios n?o reduzir? o poder de influ?ncia do governo dentro do Congresso para aprovar medidas?
Se bem explicado, se bem conduzido, como n?s queremos...
? bom deixar claro: quando se fala do governo da Dilma, n?o ? uma coisa distante do PMDB. O PMDB est? presente no governo Dilma. Tem o vice-presidente da Rep?blica, ocupa cinco minist?rios. Bem ou mal, est?o l? os seus ministros como disse voc?, com fotografia.
N?s estamos dentro desse governo. ? diferente de outros partidos que podem avaliar se v?o apoiar ou n?o porque n?o s?o o governo. N?s somos o governo. O PMDB n?o est? no governo, ? governo.
Para que este governo avance nos seus resultados, tem que tecer uma participa??o mais interativa, que n?o s? ? do PMDB, mas, na sua base partid?ria. S? tem um caminho: o di?logo, a verdade, a transpar?ncia. N?o diminui ningu?m reconhecer equ?vocos, n?o ter reunido, n?o ter conversado, n?o ter realizado a reuni?o do conselho pol?tico. Pelo contr?rio. At? ajuda, com um gesto de humildade, a recuperar e a resgatar esse espa?o de di?logo.

O sr. defende o chamado or?amento impositivo. O Pal?cio do Planalto ? contra. Como resolver?
? contra. Mas isso n?o impedir? o Congresso de aprovar. Vai se votado no dia 6 de agosto na comiss?o especial. Assumi o compromisso de votar no dia 7 no plen?rio da C?mara.

Dia 7 de agosto?
Sete. O que a gente quer com isso? Acabar esse toma-l?-d?-c?. N?o ? poss?vel mais pedir respeito. Primeiro, sei da import?ncia da emenda individual. S?o pleitos l? de um munic?pio, l? de um recanto, de uma comunidade, de um assentamento que jamais, pelo seu tamanho, por ser pequeno e simples, vai chegar ?s mesas ministeriais dos grandes projetos. Ent?o, vem pela demanda de associa?es, de comunidades, de vereador, de prefeitos, por meio do interlocutor que ? o parlamentar.
Sei da import?ncia dessas emendas. S?o simples, pequenas nos seus pontos quantitativos, mas muito importantes para resolver uma quest?o l? no seu munic?pio, na sua cidade. Quando chega aqui, passa por um processo desgastante. E ? para os dois lados. Desgasta o governo democr?tico e profundamente o Parlamento, que fica submetido.
Liderei o PMDB com uma bancada de 80 deputados por seis anos. As vezes que eu tinha que ir ao Pal?cio para discutir emenda de R$ 100 mil, R$ 150 mil de um deputado... N?o ? de agora. Vem desde Fernando Henrique Cardoso, de todos os presidentes da Rep?blica. Acabar com esse toma-l?-d?-c? ? fazer emenda impositiva clara, direito do Parlamento. Sem nenhuma negocia??o, sem nenhum favorecimento de quem ? de oposi??o, de quem ? de governo, quem vota a favor, quem vota contra. Essa ? uma imposi??o que vamos aprovar sim no Parlamento brasileiro.

N?o importando se a presidente Dilma Rousseff se declarar contra?
Ela respeita tanto o nosso posicionamento que em momento algum ela tratou. Porque ela sabe das minhas posi?es claras, expostas, e o respeito que eu tenho pelo Parlamento. Sabe da import?ncia de acabar esse toma-l?-d?-c?. Quantas vezes eu li, at? na "Folha de S.Paulo", manchete de primeira p?gina: "Governo libera tantos milh?es para emendas para aprovar projeto tal ou qual".
N?o quero mais ler essa manchete de jornal. Muitas vezes coincide a libera??o de emendas com vota??o de tal ou qual. Isso se vincula automaticamente.
Fica um favorecimento que constrange o governo democr?tico, a figura democr?tica da presidenta Dilma e o brilho do Parlamento. Isso acaba na C?mara dos Deputados no dia 7 de agosto.

A alian?a nacional entre o PT e o PMDB deve ser mantida no ano que vem, em 2014?
Deve ser mantida. N?o tenho a menor d?vida, at? porque n?s estamos participando do governo, com todas as reclama?es, que s?o verdadeiras, da base. Tem uma participa??o mais qualitativa, mais representativa, mais transparente, de maior intera??o, maior di?logo, mas acredito que sim, que a presidenta Dilma faz um bom governo. Nossa avalia??o ? que ela vem sendo uma presidenta com as qualidades fundamentais para o administrador, que ? honestidade, que ? transpar?ncia. Ela tem um perfil de administradora importante, que o povo brasileiro reconhece e aplaude.
Teve essa turbul?ncia. Acho que vai ser recuper?vel. At? o final do ano ela volta aos patamares iniciais pela sua administra??o, pela sua seriedade, pela sua compet?ncia, pela sua hist?ria.
Acho que sim, ser? esse o caminho do PMDB. Agora, tem que ser cada vez mais conquistado por convencimento. Acho que esse tr?mite do melhor relacionamento ter? inevitavelmente que acontecer.

O sr. fala que a presidente vai recuperar at? o final do ano a popularidade e a inten??o de votos que tinha l? atr?s. Mas tudo condicionado a essas mudan?as que o senhor falou ao longo da entrevista: um rearranjo no minist?rio, uma mudan?a na articula??o pol?tica, uma oxigena??o do governo. ? isso?
? l?gico, ? isso.

E se ela n?o fizer nada disso?
A? corre um risco grande do sucesso do seu governo. O que ela n?o quer, n?s n?o queremos. Isso est? fora de cogita??o porque ela sabe como ningu?m. Ela n?o tem a pr?tica da pol?tica, porque nunca foi deputada, nunca passou pelo Parlamento. Mas quem conviveu, como ela conviveu, com o presidente Lula, ela sabe exatamente o que ? necess?rio fazer na hora da bonan?a e na hora das crises. Agora, na hora da crise, ela saber? conduzir.
Queremos apenas que ela ou?a mais. Converse mais com a classe pol?tica. Tenha uma maior intera??o. Seja mais aberta ao que os partidos, os l?deres, at? a oposi??o, querem contribuir conjuntamente. Est? na hora de ajudar o Brasil a reencontrar esse caminho que as ruas est?o reclamando. O Brasil novo que est? surgindo. ? natural essa transforma??o, essa muta??o. E n?s temos que estar muito abertos a esse reclamo para que a gente mude tamb?m e n?o sejamos mudados.

O ministro Aloizio Mercadante acha que a presidente tem como se recuperar e ganhar no 1? turno no ano que vem. O sr. concorda?
Acho que ela tem condi?es. Antes desse movimento da rua, n?s ?amos conversar sobre os n?veis de popularidade dela, da aprova??o recorde de seu governo, maior do que o do Lula.
Se n?o houver uma ocorr?ncia grave, se ela for bem entendida e sinalizar com mudan?as concretas, com um ato de humildade... O fato de voc? reconhecer, de voc? querer mudar rumos n?o lhe diminui. Pelo contr?rio, engrandece. Mostra sensibilidade, mostra humildade. Todo o patrim?nio do governo Lula e Dilma est?o a?.

Mas reconhecer erro n?o parece ser o forte do governo. Veja o que se passou com a trapalhada do Bolsa Fam?lia. Houve uma trapalhada e o governo n?o reconhece nem ningu?m foi punido...
Voc? deu um exemplo claro de um equ?voco, de um erro do governo.

O governo est? dizendo que n?o errou...
Errou e errou mais na hora em que acusou a oposi??o. S?o coisas pontuais que, por n?o ter o reconhecimento, se tornam maiores.

Na pol?tica, quem que garante que a partir de agora vai ser diferente?
Tenho sentido nas ?ltimas conversas, de um m?s para c?, com a presidenta Dilma, essa preocupa??o. De ouvir mais, de conversar mais, de interagir mais.
Acho que h? tempo de recuperar as coisas, que ela tem uma postura de uma transpar?ncia, de uma dignidade, de uma coragem que permite a ela, nesta hora, reconhecer o que n?o pode ser feito, reconhecer o que as ruas querem que n?s fa?amos e fazer essa mudan?a.

O sr. usou avi?es da FAB 48 vezes neste ano. Uma das vezes, foi ao Rio de Janeiro e deu carona para sua noiva, parentes... O caso foi noticiado e o sr. devolveu R$ 9.700. O que aconteceu
Fui ao Rio de Janeiro porque tinha uma agenda com o prefeito Eduardo Paes. Ele marcou essa agenda no s?bado. Disseram que foi num restaurante. N?o foi. Foi na sua resid?ncia [de Eduardo Paes] oficial, na G?vea Pequena. Por que essa agenda? Porque na outra semana, que se seguiria, o senador Renan Calheiros [presidente do Senado] queria votar o passe livre. E estava crescendo na C?mara a quest?o da CPI da Copa do Mundo.
Ent?o, marcamos s?bado ?s 13h. Fui com esse objetivo.
O avi?o n?o foi para me levar para o jogo do Brasil [contra a sele??o da Espanha, jogo da final da Copa das Confedera?es, em 30.jun.2013]. Essa que ? a distor??o. O avi?o me levou para esse compromisso. A? qual foi, talvez, o equ?voco? Como havia disponibilidade de lugares, levei pessoas que me acompanharam. Identifiquei que isso talvez possa ser um equ?voco -a ser discutido, ainda. Preventivamente, resolvi pagar o valor das passagens comerciais das pessoas que foram e que voltaram comigo. Ponto final. Recolhi o recurso.
Numa boa hora o Minist?rio P?blico Federal levantou a quest?o para apreciar. Vamos antecipar logo. N?o vou esperar os 90 dias. Vou informar exatamente o que aconteceu e aguardar serenamente a conclus?o de todo o processo.

O sr. acha que os nomes das pessoas que viajam junto com autoridades em jatos da FAB devem ser divulgados?
Eu acho. Muitas vezes vou embarcar aqui [em Bras?lia] para Natal numa quinta-feira. A sess?o termina 4h da tarde, 5h da tarde. ?s vezes, de madrugada... A? vem um deputado federal: "Eu poderia ir com voc??". Tem um lugar? Levo.
Muitas vezes acontece isso. Voc? d? carona a autoridades, prefeitos que ?s vezes estavam aqui...

Nesse caso, s?o autoridades. O sr. acha que a carona pode ser estendida tamb?m a amigos ou pessoas da fam?lia?
Esse ? um crit?rio que eu acho que tem que ser estabelecido de maneira clara numa revis?o desse decreto, ver se pode ou se n?o pode. Acho que tem que ser estudado. O governo est? tomando alguma medida em rela??o a isso. H? um projeto na C?mara que discute isso. H? outro no Senado.

Mas qual que ? a sua opini?o?
Eu acho que voc? viajar, de repente, para um compromisso que voc? tenha e levar a sua mulher, eu acho que n?o haveria nenhum impedimento.
Se tem um lugar vago, vazio... N?o vai alterar um tost?o.
Se mudar o decreto, quero que tenha transpar?ncia. Diga-se o que pode e o que n?o pode. O que ? correto e o que ? incorreto para que n?s n?o tenhamos d?vidas nem questionamento a esse respeito daqui por diante.

Um caso rumoroso recente indiretamente citou o sr.. Um assessor seu, Wellington Ferreira da Costa, foi assaltado em Bras?lia com uma mala com R$ 100 mil em esp?cie. Do que se trata?
Ele prestou queixa. Se fosse algo que n?o fosse explic?vel, era s? n?o prestar queixa. Mas ele prestou queixa. Foi ? delegacia, abriu-se um inqu?rito policial e eu quero a conclus?o desse inqu?rito para apurar responsabilidades.
A esta altura, o pior j? se passou. Acho que esse dinheiro ? dif?cil reaver. Mas eu quero apurar a responsabilidade. Quem foi, por que foi, como foi...
? um assunto privado, particular. O dinheiro era meu. Tenho at? como provar. Peguei um empr?stimo no Banco do Brasil dois dias antes. Mas eu quero a conclus?o do inqu?rito que est? aberto.

O dinheiro pertenceu ao sr.?
L?gico, ? meu.

Do que se tratava? Era um empr?stimo?
Fiz um empr?stimo no Banco do Brasil. E eram R$ 100 mil reais. Dinheiro meu que era conduzido. E o que ? estranho ? como se sabia que naquele carro, naquela hora, tinha esse dinheiro. Ent?o, quero apura??o rigorosa dos fatos.

Mas por que o dinheiro estava em esp?cie nesse caso? N?o podia ter feito uma transfer?ncia banc?ria?
Poderia. ? direito meu, n?o ?? De realizar um pagamento que eu ia fazer.

Claro. Mas o sr. j? divulgou o que seria?
N?o. Nem preciso divulgar. ? um assunto privado, particular. Se vou precisar explicar o que eu vou fazer com o dinheiro que ? meu, eu acho que ? um pouco de invas?o de privacidade. Mas quero que o inqu?rito policial se encerre. Quero descobrir como ? que isso aconteceu. As causas que levaram, portanto, a essa ocorr?ncia.

O sr. tomou um empr?stimo no Banco do Brasil, o dinheiro foi sacado, estava com o Wellington, que ? seu assessor, e, a?, ele foi assaltado. ? isso?
Exato, ponto. ? assessor meu h? mais de 20 anos. Portanto, n?o h? nenhuma desconfian?a com uma atitude dele. Mas, como n?o ? um fato normal, foi aberto o inqu?rito... Estou aguardando a apura??o da pol?cia.
Tags: PMDB quer corte de - O presidente da Câm

Fonte: uol  |  Publicado por: Da Redação
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