Publicada em 09 de Julho de 2014 às 20h40
Ray Whelan foi solto durante a madrugada graças a habeas corpus
Imagem: Estad?oRay Whelan foi solto durante a madrugada gra?as a habeas corpus
A Pol?cia Civil entregou nesta quarta-feira (9) ao Minist?rio P?blico o inqu?rito da opera??o Jules Rimet, que investiga a m?fia milion?ria de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo. Os 12 presos desde que a opera??o foi deflagrada foram indiciados pelos crimes de cambismo e associa??o criminosa e 11 deles tiveram a pris?o preventiva pedida. Entre eles, o CEO da Match Services, Raymond Whelan, solto na madrugada desta ter?a-feira (8) gra?as a um habeas corpus concedido pelo Tribunal de Justi?a do Rio (TJ-RJ).
O executivo havia sido preso na segunda-feira (7) no Hotel Copacabana Palace, na Zona Sul, suspeito de fornecer ingressos para partidas do Mundial. A Match Services det?m direitos exclusivos sobre a venda de ingressos da Fifa. Os outros 11, incluindo o argelino Mohamed Lam?ne Fofana, apontado com o chefe da quadrilha, foram presos no dia 1? de julho. Fofana teve o habaes corpus negado. Como o prazo da pris?o tempor?ria terminaria nesta quinta (10), foi pedida a pris?o preventiva. saiba mais Ap?s les?o na Copa, Fifa ter? que pagar sal?rio de Neymar em agosto Sem Marin por perto, Felip?o d? entrevista de emerg?ncia ap?s os 7 a 1 Romero brilha nos p?naltis, Argentina elimina Holanda e vai ? final Candidatos lamentam derrota, mas enviam apoio ? Sele??o Massacre alem?o na Copa pode ter impacto negativo sobre a economia, diz UBS Leia mais sobre Copa 2014
Whelan vai se descredenciar
Em nota divulgada nesta quarta, a Match informou que Whelan vai se descredenciar de forma volunt?ria da Copa e que, ao fazer isso, reafirma seu compromisso com a prote??o dos interesses da empresa, da Fifa e do evento. Segundo a nota, o executivo reitera que toma esta decis?o mesmo n?o tendo cometido qualquer ato ilegal e diz ainda que permanecer? colaborando com as investiga?es com a certeza de que ser? inocentado.
A Match voltou a criticar a forma como a investiga??o policial est? sendo conduzida e afirmou que n?o h? nada de inapropriado ou ilegal na conduta de Raymond Whelan.
No momento da pris?o, Whelan estava com mais de 80 ingressos para os jogos. A pris?o tempor?ria de cinco dias foi expedida pelo Juizado Especial do Torcedor. Segundo decis?o da desembargadora Mar?lia de Castro Neves Vieira, que concedeu o habeas corpus, a pris?o deve obedecer o princ?pio da proporcionalidade o que, segundo o documento, n?o aconteceu. Al?m de revogar a pris?o provis?ria de cinco dias, ela determinou o pagamento de fian?a no valor de R$ 5 mil, o comparecimento quinzenal no cart?rio e a entrega do passaporte.
O esquema
Deflagrada no dia 1? de julho, a opera??o da 18? DP (Pra?a da Bandeira) no Rio de Janeiro prendeu 12 pessoas. No dia 1?, 11 suspeitos foram detidos no Rio e em S?o Paulo, entre eles o apontado como operador do esquema, o argelino Mohamed Lam?ne Fofana. Nesta segunda (7), Raymond foi preso por suspeita de ser o facilitador da obten??o dos ingressos.
Com a listagem de celulares da Fifa em m?os, um dos agentes policiais digitou no aparelho celular apreendido do argelino Lam?ne Fofana o prefixo 96201, que precedem os telefones da entidade. Apareceu, ent?o, o nome "Ray Brazil", para qual havia 900 registros entre telefonemas e mensagens. Ao todo, a opera??o est? lendo e escutando 50 mil registros telef?nicos, dos quais mais de 50% j? foram apurados.
Segundo as investiga?es, tr?s empresas de turismo localizadas em Copacabana, interditadas pela pol?cia, faziam contato com ag?ncias de turismo que traziam turistas ao pa?s e vendiam ingressos acima do pre?o.
Eram ingressos VIPs, fornecidos como cortesia a patrocinadores, a Organiza?es N?o Governamentais (ONGs) e tamb?m destinados ? comiss?o t?cnica da Sele??o Brasileira. Desde bilhetes de camarotes at? entradas de assentos superiores. Uma entrada para a final da Copa no Maracan? chegava a custar R$ 35 mil e a quadrilha chegava a faturar mais de R$ 1 milh?o por jogo.
Segundo a pol?cia, Fofana tamb?m conseguia entradas vendidas pelos agentes oficiais da categoria "hospitalidade", pacotes de luxo, controlados pela Match Hospitality. At? carro forte foi usado para abastecer a quadrilha que vendia entradas para todos os jogos da abertura ? final do torneio.
Quatro copas
Segundo o delegado F?bio Barucke, respons?vel pelo caso, os presos j? atuaram em pelo menos quatro mundiais e estimativas apontam que a quadrilha poderia movimentar cerca de R$ 200 milh?es por Copa do Mundo.
Presos
Al?m de Fofana, est?o presos o policial militar reformado Os?as do Nascimento; Alexandre Marino Vieira; Ant?nio Henrique de Paula Jorge, um dos contatos de Fofana no Brasil (antes de ser preso, Henrique tentou retirar de um banco R$ 177 mil em dinheiro vivo); Marcelo Pav?o da Costa Carvalho; S?rgio Ant?nio de Lima, que teria tentado subornar um dos agentes; Ernane Alves da Rocha J?nior; J?lio Soares da Costa filho e Fernanda Carrione Paulucci. Alexandre da Silva Borges e o advogado Jos? Massih foram presos em S?o Paulo.