Publicada em 11 de Julho de 2014 às 20h00
Fernando Fernandes aparece nas imagens de câmera de segurança do Copacabana Palace orientando Raymond Whelan na saída do hotel
Imagem: GloboNewsFernando Fernandes aparece nas imagens de c?mera de seguran?a do Copacabana Palace orientando Raymond Whelan na sa?da do hotel
?A Pol?cia Civil do Rio abriu um inqu?rito para apurar a conduta do advogado de CEO da Match Services, Raymond Whelan, suspeito de ter ajudado seu cliente a fugir do Copacabana Palace. Imagens das c?meras de seguran?a mostram Fernando Fernandes orientando o executivo, acusado de liga??o com a m?fia de ingressos da Copa, na sa?da do hotel nesta quinta-feira (10), minutos antes de policiais chegarem para cumprir mandado de pris?o preventiva.
Em nota, o advogado disse que Whelan "n?o tinha conhecimento da ordem de pris?o quando saiu do Copacabana Palace, que ele n?o est? fugindo do Rio de Janeiro, nem do territ?rio nacional, e que o executivo tem liminar vigente e est? aguardando as decis?es judiciais ?s quais vir? a se submeter". saiba mais Zagueiro nega pacto alem?o para n?o humilhar o Brasil Marin critica Felip?o por goleada hist?rica sofrida pela sele??o brasileira Protestos marcados para final da Copa acendem alerta no Planalto Em cl?ssico tira-teima, Argentina quer mudar hist?ria ao vencer segunda final contra a Alemanha Senado pagou passagens de parlamentares que assistiram aos jogos do Mundial Leia mais sobre Copa 2014
Fernandes disse ainda que, ao saber o inqu?rito contra ele, comunicou o fato ? Comiss?o Nacional de Defesa do Direito de Defesa, do qual ? membro e? presid?ncia e ? Comiss?o de Prerrogativa da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro, "pedindo assist?ncia".
O texto diz ainda que, esta tarde, Fernando Fernandes foi ao gabinete da desembargadora Rosita Maria de Oliveira Netto, da 6? C?mara Criminal do Tribunal de Justi?a do Rio de Janeiro, relatora do processo contra seu cliente, e pediu ? garantia de cumprimento da liminar que libertou o executivo da pris?o esta semana e o colocou ? disposi??o para se apresentar ? Justi?a do Rio. Um recurso impetrado pelo advogado de Whelan contra a pris?o preventiva decretada contra o ingl?s foi negado pela Justi?a.
Foragido
Whelan ? acusado de envolvimento na m?fia da venda ilegal de ingressos para a Copa. Ele comanda a Match, que det?m os direitos da Fifa sobre a venda de entradas para o evento. Nesta sexta, a empresa divulgou uma nota e afirmou acreditar que o termo “foragido” n?o seja apropriado ao CEO da empresa Raymond Whelan. O executivo teve a pris?o preventiva decretada nesta quinta (10) pela Justi?a, mas deixou o Copacabana Palace, onde estava hospedado, momentos antes de a pol?cia chegar.
“Entendemos que qualquer acusado no Brasil tenha o direito fundamental de resistir a uma coa??o que ele acredita ser arbitr?ria e ilegal”, dizia a nota, que nega a fuga.
O chefe da Pol?cia Civil, Fernando Veloso, afirmou que pessoas que est?o ajudando o ingl?s Raymond Whelan, considerado foragido, tamb?m podem estar cometendo crimes.
Dos 11 denunciados por integrar a quadrilha, o executivo ingl?s era um dos dois que estava em liberdade gra?as a um habeas corpus concedido ter?a-feira (8). O outro era o taxista Marcelo Pav?o da Costa Carvalho, que se entregou ? pol?cia e foi levado nesta sexta para o pres?dio de Bangu, onde est?o os outros nove presos.
“Sr. Whelan n?o foi convocado para retornar ? 18? DP em 8 de julho, nem foi solicitado a permanecer no hotel Copacabana Palace na pend?ncia de mais investiga?es ap?s sua soltura inicial”, afirmava outro trecho da nota.
Recurso
No recurso negado pela Justi?a, a defesa do executivo alegava que a pris?o preventiva conflitava com o habeas corpus que havia sido concedido em prol dele depois que uma pris?o tempor?ria foi decretada. A GloboNews teve acesso ao documento e mostrou que a Justi?a teria alegado garantia da ordem p?blica, conveni?ncia da instru??o criminal, efetiva aplica??o da lei penal e a suspeita de comportamento virtuoso e compat?vel com a pretendida liberdade para negar o habeas corpus.
As buscas por Whelan foram iniciadas depois que a Justi?a aceitou a den?ncia feita pelo Minist?rio P?blico e decretou a pris?o preventiva de 11 acusados. De acordo com o Tribunal de Justi?a do Rio, os 11 acusados v?o responder pelos crimes de cambismo, organiza??o criminosa, desvio de ingresso e corrup??o ativa. Dos 12 indiciados pela pol?cia, apenas o advogado Jos? Massih n?o teve a pris?o preventiva decretada nem foi denunciado pelo MP, por estar colaborando com as investiga?es. Massih foi solto nesta sexta.
O esquema
Deflagrada no dia 1? de julho, a opera??o da 18? DP prendeu 12 pessoas. No dia 1?, 11 suspeitos foram detidos no Rio e em S?o Paulo. Na segunda (7), Whelan foi preso por suspeita de ser o facilitador da obten??o dos ingressos.
Com a listagem de celulares da Fifa em m?os, um dos agentes policiais digitou no aparelho celular apreendido do argelino Lam?ne Fofana o prefixo 96201, que precede os telefones da entidade. Apareceu, ent?o, o nome "Ray Brazil", para o qual havia 900 registros entre telefonemas e mensagens.
Ao todo, a opera??o est? lendo e escutando 50 mil registros telef?nicos, dos quais mais de 50% j? foram apurados.
Segundo as investiga?es, tr?s empresas de turismo localizadas em Copacabana, interditadas pela pol?cia, faziam contato com ag?ncias de turismo que traziam turistas ao pa?s e vendiam ingressos acima do pre?o.
Eram ingressos VIPs, fornecidos como cortesia a patrocinadores, a Organiza?es N?o Governamentais (ONGs) e tamb?m destinados ? comiss?o t?cnica da Sele??o Brasileira – desde bilhetes de camarotes at? entradas de assentos superiores. Uma entrada para a final da Copa no Maracan? chegava a custar R$ 35 mil e a quadrilha faturava mais de R$ 1 milh?o por jogo.
Segundo a pol?cia, Fofana tamb?m conseguia entradas vendidas pelos agentes oficiais da categoria "hospitalidade", pacotes de luxo, controlados pela Match Hospitality. At? carro forte foi usado para abastecer a quadrilha que vendia entradas para todos os jogos da abertura ? final do torneio.
Segundo o delegado F?bio Barucke, respons?vel pelo caso, os presos j? atuaram em pelo menos quatro mundiais e estimativas apontam que a quadrilha poderia movimentar cerca de R$ 200 milh?es por Copa do Mundo.
Presos
Al?m de Fofana, est?o presos o policial militar reformado Os?as do Nascimento; Alexandre Marino Vieira; Ant?nio Henrique de Paula Jorge, um dos contatos de Fofana no Brasil (antes de ser preso, Henrique tentou retirar de um banco R$ 177 mil em dinheiro vivo); Marcelo Pav?o da Costa Carvalho; S?rgio Ant?nio de Lima, que teria tentado subornar um dos agentes; Ernane Alves da Rocha J?nior; J?lio Soares da Costa filho; Fernanda Carrione Paulucci e Alexandre da Silva Borges