Piaui em Pauta

Polícia suspeita que pai de Bernardo tenha forjado telefonemas para encobrir morte

Publicada em 07 de Maio de 2014 às 08h50


Menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, encontrado morto no interior do RS Menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, encontrado morto no interior do RS Um despacho judicial desta ter?a-feira (06) revelou um dos principais ind?cios obtidos pela Pol?cia Civil ga?cha para apontar o envolvimento do m?dico Leandro Boldrini na morte do filho Bernardo, de 11 anos, no dia 4 de abril em Frederico Westphalen (RS). Desde 14 de abril, ele est? preso temporariamente, assim como a madrasta de Bernardo, a enfermeira Graciele Ugulini Boldrini, e a assistente social Edelv?nia Wirganovicz, amiga dela. Ambas confessaram participa??o no assassinato. Leandro Boldrini se diz inocente, mas a pol?cia encontrou contradi?es na vers?o do m?dico e suspeita que ele tenha acobertado o crime. Menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, encontrado morto no interior do RS O desembargador Nereu Jos? Giacomolli, da 3? C?mara Criminal do Tribunal de Justi?a do Rio Grande do Sul, levantou a suspeita de que Leandro Boldrini tenha forjado telefonemas para o celular do filho nos dias seguintes ? morte do menino, mesmo sabendo que o aparelho n?o estava com a crian?a. O magistrado apontou a sequ?ncia de atos de Boldrini ao negar o segundo pedido de liberdade impetrado pela defesa do m?dico. No documento, Giacomolli argumentou que o m?dico deve ficar preso porque pode ser punido penalmente, uma vez que a "omiss?o e neglig?ncia" podem configurar sua participa??o ou coautoria no crime. Baseado em trechos do inqu?rito policial anexados ao processo, o desembargador afirmou que o pai de Bernardo agiu "de modo no m?nimo estranho" ao responder a interlocutores do filho que tentaram contato com o menino ap?s o desaparecimento. Na vers?o do pai, Bernardo teria sumido na sexta-feira dia 4 de abril quando iria dormir na casa de um amigo - em verdade, ele foi levado pela madrasta a Frederico Westphalen e assassinado. Leandro Boldrini s? deu queixa ? pol?cia dois dias depois, no domingo 6 de abril. Nos dias seguintes, iniciou uma campanha de buscas em r?dios locais e na internet. Ele teria, ent?o, tentado telefonar para o celular do filho. "H? relatos de pessoas que enviaram mensagens para o telefone celular do menino na sexta-feira, dia de seu desaparecimento, sem obter qualquer resposta; surpreendentemente, receberam, no domingo, resposta do pai, como se este tivesse tido acesso ao telefone do filho e tivesse, ent?o, resolvido responder, n?o em seu nome, mas como forma de n?o deixar o interlocutor preocupado pela falta de resposta [do menino]", anotou o magistrado em sua decis?o. O desembargador destacou: "Tivesse o pai acesso ao telefone do mesmo [Bernardo], n?o fariam sentido suas seguidas tentativas de contato com o menino, que conduzem ? possibilidade, a ser melhor esclarecida, de que as liga?es tenham sido uma forma de demonstrar preocupa??o com o filho, dissipando suspeitas". Giacomolli disse ainda que "essas circunst?ncias tamb?m aparentam estar em desacordo com os pormenores do desaparecimento", embora n?o tenha ficado claro se o menino estava ou n?o com o aparelho no epis?dio. "A situa??o toda da pr?pria comunica??o do desaparecimento do menino mostrou-se intrigante", escreveu o desembargador. "V?rios relatos apontam o desleixo paterno com as sa?das e visitas a terceiros, sendo frequentes refer?ncias a dias ou semanas que o filho passava em companhia de outrem sem qualquer preocupa??o paterna; justamente nesse final de semana [da morte de Bernardo], por?m, o pai demonstrou-se - em termos - zeloso." Indicar a exata responsabilidade de Leandro Boldrini na morte do filho tem sido o principal objetivo dos investigados nas ?ltimas semanas. Depois de obter duas confiss?es de participa??o no assassinato, a equipe da delegada Caroline Bamberg Machado dedicou-se a obter provas sobre o pai do menino. Ela se diz convicta da culpa do pai. A defesa de Boldrini afirma que n?o h? ind?cios do envolvimento dele - e argumenta que as demais acusadas o inocentaram. O site da VEJA telefonou para a delegada na noite desta ter?a-feira, mas ela n?o atendeu. Defensor de Leandro Boldrini, o advogado Jader Marques tamb?m n?o atendeu as liga?es. O criminalista decidiu entregar o hist?rico de chamadas do pai para o celular do menino no in?cio das investiga?es, como forma de mostrar que ele tinha preocupa??o com Bernardo. A estrat?gia da defesa era mostrar que ele era um pai atarefado e ausente por motivos profissionais, mas n?o, omisso. Procurada, a Assessoria de Imprensa da Pol?cia Civil disse que n?o se pronunciaria sobre os detalhes do inqu?rito apontados pelo desembargador. O relat?rio final com o prov?vel indiciamento dos tr?s acusados por homic?dio triplamente qualificado deve ser entregue ao Minist?rio P?blico e ? Justi?a at? a pr?xima ter?a-feira - no mesmo dia, vencem os prazos das pris?es tempor?rias. Nesta ter?a, os investigadores se reuniram em Porto Alegre com a equipe do Instituto Geral de Per?cias (IGP) respons?vel pelos exames que devem apontar a causa da morte. A pol?cia espera uma resposta sobre a conclus?o dos testes laboratoriais at? quinta-feira. Um dos laudos apontou a presen?a da subst?ncia midazolam no organismo do Bernardo. A principal linha de investiga??o aponta para uma inje??o letal, ap?s superdosagem do medicamento sedativo.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por: Da Redação
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