Piaui em Pauta

Por que a mão de obra ainda emperra a construção civil?

Publicada em 27 de Junho de 2014 às 09h08


Atrasos, baixa qualidade, falhas de projeto... quem j? fez uma reforma ou acompanha o mercado imobili?rio sabe dos obst?culos enfrentados pela constru??o civil brasileira. E como ela ? intensiva em m?o de obra, muitas vezes recai sobre os trabalhadores a responsabilidade pelos problemas do setor - que apesar de estar perdendo o f?lego, ainda ? respons?vel por 8% do total de ocupados no pa?s. Uma das quest?es ? justamente essa: o apetite por trabalhadores significou uma enxurrada de novatos. Hugo Rosa, presidente da M?todo Engenharia, nota que a taxa de trabalhadores com menos de um ano de experi?ncia no setor chegou a atingir 50% recentemente, o que ajudou a baixar a produtividade. Em pesquisa recente da EY com empresas de capital aberto da constru??o, a qualifica??o de m?o de obra foi citada por 78% como uma das lacunas da produtividade nos ?ltimos dois anos. O mesmo n?mero de empres?rios cita o treinamento como uma das medidas sendo tomadas para resolver o problema. Ana Estela, pesquisadora do IBRE-FGV, diz que as construtoras tem um horizonte longo e foram pegas de surpresa pelo boom do pa?s: "At? 2005, n?o havia uma perspectiva sustent?vel de crescimento, ent?o elas n?o investiam em treinamento e forma??o, o que passaram a fazer. Mas o resultado demora para aparecer". Ela nota que n?o s? as empresas, mas sindicatos e cursos t?cnicos do governo est?o contribuindo com o processo, assim como o aumento de sal?rios, que ajuda a atrair um novo tipo de profissional. Com o tempo, isso deve mudar o perfil da m?o de obra. Artesanal X industrial Para Rosa, o baixo n?vel t?cnico e educacional do brasileiro ? uma queixa generalizada dos empres?rios de todos os setores, mas est? longe de ser o principal problema: "voc? vai para os Estados Unidos e v? muitos trabalhadores que vem da Am?rica Latina, inclusive do Brasil, e os mesmos que tem aqui uma baixa produtividade tem uma alta produtividade l?." A chave para entender o problema s?o os itens que figuram no topo da lista da mesma pesquisa da EY: melhoria de projetos, de gest?o e de m?todos. Moral da hist?ria: vai ser dif?cil (e insuficiente) qualificar o trabalhador at? que o m?todo de constru??o deixe se ser basicamente artesanal, como ? hoje. "A quest?o n?o ? qualificar o trabalhador para o que ? feito hoje, e sim passar para um processo industrializado, com menor depend?ncia desse artesanato, onde cada servi?o tem uma caract?ristica diferente. Quando voc? tem o trabalhador em um ambiente industrial, a? sim voc? pode qualificar pra valer", diz Rosa. Os incentivos, hoje, v?o muitas vezes contra esse processo. Ana cita um exemplo simples: um bloco que ? feito na obra tem uma tributa??o espec?fica; j? um bloco que vem de fora custa mais caro, pois est? sujeito ao ICMS. Ela diz que outra dificuldade ? que um novo processo produtivo exigiria uma mudan?a da pr?pria mentalidade, o que afeta as duas pontas: do oper?rio ao empres?rio.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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