Piaui em Pauta

Porta-voz da Presidência da República é alvo de ataques de aliados de Bolsonaro.

Publicada em 22 de Julho de 2019 às 12h06


BRAS?LIA — Conhecido pela postura moderada e gosto pela leitura, o porta-voz Ot?vio do R?go Barros — general que comandou a comunica??o do Ex?rcito na gest?o de Eduardo Villas B?as — atribuiu-se a miss?o de melhorar a rela??o entre Jair Bolsonaro e a imprensa , al?m de unificar as divulga?es do Executivo como um todo. Ele, contudo, tem encontrado obst?culos pelo caminho.

? Siga-nos no Twitter

As cr?ticas diretas recebidas do deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) no fim de semana (“porta-voz serve para proteger, n?o para expor”) e as indiretas proferidas pelo vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PSC) na sexta-feira (“por que o presidente insiste no tal caf? da manh? semanal com ‘jornalistas’?”) j? ecoam nos corredores do Pal?cio do Planalto h? alguns meses.

No gabinete de Fabio Wajngarten, novo secret?rio de Comunica??o do governo, as cr?ticas aos caf?s da manh? s?o frequentes desde sua entrada no cargo, em abril. A avalia??o ? de que a estrat?gia, elaborada por R?go Barros, ? ineficaz em melhorar a imagem do presidente e transmitir a ideia de que ? Bolsonaro quem lidera os esfor?os para o pa?s avan?ar. Wajngarten nunca participa dos caf?s e mant?m rela??o distante com o porta-voz.

Discord?ncia de tom
Ainda que Bolsonaro tenha defendido o general dos ataques de Feliciano e Carlos, afirmando que R?go Barros o trata “com muito zelo, muita preocupa??o”, n?o s?o raras as vezes em que o presidente chama a aten??o do subordinado por discordar do tom de algum pronunciamento. Tamb?m j? ocorreram situa?es em que, no meio de um briefing de imprensa, Bolsonaro muda de opini?o sobre um determinado tema, deixando R?go Barros em saia justa. Exemplo disso ocorreu no in?cio de junho, quando o presidente havia cancelado uma viagem ? regi?o de Barra dos Gar?as, em Mato Grosso, mas recuou justamente no momento em que R?go Barros anunciava a mudan?a de planos.

Em outro epis?dio, no final de junho, R?go Barros anunciou que Bolsonaro n?o recuaria dos tr?s novos decretos sobre a flexibiliza??o da posse de armas. Preparou o briefing com a informa??o e, enquanto fazia esse an?ncio, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, costurava um acordo para revogar os tr?s textos rec?m-publicados. O porta-voz foi pego de surpresa.

As idas e vindas e as tens?es no Pal?cio do Planalto t?m impactado a sa?de do general. R?go Barros submeteu-se, no ano passado, a uma cirurgia para colocar uma pr?tese nos quadris. Por isso, deveria se dedicar a sess?es frequentes de fisioterapia — rotina que n?o tem conseguido cumprir em raz?o do tempo escasso. Sua alimenta??o, fundamental para o controle do peso, j? que n?o pode se exercitar, tamb?m piorou.

A ida do general para o governo tamb?m lhe custou um pre?o alto no aspecto profissional. Ao ingressar no Pal?cio do Planalto, ele estava prestes a passar pelo ?ltimo filtro do Ex?rcito para se tornar um general quatro estrelas, t?tulo que o al?aria ao restrito Alto Comando da institui??o. Caso n?o fosse promovido, iria para a reserva. Como a fun??o de porta-voz traz uma exposi??o pol?tica n?o desejada pelo Ex?rcito, sua estada no governo Bolsonaro contribuiu para que, em junho, R?go Barros sa?sse da ativa com tr?s estrelas. Ou seja, acabou n?o sendo promovido.


Al?m de R?go Barros, Carlos Bolsonaro e Feliciano coincidem em outros ataques a quadros do Executivo. Os ex-ministros Gustavo Bebianno e Carlos Alberto dos Santos Cruz, al?m do vice-presidente Hamilton Mour?o, foram alvos no passado. Bebianno e Santos Cruz ca?ram. Mour?o se recolheu, reduzindo as declara?es controversas em p?blico.

Tags: Porta-voz da Presidê - BRASÍLIA ? Conhecido

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
Comente através do Facebook
Matérias Relacionadas