Piaui em Pauta

Quadro econômico do Brasil divide a opinião de especialistas

Publicada em 28 de Junho de 2014 às 08h36


O quadro econ?mico do Brasil tem divido a opini?o dos economistas. Nesta sexta-feira (27), o Tesouro Nacional informou que o d?ficit prim?rio do Governo Central (que compreende o Tesouro, a Previd?ncia e o Banco Central) superou a arrecada??o em R$ 10,502 bilh?es em maio. Este foi o pior resultado para o m?s desde o in?cio da s?rie hist?rica, em 1999. Tamb?m nesta sexta-feira, a Receita Federal divulgou os dados de arrecada??o de impostos e contribui?es federais no m?s de maio. Os n?meros mostram uma redu??o de 5,95% em compara??o ao mesmo per?odo de 2013. Este ? o valor mais baixo para meses de maio desde 2011 e tamb?m representa a primeira baixa do ano. Ainda segundo a Receita Federal, nos primeiros cinco meses de 2014 a arrecada??o teve crescimento real de 0,31%. Na ter?a-feira (24), o ministro de Minas e Energia, Edison Lob?o, anunciou a contrata??o sem licita??o da Petrobras para explora??o do volume excedente de ?leo em quatro campos de pr?-sal. Na ocasi?o, o ministro afirmou que a Uni?o vai receber R$ 2 bilh?es pelo b?nus de assinatura do contrato. A medida gerou pol?mica e, acompanhada de dados negativos, torna a situa??o econ?mica do Brasil ainda mais pol?mica. Para o coordenador dos cursos de gest?o e professor do mestrado em Economia Empresarial da Universidade C?ndido Mendes, Roberto Simonard, “a Petrobras est? vivendo um per?odo de grande interven??o do governo nos pre?os. Por?m, os lucros da empresa est?o em queda. Ent?o, ? uma ?poca ruim para isso acontecer. O Brasil tem pr?-sal e precisa de investimento. Sabemos que o governo tem feito manobras cont?beis para conseguir saldos positivos. A Petrobras vai adiantar uma quantia de 2 bilh?es de reais de um dinheiro do futuro para o governo, ou seja, uma receita extra”. O professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Francisco Lopreato, por sua vez, avalia de forma positiva a assinatura do contrato. “Qualquer empresa que estivesse fazendo o esfor?o de investimento que a Petrobras est? fazendo seria monstruoso. O que est? se demandando ? um volume herc?leo de investimentos. O ritmo, a expectativa, os desafios... tudo isso n?o pode estar em uma situa??o maravilhosa. Os investimentos est?o alt?ssimos. Vamos ter que esperar uns cinco anos para a Petrobras receber um retorno. A empresa est? sobrecarregada, com uma exig?ncia muito grande. Al?m de tudo, teve o baque com a perda dos pre?os de combust?veis. Isso deu uma esvaziada no caixa da Petrobr?s. O governo se atrapalhou com isso. A situa??o problem?tica ? incompat?vel com os investimentos. Sobre o novo acordo da Petrobras com o governo, os recursos ser?o pagos com a venda desses campos [B?zios (antigo campo de Franco), Entorno de Iara, Florim e Nordeste de Tupi]. Dois bilh?es de reais n?o ? uma quantia significativa. O custo adicional vai ser pequeno porque ela j? atua nessa ?rea. Foi uma vantagem para a Petrobras esse acordo. O governo quis se assegurar que aqueles campos sem licita??o j? s?o da Petrobr?s, n?o tem volta”, defende Lopreato. D?ficit fiscal Lopreato e Simonard tamb?m diferem em opini?es sobre o d?ficit fiscal, que ? a diferen?a entre todas as receitas do governo e as suas despesas, sendo as despesas maiores que as receitas. Simonard acredita que “o d?ficit fiscal est? em uma trajet?ria de expans?o preocupante. Est? expandindo rapidamente e o governo n?o d? mostras de tomar um posicionamento para resolver. Pelo contr?rio”. Ele diz que “? preciso controlar os gastos porque a atual administra??o p?blica tem uma pol?tica de expans?o econ?mica baseada em gastos p?blicos”. J? para Lopreato, “a economia est? crescendo pouco e existe a expectativa de queda da receita. Mas eu n?o vejo uma situa??o catastr?fica. Claro que poderia ser melhor, mas n?o est? um caos generalizado. Temos um super?vit prim?rio positivo e que tem sido mantido sobre controle. O governo recorre a a?es extraordin?rias, mas faz parte”. Balan?a Comercial A balan?a comercial, que registra as importa?es e as exporta?es de bens e servi?os entre os pa?ses, contudo, preocupa os dois economistas. A diminui??o da demanda e dos pre?os das commodities, para ambos, agrava o problema de uma balan?a comercial negativa. Simonard analisa: “Desde o come?o do s?culo XXI, houve um boom econ?mico e o Brasil, que ? um grande produtor de commodities, disparou nas exporta?es. Contudo, desde 2011, a economia vem desacelerando e, consequentemente, a demanda por commodities diminuiu. O Brasil j? n?o recebe o mesmo dinheiro e n?o tem o mesmo lucro de antes. O saldo externo brasileiro se deteriorou”. Lopreato adianta que “a balan?a comercial ? um quadro que preocupa”. Para ele, “? uma situa??o que talvez tenha melhorado, mas como reflexo da baixa atividade econ?mica. N?o teve um quadro favor?vel ao aumento das exporta?es. N?s estamos apostando tudo em petr?leo, mais dois ou tr?s anos vai deslanchar e regular. Sobre as commodities, a demanda da China est? meio devagar e a situa??o da Europa e nos Estados Unidos n?o ? muito boa. O que estava salvando, eram as commodities, que aumentaram em montante, mas ca?ram em valor”. Infla??o Sobre a infla??o, a opini?o dos economistas difere em alguns pontos. Embora os economistas concordem que o quadro ? est?vel, Simonard aponta que “a infla??o est? do topo da faixa, acima da meta”,j? Lopreato se mostra mais otimista dizendo: “n?o tenho a perspectiva que estoure a meta”. Simonard justifica dizendo que “o Brasil tem uma infraestrutura ruim, m?o de obra pouco qualificada e taxa de juros e carga tribut?ria altas. N?o tem uma produtividade boa. A situa??o se agrava com o fato de que o governo tem alavancado com o aumento dos gastos” J? Lopreato afirma n?o acreditar que “v? ter uma mudan?a significativa e nem que v? sair de controle”. Ele explica: “n?o existe uma situa??o favor?vel para cair e nem para estourar. Acredito que vai ficar em redor dos 6%. Os servi?os continuam altos e os pre?os dos alimentos tamb?m. Talvez a Copa tenha ajudado a aumentar o pre?o dos servi?os. A infla??o est? est?vel nos ?ltimos dois anos, mas tend?ncia ? que haja uma queda no segundo semestre”. Recess?o A possibilidade de uma recess?o n?o ? afastada pelos economistas, diante do quadro econ?mico do Brasil. Contudo, para alguns, como Simonard, o pa?s j? passa por uma recess?o. Para outros, como Lopreato, o panorama ainda n?o ? t?o grave, mas tamb?m n?o ? descart?vel. Simonard alega que “o Brasil tem crescido pouco de 2011 para c?. Os investimentos no pa?s diminu?ram nos ?ltimos tempos, desde 2012. Como a infla??o est? acima da meta, ela contribui para contrair os investimentos e prejudica o consumo. J? estamos vivendo uma recess?o”. J? Lopreato minimiza: “S?o dois trimestres de queda do PIB, agora est? desacelerando. Se vai configurar como uma recess?o, vamos esperar para ver. Existe a chance. Estamos caminhando para um PIB baixo. Uma recess?o n?o ? totalmente descart?vel. Ainda mais com essa quadro de elei??o. Esse quadro de incerteza prejudica a quest?o econ?mica, segura os investimentos”.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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