Piaui em Pauta

Quatro perguntas sobre o impacto da morte de Campos na corrida eleitoral

Publicada em 14 de Agosto de 2014 às 08h22


Marina é vista com reserva pelos empresários do agronegócio. Marina é vista com reserva pelos empresários do agronegócio. A morte do ex-governador pernambucano Eduardo Campos gera uma s?rie de incertezas para a corrida eleitoral deste ano - talvez as mais relevantes delas, neste momento, se a ex-senadora e presidenci?vel Marina Silva, vice na dobradinha, continuar? na disputa e passar? ? cabe?a da chapa para disputar o pleito. Imagem: Divulga??o Marina, que terminou as elei?es de 2010 com 19% dos votos, ? creditada por aportar uma parte importante do apoio dos eleitores ? candidatura do PSB. Campos ocupava o terceiro lugar na disputa, atr?s da presidente Dilma Rousseff (PT) e do senador A?cio Neves (PSDB). Por outro lado, analistas ouvidos pela BBC Brasil apontam que ela n?o circula com a mesma desenvoltura por c?rculos ideol?gicos diferentes, incluindo setores influentes do ponto de vista do financiamento de campanha.?A ex-senadora ainda n?o indicou o que pretende fazer. Para explorar os diferentes cen?rios, elaboramos algumas perguntas sobre os poss?veis impactos da morte de Campos para a disputa eleitoral. Quem pode assumir o lugar de Campos na chapa? Segundo a legisla??o eleitoral, o partido de Campos poder? escolher outro candidato em at? dez dias. A candidatura ter? de ser respaldada pelas dire?es dos partidos que se coligaram com o PSB na disputa ? Presid?ncia: PHS, PRP, PPS, PPL e PSL. O candidato poder? ser do PSB ou de qualquer um desses partidos, desde que todos estejam de acordo. Entre os nomes mais cotados est? o da ex-senadora Marina Silva, atual vice da chapa. Marina se filiou ao PSB ap?s a Justi?a Eleitoral rejeitar a cria??o de seu partido, a Rede Sustentabilidade. No entanto, a rela??o entre Marina e dirigentes do PSB ? delicada. Cabia a Campos harmonizar posi?es divergentes entre a vice e o PSB. Se por um lado a morte de Campos a torna a candidata natural do PSB para a disputa, por outro, unificar o partido – e as demais siglas da coaliz?o – em torno de seu nome ser? um grande desafio. Marina pode, ainda, abrir m?o da disputa. A ex-senadora ainda n?o disse qual ser? sua posi??o. Para onde v?o os eleitores dele? Na ?ltima pesquisa do Ibope, divulgada na semana passada, Campos aparecia com 9% das inten?es de voto. Segundo analistas, seus votos n?o t?m um herdeiro ?bvio – nem mesmo se Marina Silva assumir a cabe?a da candidatura. Apesar da alian?a com Marina, muitos dos seguidores de Campos expressam reserva com a vice. "Campos circula melhor que a Marina entre os eleitores, porque n?o tem um discurso associado a dois perfis de eleitor muitos distintos: o evang?lico e o ambientalista", diz Silvana Krause, professora de Ci?ncia Pol?tica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Imagem: AFPClique para ampliarMarina ? vista com reserva pelos empres?rios do agroneg?cio. Por outro lado, caso se candidate, Marina poderia recuperar votos de eleitores que a apoiaram em 2010, mas planejavam votar em Dilma ou A?cio em 2014. A ex-senadora terminou em terceiro lugar naquela elei??o, com 19% dos votos. Para Krause, os eleitores de Campos que n?o aderirem a uma eventual candidatura de Marina dever?o se dividir entre Dilma e A?cio pelos seguintes crit?rios: a petista deve herdar os votos de eleitores de centro-esquerda, preocupados com pol?ticas sociais, enquanto o tucano ficar? com os votos dos eleitores antipetistas, com perfil mais conservador. Qual ser? a posi??o dos doadores da candidatura do PSB? Bem relacionado com empres?rios, Campos havia recebido at? agora R$ 8,2 milh?es em doa?es para a disputa de 2014, segundo a primeira parcial divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dilma recebeu R$ 10,1 milh?es, e A?cio, R$ 11 milh?es. A morte dele lan?a d?vidas sobre a capacidade do PSB de manter o fluxo de doa?es. As tr?s empresas que at? agora mais doaram para Campos s?o do ramo do agroneg?cio: a Atasuco, fabricante de sucos e aromas, doou R$ 1,5 milh?o, a JBS, maior produtora de carnes do mundo, doou R$ 1 milh?o, e o mesmo valor foi doado pela Cosan, gigante do setor de a?car e biocombust?veis. Caso Marina assuma a cabe?a da chapa, ? improv?vel que empres?rios do agroneg?cio mantenham o n?vel de doa?es, j? que a candidata ? vista pelo setor com reserva.?Com menos doa?es, uma eventual campanha de Marina teria de ser mais modesta. De que forma a morte afeta as coliga?es do PSB nos Estados? Segundo a cientista pol?tica Silvana Krause, da UFRGS, as alian?as costuradas por Campos para elei?es estaduais n?o dever?o ser alteradas, mesmo que Marina assuma a cabe?a da chapa. Em busca de nacionalizar sua campanha, Campos aliou-se a candidatos de outros partidos em disputas para governos estaduais. As negocia?es geraram atritos com Marina, que rejeitava alian?as com partidos n?o alinhados ideologicamente com a candidatura. Em nota divulgada em junho, a Rede Sustentabilidade, grupo pol?tico de Marina incorporado pelo PSB nesta elei??o, anunciou que a ex-senadora s? participaria de atividades de candidatos a governos estaduais apoiados pela Rede. A Rede ainda n?o disse se a morte de Campos altera esse quadro. Para Krause, a tend?ncia ? que, caso assuma a candidatura do PSB, Marina s? busque o apoio de candidatos cujas alian?as ajudou a negociar.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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