Piaui em Pauta

Quem mandou matar delator no aeroporto? Veja quais são as 3 principais hipóteses investigadas.

Publicada em 13 de Novembro de 2024 às 00h52


?A for?a-tarefa da Secretaria da Seguran?a P?blica (SSP) investiga tr?s principais hip?teses para tentar esclarecer a execu??o de Ant?nio Vinicius Lopes Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC).

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A Pol?cia Civil, a Pol?cia Militar (PM) e a Pol?cia T?cnico-Cient?fica apuram se policiais militares, policiais civis, um agente penitenci?rio, um devedor e integrantes da fac??o criminosa participaram da execu??o do empres?rio ligado ao ramo imobili?rio (saiba mais abaixo).

At? a ?ltima atualiza??o desta reportagem, nenhum dos assassinos foi identificado ou preso.

Vinicius foi morto na ?ltima sexta-feira (8) com dez tiros por dois homens n?o identificados e encapuzados no Aeroporto Internacional de S?o Paulo, em Guarulhos, na regi?o metropolitana. Eles carregavam fuzis e atacaram o empres?rio na ?rea de desembarque do terminal 2 . C?meras de monitoramento gravaram o crime (veja v?deo nessa reportagem).


Um motorista por aplicativo tamb?m foi atingido por um disparo e morreu. Outras duas pessoas tamb?m se feriram. Ao todo, foram 29 tiros. Os assassinos fugiram. As armas usadas por eles no crime foram abandonadas e encontradas depois pelas autoridades.

A for?a-tarefa analisa as filmagens e ouve depoimentos de testemunhas e sobreviventes para identificar quem executou e quem mandou matar Vinicius.

O empres?rio e a namorada estavam voltando de uma viagem de Macei?, em Alagoas, para S?o Paulo. No domingo (10), viajariam para Vit?ria, no Esp?rito Santo. A companheira n?o foi atingida pelos disparos.

O Minist?rio P?blico (MP) acompanha as apura?es. A Pol?cia Federal (PF) faz sua investiga??o pr?pria do caso porque o ataque ocorreu no aeroporto que ? responsabilidade da institui??o. A Guarda Civil Municipal (GCM) de Guarulhos apura por qual motivo seus agentes n?o estavam no local no momento da execu??o.

Vinicius Gritzbach se apresentava como empres?rio do ramo imobili?rio, mas era r?u na Justi?a em dois processos: por lavagem de dinheiro para o crime organizado e tamb?m acusado por um duplo homic?dio (saiba mais abaixo).

E foi justamente por causa desses processos que Vinicius decidiu fazer uma dela??o premiada para revelar quem s?o os agentes de seguran?a e integrantes do PCC envolvidos num esquema ilegal de lavagem de dinheiro para o crime organizado.

A Justi?a homologou a delega??o com o Minist?rio P?blico em mar?o. Em troca, o empres?rio receberia uma pena menor, por exemplo, se fosse condenado pelos crimes. E oito dias antes de ser executado, Vinicius fez uma den?ncia na Corregedoria da Pol?cia Civil para denunciar agentes que estavam tentando extorquir dinheiro dele.

Veja abaixo as principais linhas de investiga??o da for?a-tarefa para elucidar o caso, que ? investigado como "homic?dio, les?o corporal e localiza??o e apreens?o de objeto".

Envolvimento de agentes de seguran?a

PMs e policiais civis
Vinicius tinha contratado policiais militares para fazer sua seguran?a pessoal. O 'bico' ? considerado irregular pela Pol?cia Militar. As autoridades querem saber se esses agentes t?m algum envolvimento no assassinato.

Foram identificados oito PMs. Todos eles acabaram afastados nesta semana pela for?a-tarefa. At? a ?ltima atualiza??o desta reportagem nenhum deles havia sido indiciado ou responsabilizado pelo crime.

Esses mesmos policiais militares j? estavam sendo investigados um m?s antes da execu??o pela Corregedoria da PM justamente por fazerem escolta para Vinicius, que t?m liga??o com o PCC.

Os agentes afastados trabalham no 18? Batalh?o de Pol?cia Militar Metropolitano (BPM-M), na Zona Norte de S?o Paulo, onde atua a maioria do grupo, e do 23? BPM-M, na Zona Oeste da capital paulista.

Em 31 de outubro, oito dias antes de ser executado, ele foi ouvido pela Corregedoria da Pol?cia Civil e denunciou agentes da institui??o que estariam tentando extorquir dinheiro dele. Os policiais denunciados trabalham no Departamento Estadual de Homic?dios e Prote??o ? Pessoa (DHPP), no Departamento Estadual de Investiga?es Criminais (Deic), no 24? Distrito Policial (DP), Ermelino Matarazzo, e no 30? DP, Tatuap?.

Agente penitenci?rio
Um agente penitenci?rio investigado com Vinicius em um processo de homic?dio, em que s?o corr?us, tamb?m passou a ser investigado por suposta rela??o com a execu??o do empres?rio.


Vinicius tinha 38 anos e era corretor de im?veis no Tatuap?, Zona Leste de S?o Paulo. H? alguns anos, ele passou a fazer neg?cios com Anselmo Bicheli Santa Fausta. Conhecido como Cara Preta, Anselmo movimentava milh?es de reais comprando e vendendo drogas e armas para o PCC.

Segundo o Minist?rio P?blico de S?o Paulo, Vinicius teria atuado para lavar R$ 30 milh?es em dinheiro vindos do tr?fico de drogas. De acordo com fontes da Pol?cia Federal, a maior parte dessas opera?es de lavagem foi feita com a compra e venda de im?veis e postos de gasolina.

Cara Preta e o motorista dele, Ant?nio Corona Neto, o Sem Sangue, foram assassinados, e Vinicius come?ou a ser investigado junto com o agente penitenci?rio como respons?veis por essas mortes.

Em mar?o, o empres?rio fechou um acordo de dela??o premiada com o MP com a promessa de entregar esquemas de lavagem de dinheiro do PCC e crimes cometidos por policiais.

Vinicius acusou um delegado do DHPP de exigir dinheiro para n?o implic?-lo no assassinato de Cara Preta. Al?m disso, forneceu informa?es que levaram ? pris?o de dois policiais civis que trabalharam no Departamento de Preven??o e Repress?o ao Narcotr?fico (Denarc).

Nesse caso do poss?vel envolvimento dos agentes de seguran?a na execu??o de Vinicius, a suspeita das autoridades ? a de que o empres?rio foi morto como "queima de arquivo". Justamente porque poderia delatar mais profissionais da seguran?a, por exemplo.


Procurada para comentar o assunto do poss?vel envolvimento de um de seus agentes na execu??o do delator do PCC, a Secretaria da Administra??o Penitenci?ria (SAP) informou por meio de nota que "atualmente, o servidor responde a tr?s processos administrativos disciplinares na pasta, que poder?o levar ? demiss?o do servi?o p?blico."

Envolvimento de integrantes do PCC

Outra linha de investiga??o ? a de que ele possa ter sido morto a mando da fac??o criminosa por ter delatado quem eram os membros do PCC que faziam parte do grupo que lavava dinheiro.

Al?m disso, Vinicius estaria devendo cerca de US$ 100 milh?es que seriam de Cara Preta.

Envolvimento de devedor
E uma terceira frente de apura??o trabalha com a possibilidade de que algu?m teria decidido mat?-lo por alguma d?vida financeira. Vinicius foi a Macei? cobrar dinheiro de uma pessoa, que lhe deu joias em troca. Elas foram avaliadas em cerca de R$ 1 milh?o.

O homem que entregou as joias ao empres?rio passou a ser investigado tamb?m por suspeita de participar da execu??o de Vinicius.

Segundo um de seus advogados, Vinicius chegou a pedir mais prote??o aos promotores, em virtude de ter sido jurado de morte. Mas esse pedido n?o teria sido atendido.

Mas ? GloboNews, o promotor Lincoln Gakiya disse que Vinicius recusou as ofertas de seguran?a feitas a ele. Segundo o MP, o delator alegava que podia bancar a pr?pria seguran?a e n?o queria abrir m?o do estilo de vida que levava. Ao entrar no programa de prote??o, ele precisaria mudar de casa e deixar de conviver com a fam?lia e amigos.

Segundo a Promotoria, para se proteger, o empres?rio contratou cinco policiais militares para fazerem sua escolta particular. Quatro deles tinham ido ao aeroporto se encontrar com Vinicius, mas n?o estavam com ele quando foi morto. Os agentes foram ouvidos pela for?a-tarefa e disseram que um dos carros usados para buscar o empres?rio teve um problema na igni??o.


O quinto PM viajava com o empres?rio, mas disse ? investiga??o que, quando ouviu o barulho de disparos, se escondeu atr?s de um ?nibus estacionado. ? Corregedoria, ele explicou que estava em desvantagem, por isso decidiu proteger a pr?pria vida.

Os PMs tamb?m s?o investigados pelo Departamento Estadual de Homic?dios e de Prote??o ? Pessoa. A investiga??o est? refazendo os passos deles, seguindo o trajeto antes de o carro supostamente quebrar, al?m de extrair dados dos celulares dos PMs.

O ataque a tiros contra Vinicius causou a morte dele e tamb?m de do motorista por aplicativo Celso Araujo Sampaio de Novais, de 41 anos. Ele foi atingido nas costas por um tiro de fuzil.

Celso chegou a ser socorrido e internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral de Guarulhos, mas n?o resistiu. Ele foi enterrado na segunda (11) em um cemit?rio de Guarulhos. Deixou a esposa, Simone, e tr?s filhos, de 20, 13 e 3 anos.

Um funcion?rio terceirizado do aeroporto, que teve ferimentos na m?o, e uma mulher de 28 anos, atingida por um tiro de rasp?o no abd?men, foram socorridos e receberam alta.
Tags: Quem mandou matar - Delator

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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