Piaui em Pauta

Réus pedem anulação de delação premiada da Operação Lava Jato no RJ.

Publicada em 21 de Junho de 2019 às 09h14


Advogados de defesa dos empres?rios Miguel Iskin e Gustavo Estellita, presos na Opera??o Fatura Exposta, da Lava Jato, pediram a anula??o da dela??o premiada do ex-subsecret?rio de Sa?de do Rio de Janeiro C?sar Romero.

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As defesas alegam que uma per?cia feita pela Pol?cia Federal no telefone do delator mostrou que ele mentiu durante o depoimento e quebrou o acordo com o Minist?rio P?blico Federal. A dela??o de Romero envolveu pol?ticos e empres?rios nos desvios da sa?de, em um processo envolve o ex-governador S?rgio Cabral.

Realizada em abril de 2017, a Opera??o Fatura Exposta desvendou um esquema de corrup??o na Secretaria Estadual de Sa?de. Iskin e Estellita, s?cios de uma fornecedora de materiais hospitalares para a Secretaria Estadual de Sa?de, foram presos na ocasi?o. Al?m deles, tamb?m foi preso na opera??o o ex-secret?rio estadual de Sa?de S?rgio C?rtes.

A investiga??o teve como base a dela??o premiada de C?sar Romero, subordinado a S?rgio C?rtes quando este chefiava a secretaria. Romero contou detalhes sobre a cobran?a e a divis?o da propina paga pelos empres?rios em troca de contratos com a Secretaria Estadual de Sa?de e o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into).

Mas, segundo a defesa de Iskin e de Estellita, C?sar Romero mentiu aos procuradores da for?a-tarefa da Lava Jato ao n?o falar da participa??o da ex-esposa dele no recebimento da propina que era destinada a ele.

Para advogados, delator mentiu sobre envolvimento da mulher
Os advogados usaram como prova uma troca de mensagens entre C?sar Romero e o filho dele, encontrada pela Pol?cia Federal no celular do ex-subsecret?rio. A PF periciou o aparelho, e a troca de mensagens foi juntada ao processo.

Na conversa periciada, o delator entra em uma discuss?o com o filho sobre a m?e dele. O filho diz que o pai submeteu a m?e a "trai??o", "abandono" e "agress?o".

C?sar Romero, ent?o, afirma: "Que agress?o, aquela que armou com o advogado dela e perdeu a a??o??? Voc? acha que sua m?e ? uma santa... Ela que recebia o dinheiro pra mim".

Em depoimento no dia 31 de maio deste ano ? Justi?a Federal, C?sar Romero negou que sua ex-esposa soubesse do recebimento de propinas. E que tivesse mencionado, por mensagem, a participa??o dela nos atos il?citos.

"O que acontecia era que, por vezes, o Gustavo [Estellita] entregava ou na minha casa ou no meu escrit?rio, e ela [ex-esposa] pode ter recebido. Mas sempre vinha em caixa fechada, em envelope lacrado", disse o delator.
O advogado ent?o lhe perguntou se Romero havia mencionado em alguma mensagem que a ex-mulher buscava valores para ele. O ex-subsecret?rio nega.

Com base na troca de mensagens com o filho pelo celular e no que C?sar Romero disse em ju?zo, a defesa de Miguel Iskin e de Gustavo Estellita afirma ? Justi?a que “C?sar Romero omitiu a participa??o de sua ex-esposa em seus delitos [...], o que significa quebra do acordo de colabora??o premiada".

Na peti??o, o advogado pede que o caso volte para o Minist?rio P?blico Federal analisar a poss?vel viola??o da dela??o premiada. E que o acordo seja anulado.

MPF diz que provas continuam v?lidas
Em nota, o Minist?rio P?blico Federal afirmou que “os fatos trazidos pela defesa de Miguel Iskin e Gustavo Estellita n?o afastam as acusa?es de corrup??o narradas na a??o penal em refer?ncia".

"De toda forma, as mentiras ou omiss?es porventura ditas por um colaborador podem gerar a rescis?o do acordo de colabora??o premiada caso restem comprovadas, ap?s a an?lise dos fatos em procedimento pr?prio", diz a nota.

"Havendo a rescis?o, o colaborador perde os benef?cios previstos, mas as provas produzidas permanecem v?lidas, inclusive depoimentos que houver prestado e documentos que houver apresentado, conforme previs?o contratual e precedentes dos Tribunais Superiores, inclusive do plen?rio do Supremo Tribunal Federal."

Delator reafirma que a mulher n?o sabia
Procurado pela reportagem, o ex-subsecret?rio estadual de Sa?de C?sar Romero afirmou que sua ex-mulher n?o sabia de nada. Segundo Romero, o empres?rio Gustavo Estellita deixava envelopes com dinheiro no escrit?rio dele, onde a ex-mulher tamb?m trabalhava. E, assim, ela levava os envelopes para casa.

Ainda de acordo com Romero, por vezes, a ex-mulher via que era dinheiro, e por vezes, n?o. Na nota, Romero ainda assegura que a conversa com o filho dele foi em um contexto de discuss?o, em raz?o de a ex-mulher querer tirar vantagem na partilha de bens.

Segundo Romero, ela estaria usando os filhos para atingir seu objetivo. O ex-subsecret?rio diz, ainda, que os fatos n?o s?o suficientes para a quebra da dela??o premiada e que todas as informa?es da dela??o foram comprovadas.

A reportagem ligou para os telefones que seriam da ex-mulher da C?sar Romero, mas ela n?o atendeu.
Tags: Réus pedem anulação - Advogados de defesa

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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